A travagem é um dos pontos essenciais em qualquer verente do ciclismo e em qualquer bicicleta. Ponto. É ela que nos dá o controlo sobre a bicicleta, pelo que tem se estar sempre “no ponto” para que possamos ter e sentir segurança aos comandos da bicicleta.

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E, tal como mostrámos recentemente num conjunto de artigos especiais aqui no GoRide.pt, por detrás de uma boa travagem estão vários segredos, que por sua vez escondem tecnologias e muito trabalho de desenvolvimento efetuado pelas marcas.

Nessa lógica, a Sram decidiu produzir um vídeo bastante informativo (em inglês) sobre sistemas de travagem e mostrando alguns dos segredos que se aplicam aos travões hidráulicos. É o vídeo ‘The Science of Stopping | Mountain Bike Disc Brakes’, está acima neste artigo, é referente a bicicletas de BTT e aqui fica um resumo sob a forma de sete ideias chave.

1. As variáveis da travagem

São várias as variáveis que podem influenciar a travagem, como refere a Sram ao longo de todo o vídeo, o que torna importante que se ajustes a bicicleta ao uso que lhe queremos dar, ao nosso peso e a muitas outras características e fatores.

O peso, a experiência e o estilo de andar de cada um são três fatores essenciais, mas existem muitos mais tais como o tipo de travões, as diferentes temperaturas a que chegam, os tamanhos de componentes como os discos, por exemplo, a qualidade e características das pastilhas, a humidade ambiente, etc.

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2. Funcionamento da travagem hidráulica

As bicicletas da atualidade têm duas manetes de travão no guiador e todos sabemos que a respetiva pressão aciona a travagem e faz a roda parar de rodar. Mas será que sabemos como é que este sistema funciona?

Muito, muito basicamente: quando pressionamos a manete, o líquido presente no tubo é empurrado no interior; este fluído é levado até aos pistões existentes nas pinças, já junto à roda, o que faz com que os êmbulos pressionem as pastilhas de travão contra o disco.

3. O líquido de travões

Existem dois líquidos de travão mais utilizados: o DOT e o óleo mineral, sendo este mais comum nas bicicletas com travões de disco. Os dois têm um ponto de ebulição semelhante, com o DOT a aguentar até aos 260 graus e o óleo mineral atinge esse ponto nos 249 graus.

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No entanto, é referido no vídeo que, após vários testes exaustivos feitos por uma determinada marca, esta chegou à conclusão de que o óleo mineral consegue aguentar maiores períodos de tempo sem nenhuma (ou quase nenhuma manutenção), fazendo deste líquido o mais indicado para aqueles que não competem ou não rodam com tanta regularidade.

Já com o líquido DOT a manutenção e revisão tem de ser mais frequente, pois este óleo absorve água. Como ponto positivo, contudo, aguenta também temperaturas mais altas, tornando-se ideal para quem roda com maiores velocidades e precisa de mais poder de travagem.

4. A escolha das borrachas

O material de selamento é essencial para que o sistema de travagem funcione na perfeição. E por isso mesmo não basta apenas trocar o líquido, as pastilhas, os discos… É importante dar atenção também a elementos mais “pequenos” como as borrachas. Todos os materiais deste tipo e de selagem dos travões devem ser revistos e ajustados frequentemente.

Também sobre este ponto foram feitos vários estudos que demonstram que os selamentos utilizados juntamente com óleo mineral não conseguem apresentar um rendimento tão alto como os usados com DOT, principalmente quando confrontados com temperaturas extremas.

Quando a manete é acionada, os pistões das pinças são deslocados e permitem às pastilhas entrar em contacto com o disco; quando as largamos, os selamentos de borracha, que selam os pistões e os puxam para a sua posição inicial, agem como se fossem uma mola.

Ao serem um material viscoelástico, a sua velocidade é alterada consoante a temperatura. Daí os componentes de borracha compatíveis com o líquido DOT oferecerem um melhor desempenho, pois operam a temperaturas mais amplas do que em comparação com o óleo mineral.

5. O tamanho dos pistões

O tamanho conta no que aos travões diz respeito, e também nos pistões isto é algo que é preciso ter em conta. Quanto mais largos estes forem, maior é a área de pressão das pastilhas contra o disco, à partida. E uma pastilha de travão maior é sinónimo de mais material responsável diretamente pela fricção que origina a travagem.

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Logo, o tamanho dos pistões, das pastilhas e do disco podem ser bons indicadores das características e da performance dos travões. Talvez por isso as várias marcas efetuem muitos testes com diferentes informações e tipologias, em busca de resultados cada vez melhores.

6. A importância do disco

O disco é essencial para a travagem, certamente. Quanto maior é a fricção, maior vai ser a potência da travagem, e um disco maior acrescenta tanto vantagens mecânicas (ao gerar uma área de travagem maior) como permite manter os travões a funcionarem na temperatura ideal.

A Sram afirma que entre um disco de 180 mm e um de 200 mm a diferença da força de travagem é de quase 14%, mostrando que o tamanho do disco é essencial para uma travagem mais eficaz. No entanto, não devemos tirar a conclusão direta de que um disco maior será sempre melhor…

Um disco que rode sempre numa temperatura mais baixa nunca vai conseguir aquecer a pastilha de travão o suficiente para que esta consiga atingir o seu máximo rendimento, mostrando que, neste caso, por exemplo, um disco menor pode ser mais eficaz. Já quando a temperatura é maior, o poder de fricção da pastilha é diminuído e aí sim um disco maior pode fazer um trabalho mais acertado.

7. A cor do disco

Quantas vezes é que olhamos para o disco durante as nossas voltas de BTT? Certamente poucas e não são as vezes suficientes para repararmos que eles podem mudar de cor… E esta pode dizer muito sobre o seu estado e a travagem.

Caso o disco apresente manchas castanhas nas zonas de travagem, normalmente isto pode ser um sinal de que o travão está a conseguir dissipar de forma eficiente o calor ao longo do seu raio, algo que é normal e significa que está tudo a funcionar bem.

Por outro lado, caso o disco apresente manchas roxas ou de diferentes tons aproximados a essa cor, tal pode ser um sinal de que os travões estão a ficar demasiado quentes. E isto significa que pode estar na altura de rever o sistema e de substituir componentes, nomedamente as pastilhas e/ou os discos.

Na pior das hipóteses, é sinal de que chegou a hora do upgrade ao sistema de travagem, o que é sempre vantajoso!

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