Com uma exibição inesquecível no contrarrelógio de sábado, Tadej Pogacar tornou-se num vencedor da Volta a França já pouco esperado dada a imagem forte que Primoz Roglic estava a transmitir. Em 36,2 quilómetros assistiu-se a um momento que fica para a história do Tour e que colocou o jovem esloveno no topo do ciclismo mundial.

Esta segunda-feira, Pogacar vai celebrar 22 anos com um camisola amarela que Roglic parecia ter garantida com 57 segundos de vantagem. Apesar de ser forte no contrarrelógio, não só perdeu essa vantagem, como acabou a 59 segundos do compatriota. Uma surpresa, uma exibição de enorme nível de um dos novos talentos do ciclismo mundial. Há ano e meio, Pogacar estava a estrear-se a ganhar na UAE Team Emirates – equipa que o trouxe para o World Tour precisamente em 2019 – na Volta ao Algarve. Agora conquistou a corrida que continua a ser vista como a mais importante do ciclismo.

E numa corrida que não teve o espectáculo de 2019, Pogacar já estava a ser o ciclista que mais animava na montanha. Depois de perder tempo na etapa do vento parecia ter uma missão difícil. E era, mas claramente não há impossíveis para este fora de série.

Para a Jumbo-Visma foi um final amargo depois de tanto trabalhar durante três semanas. Foi sem dúvida a equipa mais forte, destronando do pedestal a Ineos Grenadiers (ex-Sky). Porém, Roglic que até havia reagido bem nos dias em que o coletivo teve algumas falhas, não conseguiu selar um triunfo tão desejado e para o qual a formação holandesa tanto trabalhou nos últimos anos. A vantagem de 57 segundos acabou por ser curta e um dos erros da Jumbo-Visma foi mesmo não ter garantido maior distância entre os dois eslovenos.

A fechar o pódio esteve Richie Porte. Mesmo sofrendo novamente azares (perda de tempo na etapa do vento e um furo quando a montanha estava a acabar no Tour), Porte conseguiu no contrarrelógio saltar para um terceiro lugar que lhe soube a vitória. Aos 35 anos, diz estar a despedir-se do seu papel de líder e vai regressar ao de gregário. Finalmente conseguiu um bom resultado numa grande volta e a Trek-Segafredo agradece.

Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep) terminou o Tour a ganhar nos Campos Elísios, a mítica etapa dos sprinters. Foi a segunda vitória nesta edição, conquistando ainda a camisola verde dos pontos, “tirando-a” de Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) vencedor em sete ocasiões.

A classificação da montanha e da juventude também ficaram para Tadej Pogacar, com a Movistar a vencer por equipas. O português Nelson Oliveira subiu mais uma vez ao pódio, ele que esteve novamente preso ao trabalho de gregário, que cumpriu, como sempre.

Marc Hirschi (Sunweb) foi mais um a subir ao pódio final, como vencedor do prémio de super combativo. Muito bem entregue ao suíço que venceu uma etapa, esteve perto de vencer outras duas e não se cansou de lutar por mais e melhor. Acabou por ser também um prémio para a sua equipa, dada a forma atacante e audaz com que enfrentou o Tour, não tendo homens para a geral e optando por deixar Michael Matthews de fora. Equipa jovem que respondeu com boas e espectaculares exibições, com Soren Kragh Andersen a conquistar duas etapas.

Cai o pano num Tour tão desejado e que depois de tanta incerteza devido à pandemia foi para a estrada. Próxima paragem em grandes voltas: Giro d’Italia, entre 3 e 25 de outubro.

Podes ver as classificações completas aqui, via ProCyclingStats.