Quem apostaria, à partida para esta edição da Volta a Espanha, que Sepp Kuss estivesse com a camisola vermelha no último dia de descanso, que foi ontem?

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Elevado aos primeiros lugares da classificação geral após a excelente vitória quando integrou uma fuga numerosa na 6ª etapa, que terminou no alto do Observatório de Javalambre, e depois à liderança dois dias depois, o norte-americano da Jumbo-Visma foi promovido de tenente de montanha a general durante uma segunda semana cheio de ação nos Pirenéus e até com um contrarrelógio de 25 km de permeio.

Aos 28 anos, a Águia de Durango está a uma semana de conseguir o improvável, vencer a sua primeira grande volta numa formação que inclui os seus dois líderes natos, Primoz Roglic e Jonas Vingegaard – respetivamente na segunda e terceira posições, a 1.37 e 1.44 minutos.

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Kuss assume a responsabilidade e a delicadeza da sua situação. “Será, talvez, a semana mais bonita e importante da minha carreira”, confidenciou Sepp Kuss numa entrevista concedida ao site Sporza esta segunda-feira.

“As semanas anteriores já tinham sido fontes de experiências bonitas e novas para mim. Mesmo que não estivesse nesta posição, teria esperado ansiosamente por esta última semana. Adoro as subidas na Cantábria e nas Astúrias. É o tipo de subidas íngremes típicas de Vuelta”, assume o trepador da equipa neerlandesa, na sua terceira grande volta da temporada.

“Sinto-me muito bem, estou ansioso por voltar à estrada”, assegura Sepp Kuss, “A Vuelta é muito especial para mim. É a corrida com que mais me identifico, com os fãs, com o percurso… Foi a primeira grande volta da minha carreira e tenho com ela uma ligação mais do que especial. Envergar a camisola vermelha e sentir o carinho das pessoas dá-me muita motivação. Não sei se seria o mesmo noutras corridas, onde há muito mais pressão e cobertura mediática”, referiu.

A estratégia da Jumbo-Visma com o seu tridente mágico constitui a principal incógnita desta última semana: será que a aposta será em Kuss? Se o americano falhar nalguma etapa, algum dos dois líderes originais sacrificar-se-á pelo habitual gregário? Kuss diz que não tem respostas a estas questões.

“Se fui designado líder pelos meus diretores? Não diretamente. Obviamente, queremos manter a situação favorável em que estamos, mas não haverá ofertas, não vamos complicar ainda mais sobre o facto de os três estarmos em condições de vencer”, afirma.

E continua: “É bom sermos tantos na nossa posição, mas não podemos concentrar-nos nesse facto e depois perder o objetivo principal, que continua a ser vencer a Vuelta com qualquer um de nós. Só temos de ser honestos connosco próprios, assumir que quem se sentir melhor e quem tiver mais condições de se impor, que não olhe para trás”, explica, evitando compromissos.

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“Conhecemo-nos muito bem”, continuou Kuss sobre o acordo com os dois vencedores dos primeiros Grand Tours da temporada. “É ótimo ver que eles também acreditam em mim e que estão felizes por eu estar nesta posição. Mas eles também são verdadeiros competidores e querem vencer tanto quanto eu”.

Considerado como um dos melhores trepadores do mundo, mas sem a mentalidade de um líder de equipa, Sepp Kuss tem mostrado nesta Vuelta que está, enfim, preparado para assumir a responsabilidade e colher a sua própria glória.

“É certo que este ano e mais particularmente esta Vuelta foram uma grande mudança para mim, porque ganhei muita confiança. Quando fui ao Giro não sabia como iria sentir-me, porque não estava totalmente preparado. Mas assim que comecei, percebi que estava em ótima forma e mentalmente forte. Depois, no Tour, dei novamente um grande passo, tive ainda mais autoconfiança por ter estado com os melhores. E finalmente aqui na Vuelta, com esta camisola vermelha, pude fazer mais do que nunca. Na minha opinião é mais mental do que físico”, reconheceu Kuss.

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Imagens: Jumbo-Visma Twitter e Vuelta Twitter

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