É um privilégio podermos experimentar uma bicicleta como a KTM Scarp Master 2022, ainda para mais quando se constata que a marca austríaca acrescenta inovação todos os anos a esta gama de suspensão total para XC.

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Neste caso da Scarp “normal”, digamos assim, é explorada aquela abordagem mais clássica do XC, que até podemos dizer que está a desaparecer aos poucos… Por contraponto, relembramos que a nova KTM Scarp MT é o modelo que o fabricante aponta ao XC mais técnico, ao downcountry, e que andamos também a testá-la na versão Exonic, que é a topo de gama. Aqui estão as primeiras impressões e aqui está o vídeo no YouTube (teste completo em breve).

Ora, com esta KTM nas mãos participámos em pelo menos dois eventos de BTT de distâncias médias, um mais duro que o outro. Além disso, em busca de sensações mais realistas e próximas da “verdade” do XC, quisémos experimentá-la num amplo lote de cenários de BTT, dos estradões aos trilhos mais técnicos. Como fazemos, aliás, com todas as outras bicicletas que nos passam pelas mãos, por gentileza das várias marcas.

E as sensações são bastante boas. Primeiro, porque o quadro feito com o carbono SLL 95 da KTM mostra-se bastante leve (é o facto de o conjunto de equipamento estar a meio da gama que deixa a bicicleta ligeiramente acima dos 11 kgs…); segundo, porque há “pormenores” na geometria (e no modo como o corpo fica em cima da bicicleta) que nos deixa confortáveis a andar.

Um quadro bem acabado?

Como referimos, um dos primeiros pontos a chamar a atenção nesta bicicleta é a estética: pintura nas tradicionais cores laranja/negro com acabamento brilhante, sendo que até a suspensão frontal combina com a “decoração”, certo? Estas Fox SC 32 Factory, mesmo nesta versão de 2022, tem essa características em todas as KTM, ou quase todas.

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Em andamento, ficamos com a sensação que a génese desta suspensão total é efetivamente o feedback obtido em competição. Isto porque há atenção ao detalhe. Na forma como os cabos se integram no quadro, a proteção de escora integrada do lado da corrente, os revestimentos em borracha que há entre as partes basculantes e o triângulo traseiro…

O desenho do quadro obedece às tendências mais clássicas das bicicletas de XC, como afirmámos antes. Mas clássico não quer dizer antiquado, ok? Ângulo de direção a 68º, distância entre eixos de 1.145 mm e escoras de 435 mm…

Resultado? Uma estrutura muito reativa, mas com um manuseamento geral bastante seguro mesmo nas descidas mais técnicas. A juntar a isso, no compacto triângulo traseiro os tirantes são muito finos, permitindo uma certa flexão.

Nesta relação, o sistema de suspensão traseiro Straight Line Link desempenha um papel fundamental. Aqui temos apenas 95 mm de curso e não os 100 mm habituais, por assim dizer, mas na performance isso não se ressente absolutamente nada.

Consistência é a palavra: não há um amortecimento que reage a todas as saliências, há sim um sistema que transmite a reação de uma hardtail nos terrenos mais rápidos e a absorção na dose certa quando o caminho é mais técnico.

Esta KTM está sempre a “pensar” em andar rápido, isso é certo.

Mais à frente, a solução é mais standard, com a Fox SC 32 Factory de que já falámos acima, neste caso na versão com 100 mm de curso. Mais do que suficiente para o XC menos “agressivo” e a dar-nos o controlo possível em conjunto com o guiador KTM e alumínio com apenas 720 mm. Preferimos algo a rondar os 740 mm mesmo sabendo da geometria tradicional da Scarp.

Nível de equipamento médio

Nesta gama, este preço de 4.999 euros está a meio, sim. E temos aqui uma visão bastante “eficiente” da Master: “gasta” euros onde eles são verdadeiramente necessários e poupa em elementos que são mais supérfluos. más superfluos.

Ou seja, o conjunto de suspensões com acabamento Factory é um dos melhores que existe de momento no segmento e no catálogo da Fox. Boa escolha, pois ter bom amortecimento é vital numa bike como esta.

Quando o terreno ‘complica’, a suspensão frontal Fox 32 SC Factory mostra-se muito suave, lidando bem com todos os obstáculos e ao mesmo tempo imprimindo rigidez quando é preciso…

Já o amortecedor DPS Factory está um pouco mais “disfarçado” com uma perfeita integração no esquema de suspensão traseiro, que funciona bastante bem. Em geral, este duo de suspensão porta-se bem: suaves nos primeiros embates, rígidas mais para o fim do curso.

No entanto, há outros componentes que estão um patamar abaixo, não sendo topo de gama dos respetivos fabricantes. É o caso do conjunto de transmissão Shimano XT presente nesta versão Master da KTM Scarp de 2022, que, como é habitual, apresenta eficácia no funcionamento.

Falamos de uma cassete 10-51d e de um prato 34d no pedaleiro. Os travões, da mesma série, trazem potência de sobra. Tudo resiste bem aos “abusos” típicos do BTT.

Por seu turno, as rodas Mavic Crossmax 29 com 25 mm de largura também mostram uma performance sem mácula e no peso estão à imagem do preço total da bicicleta. Pesam 1.770 gramas o par, podemos dizer que são leves. Dão confiança. Quando aos pneus, cumprem a missão, apenas. São uns  Schwalbe, o Racing Ray à frente e o Racing Ralph. O normal nesta gama, aliás, com uma vocação muito roladora, de resto.

Quanto a periféricos, o material predominante é o alumínio e quase todos são da própria KTM, como são os casos do guiador de 720 que já referimos, do avanço e do espigão, que não é telescópico, como seria de esperar numa bicicleta com este propósito. O selim é um Selle San Marco RND que transmite mais conforto do que esperámos á primeira vista. Bastante equilíbrio, no fundo, sem surpresas.

Como se comporta?

Esta vocação para o XC mais verdadeiro não engana: esta é uma bicicleta muito roladora, cheia de vontade de andar depressa, e com um perfil muito “trepador”. Se procuras algo mais para descer, a Scarp no modelo MT será mais indicada, arriscamos dizer, até porque aí as suspensões já chegam aos 120 e 115 mm de curso.

Demos algumas voltas com amigos que seguiam em bicicletas de gravel, pro vezes, e refira-se que esta KTM Scarp não se deixou ficar para trás. E com um andamos muito confiante, seguro e confortável.

A posição de condução não é demasiado racing, não é muito inclinada para a frente. Quem prefere uma secção frontal com esses contornos, contudo, poderá sempre “jogar” com os espaçadores na direção (passando um ou dois para cima do avanço, por exemplo).

A bicicleta parece endiabrada quando aceleramos; a subir sente-se a (relativa) leveza e há reatividade. Muitas vezes quase que é ela que “pede” que nos levantemos do selim e “puxemos” um pouco mais, desde que haja “pernas” do lado do ciclista.

Nestes momentos, confessamos que por vezes sentimos que o sector traseiro de amortecimento é demasiado permissivo e não “filtra” o suficiente, o que faz com que se perca um pouco de tração quando começam as irregularidades mais fortes e quando o terreno está mais solto. Com o hábito aprendemos a corrigir esta situação.

No bloqueio da suspensões (sempre em simultâneo), relembramos algo que já notámos antes, noutras bicicletas que contam com esta dupla da Fox: sentimos que o comando de bloqueio no guiador é demasiado sensível. Temos de lhe dar alguma atenção extra, especialmente quando queremos que siga na posição de bloqueio intermédia.

Nos singletracks, a Scarp Master também surpreende, e é melhor a subir que a descer. Muito veloz e rápida a reagir, isto desde que haja “mãozinhas” do nosso lado e algum treino. O guiador de 720 mm torna a direção demasiado “nervosa” para o nosso gosto, apesar de ser fácil apontar para onde queremos seguir.

Ainda no que diz respeito a controlo, salientamos que o pneu da frente é demasiado rolador. Não nos parece ter a tração necessária para os trilhos, nem mesmo para os mais secos e tranquilos. Mas um pneu que não responde como queremos é sempe algo fácil de resolver, certo?

Mesmo com estas características, esta Scarp não se inibe na hora de descer em zonas mais técnicas. E os travões estão lá para o que for preciso!

Por contraponto, o pneu de trás porta-se bem. Agarra muito, e também acaba por permite rolar rápido sempre que é preciso. Combinando isso com estes cursos de suspensão reduzidos, temos uma bike muito rápida e rolador, como já referimos várias vezes, apesar de não se negar a nada quando o terreno muda.

Não queremos ser “injustos” com esta Scarp, pois testámo-la também em percursos onde normalmente “passeamos” com modelos de trail e all mountain…

A nossa avaliação…

A KTM Scarp Master 2022 é uma bicicleta talhada para a competição, mas que “assenta que nem uma luva” naquele tip ode utilização amador de fim de semana, caso haja bolsa para investir perto de 5.000 euros.

Sentimos a adrenalina à solta porque a bicicleta é rápida, muito rápida, e gostamos da ajuda que ela nos dá sempre que é preciso subir, tanto em estradão como em trilho técnico.

Desde que saibamos onde estão os limites deste modelo (é uma suspensão total, mas atenção que não é uma trail…), a performance alcançada poderá ser elevada e há equilíbrio no equipamento e periféricos montados. Tudo funciona bem, com exceção, eventualmente, do tal pneu da frente!

Não é uma trail, é certo, mas também não se nega às zonas técnicas a descer. Os travões XT não vacilam (melhores que vários que conhecemos com quatro pistons, e a posição de condução é favorável. Para ser perfeita, esta Scarp precisa de ser mais um pouco mais leve e um pouco mais barata…

O que mais nos agrada…

  • O “aroma” a XC de competição “à antiga”: prestações de “puro sangue” que regista uma entrega total em cada volta… Desde que haja pernas!
  • Os acabamentos do quadro: tanto a nível estético como prático, esta estrutura em carbono está muito bem construída e desenhada pela KTM.
  • A suspensão frontal Fox 32 SC Factory: uma funcionamento impecável, suave e rígido quando necessário. E a cor combina com o quadro!

A melhorar…

  • O pneu da frente estará talvez adequado a um contexto de competição, mas para o XC de fim de semana, por assim dizer, pode não ser a melhor solução. “Rouba” tração em muitas situações…
  • O esquema de suspensão traseiro parece um pouco “seco” em determinadas circunstâncias, além de ser ligeiramente permissivo quando aligeiramos o peso à retaguarda.

Ficha técnica da KTM Scarp Master 2022:

Quadro: KTM Premium Carbon SLL 95 // Suspensão frontal: Fox SC32 Factory 100 mm // Amortecedor: Fox DPS Factory 95 mm // Transmissão: Shimano XT 12x (prato pedaleiro 34d / cassete 10-51d) // Travões: Shimano XT M8100 (discos Freeza 160/160 mm) // Rodas: Mavic Crossmax 25 mm // Pneus: (à frente) Schwalbe Racing Ray 2,25 x 29 e (atrás) Schwalbe Racing Ralph 2,25 x 29 // Guiador: KTM Team Flat 720 mm // Espigão: KTM Team // Selim: Selle San Marco RND // Peso: 11,3 kg (verificado com pedais) // Peso anunciado pela KTM: 10,9 kg) // Preço: 4.999 euros

Site oficial:

Todas as fotos (clica/toca para aumentar):

Pormenores (clica/toca para aumentar)

Neste teste:

  • Texto: José Escotto e Samuel Escotto
  • Fotos: Antonio Iglesias
  • Vídeo: José Escotto
  • Rider em ação: Samuel Escotto

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José Escotto
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