Os pratos ovais estiveram na moda de forma mais intensa há uns anos, levantando uma grande discussão sobre eventuais vantagens ou não na sua utilização. E isto essencialmente num ambiente mais “amador”, visto que em competição profissional diz-se existirem vantagens comprovadas e o recurso a este tipo de componente é frequente.

PUB
Lapierre XR

Ainda assim, ainda são muitos os entusiastas (sobretudo em estrada, no BTT um pouco menos…) que utilizam estes pratos no pedaleiro, em busca de uma performance mais elevada…

E refira-se que um dos fabricantes que tem defendido firmemente este design de pratos e que atualmente continua a apostar forte no mesmo (é mesmo uma das suas imagens de marca…) é a marca espanhola Rotor,que até fornece equipas de renome do World Tour como a Israel-Premier Tech.

Com isso em mente, todo este artigo tem como base algumas “explicações” que a Rotor fornece sobre o material que comercializa. Não temos uma opinião formada, nem sequer aqui apresentamos um teste prático do uso de pratos pedaleiros ovais. Apenas desejamos esclarecer algumas dúvidas sobre este sistema que nos têm chegado, esperamos conseguir…

A Israel-Premier Tech é uma dos “clientes habituais” da Rotor.

Porque foram inventados os pratos ovais?

A ideia é que este componente resolva um dos problemas teóricos que a pedalada com pratos normais pode apresentar: existe um ponto (também aqui apelidado de “morto”) ao longo do curso do pedaleiro e dos pedais em que não se exerce força alguma, nem positiva nem negativa.

Esse ponto (na realidade são dois, um em cada ciclo de pedalada), que surge quando os pedaleiros estão numa posição próxima à sua verticalidade total em relação ao solo, faz com que percamos efetividade na pedalada, o que pode causar uma perda de rendimento.

PUB
Lazer

Assim, os pratos ovais foram inventados para compensar a ação nesses ditos pontos “mortos”. A forma oval faz com que a pedalada seja mais “redonda” (embora isto possa parecer contraditório…), já que se pretende que o ponto “morto” não coincida totalmente com a verticalidade do pedaleiro, maximizando o rendimento nas zonas positivas da pedalada e reduzindo a intensidade nas zonas mais débeis (correspondentes aos pontos “mortos”). Em teoria, assim é possível estar a exercer força ao longo de todo o curso da rotação do pedal…

Antes de começarmos a enumerar vantagens e desvantagens dos pratos ovais, temos de referir que aqui o que é benéfico para um ciclista pode não ser para outro. Ou seja, não garantimos que uma solução é melhor que a outra; o que fazemos é aconselhar-te a que experimentes por ti próprio…

Ainda que menos vistos no BTT, os pratos ovais também aí marcam presença…

Vantagens dos pratos ovais

1. Pedalada mais suave?

Este sistema cria, alegadamente, um maior equilíbrio muscular e uma melhor respiração, preservando mais o ciclista e sendo ideal para voltas maiores. A pedalada mais suave faz com que os joelhos se cansem e sofram menos, devido à redução da tensão articular e à redução da fadiga nas fibras musculares.

2. Mais potência?

Espera-se que haja um aumento da potência das pedaladas, mas com o mesmo gasto energético, à partida. isto permite cadências de pedalada mais uniformes e um maior poder de aceleração.

3. Menos perda de tração?

A referida entrega mais homogénea da potência pode fazer com que a aderência dos pneus ao piso seja mais elevada, o que pode gerar menos perdas de tração em função das pedaladas.

Desvantagens dos pratos ovais

1. Subjetividade…

A efetividade de um prato oval depende da pedalada do ciclista, tudo indica para isso. Por isso, é possível que cada caso seja um caso: o ideal seria que existisse uma análise individual do atleta, para confirmar que tipo de “ovalação” é que traria os maiores benefícios.

2. Instalação correta

É importante uma colocação correta dos pratos, ou seja, com o formato oval a funcionar nos pontos de rotação ótimos. Embora um erro neste sentido não implique necessariamente qualquer problema físico, a verdade é que podem surgir casos de inadaptação aos pratos ovais, e isto poderá dar origem a desconforto nos joelhos. É recomendável um período de adaptação, também.

3. Menos rendimento… psicológico!

Por vezes, a melhoria da performance é impercetível, o que pode levar a desânimo e frustração, e a uma consequente queda de rendimento físico. O uso de potenciómetros pode ser uma solução aqui, mas já supõe um investimento que talvez nem todos os utilizadores estejam dispostos a assumir.

Parâmetros da ‘ovalação’

1. Percentagem de ovalação

A relação entre as zonas de maior e menor diâmetro do prato.

2. Forma de ovalação

Poderíamos defini-la como as curvas que compõem o perímetro do prato, como arcos e ovais, ângulos ou secções planas, e elipses.

3. Orientação da ovalação

O ângulo traçado entre a linha central dos pedaleiros e o maior diâmetro do prato.

Um design de um prato oval correto deverá conjugar na perfeição estes três parâmetros descritos acima. Qualquer falha num deles pode levar a rotações irregulares do movimento de rotação completo do pedal, provocando tensões que podem conduzir a dores no joelho, por exemplo.

Um bom design e uma boa construção tem de orientar a ovalação do prato de acordo com as características biomecânicas da pedalada, pelo menos em teoria e à luz do que vamos vendo e lendo na informação das soluções que existem atualmente.

Quem começou o fabrico deste tipo de pratos?

A Shimano foi a primeira marca que produziu e comercializou, em 1983, pratos ovais em série, tanto para BTT como para estrada (os primórdios dos ovais datam de 1913). A gama chamava-se Biopace e esteve no mercado cerca de dez anos, tendo aí sido retirados do catálogo.

Ainda hoje em dia é fácil encontrá-los em bicicletas de BTT da época, em combinação de prato triplo no pedaleiro. A título de curiosidade, a orientação da ovalação era contrária à forma como é feita nas soluções atuais. E isto diz-nos que os pratos ovais de hoje implicaram muitas horas de investigação e desenvolvimento, certo?

Mais info:

Também vais querer ler…

7 segredos dos sistemas de travagem (segundo a Sram) [com vídeo]


Fotos: Rotor // Israel-Premier Tech


Artigo redigido por José Escotto e editado por Jorge Lopes. Caso detetes algum erro ou tenhas informação adicional que enriqueça este conteúdo, por favor entra em contacto connosco através deste formulário.

PUB
Orbea Rier Connect

Estás a gostar do GoRide.pt?

Então subscreve a Newsletter GoRide.pt clicando/tocando na imagem abaixo!

NEWSLETTER GORIDE.PT Newsletter GoRide.pt

José Escotto
O nosso responsável pelo GoRide Espanha! Experiência na área do ciclismo (e do desporto em geral) não lhe falta e muito menos entusiasmo quando se trata de divulgar as mais recentes novidades de bicicletas e BTT.

    Também vais gostar destes!

    Mais em Componentes