A UAE Team Emirates bem prometeu que queria ser das equipas mais fortes do World Tour. E aí está ela, com um plantel fortíssimo, tanto de ciclistas experientes, como de jovens valores mais do que comprovados! Ano após ano, não se coíbe de apostar forte nas contratações, mesmo que isso signifique ter vários líderes com características idênticas. Em 2023, tal vai obrigar a uma gestão de egos e ambições.

PUB
Orbea Genius Dealers

Tadej Pogacar é o patrão. O intocável. O que decide, está decidido. A Volta a França é dele (vai procurar a terceira vitória que Jonas Vingegaard não deixou em 2022), mas repetirá um forte calendário de clássicas, desejoso de regressar à Volta a Flandres.

Segue-se João Almeida, líder para o Giro e Juan Ayuso para a Vuelta (a ver vamos se não terá Pogacar a seu lado). Mas chegaram Adam Yates e Jay Vine. Podem ser gregários de luxo – o australiano deverá ser dos que acompanhará Almeida -, mas não surpreenderá ver que têm ambição a mais.

O britânico Yates vê os anos passarem e não consegue conquistar a grande volta que tanto ambiciona. Deixou a INEOS Grenadiers plena de líderes para se juntar a uma formação com cenário idêntico.

Tim Wellens é mais um ciclista para liderar, mas não entra na luta por provas de três semanas. Mas entre estas corridas, provas de uma semana, clássicas, a UAE Team Emirates tem muito para gerir no que diz respeito a ciclistas que querem ter um papel principal na sua especialidade.

Se há algo que ficou claro é que, apesar da qualidade dos corredores, a UAE Team Emirates não teve um grupo forte em redor dos líderes quando foi preciso. Marc Soler, Davide Formolo e Marc Hirschi, por exemplo, também querem destacar-se e não ficar apenas como gregários.

Com 48 vitórias em 2022 (segundo lugar no ranking UCI) só se pode falar de uma época de sucesso, mas não foi fácil digerir a derrota no Tour. E nesta temporada, um dos desafios será precisamente garantir que todos estão felizes, mas disponíveis para trabalhar e abdicar de ambições pessoais quando assim for exigido.

PUB
Specialized Levo

De referir que, apesar de continuar a contar com Pascal Ackermann, de até ter mantido Juan Sebastián Molano e de esperar que Álvaro Hodeg possa regressar à competição depois do grave acidente que sofreu em dezembro de 2021, a verdade é que o sprint é uma aposta em segundo plano, um pouco o que já se tem visto.

As ambições portuguesas

Saiu Rui Costa, mas a UAE Team Emirates continua com uma forte presença portuguesa. João Almeida mantém o seu estatuto dentro da equipa. Apesar do crescer de Ayuso na Vuelta, o ciclista das Caldas tem o seu papel de líder bem definido, principalmente num Giro com contas a… fechar, depois do abandono forçado (covid-19) em 2022.

Aqui e ali lá se vai levantando a questão de poder vir a estar com Tadej Pogacar no Tour. Mas se uma presença na Volta a França será eventualmente inevitável para um ciclista da qualidade de João Almeida, para já é o Giro e novamente a Vuelta que está no pensamento. O desejo por um pódio é cada vez maior, nas mais que legítimas aspirações de Almeida ao topo. E será bem interessante se Almeida, Ayuso e Pogacar se juntarem na Vuelta…

Mas a época não começa e acaba num Giro ou Vuelta. Como tem sido comum nesta nova geração, são raras as corridas vistas para “fazer quilómetros”. Portanto, vamos ver Almeida a tentar aumentar o seu palmarés.

Os gémeos Oliveira partem para mais uma temporada na UAE Team Emirates. Tem sido uma experiência World Tour com altos e baixos. Porém, Rui Oliveira tem-se afirmado com um valioso membro no trabalho nas clássicas. Já o irmão, Ivo, vai lutando por um lugar nas provas por etapas.

PUB
Prototype

O papel de gregário está bem definido para ambos, mas também já se viu que quando lhes dão liberdade, alimentam o desejo de uma vitória.

Reforços: Adam Yates (GB, 30 anos, INEOS Grenadiers), Domen Novak (Esl, 27, Bahrain-Victorious), Felix Großschartner (Aut, 29, BORA-hansgrohe), Jay Vine (Aus, 27, Alpecin-Deceuninck), Michael Vink (NZ, 31, Bolton Equities Black Spoke Pro Cycling), Sjoerd Bax (PB, 27, Alpecin-Fenix) e Tim Wellens (Bel, 31, Lotto Soudal).

Permanências: Alessandro Covi (Ita, 24), Álvaro Hodeg (Col, 26), Brandon McNulty (EUA, 24), Davide Formolo (Ita, 30), Diego Ulissi (Ita, 33), George Bennett (NZ, 32), Felix Groß (Ale, 24), Finn Fisher-Black (NZ, 21), Ivo Oliveira (Por, 26), Jan Polanc (Esl, 30), João Almeida (Por, 24), Juan Ayuso (Esp, 20), Juan Sebastián Molano (Col, 28), Marc Hirschi (Sui, 24), Marc Soler (Esp, 29), Matteo Trentin (Ita, 33), Mikkel Bjerg (Din, 24), Pascal Ackermann (Ale, 28), Rafal Majka (Pol, 33), Rui Oliveira (Por, 26), Ryan Gibbons (AF, 28), Tadej Pogacar (Esl, 24) e Vegard Stake Laengen (Nor, 33).

Saídas: Alexys Brunel (Fra, 24, Dunkerque Grand Littoral), Andrés Camilo Ardila (Col, 23, Burgos-BH), Fernando Gaviria (Col, 28, Movistar), Joel Suter (Sui, 24, Tudor Pro Cycling Team), Maximiliano Richeze (Arg, 39, retirou-se), Oliviero Troia (Ita, 28), Rui Costa (Por, 36, Intermarché-Cicrus-Wanty) e Yousif Mirza (EAU, 34).

Também vais querer ler…

Trek-Segafredo: abram alas à nova geração… sem esquecer a voz da experiência

Fotografia: Facebook UAE Team Emirates

PUB
Giant TCR 2024

Também vais gostar destes!