As nossas experiências com a Lapierre Prorace CF 9.9 de 2023 podem ser consideradas um teste de longa duração, pois tivemos a sorte de ter connosco esta BTT da marca francesa durante mais de três meses. Foram muitas saídas, muitos kms, mais subidas do que descidas…

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E há uma conclusão que podemos desde já tirar: esta é a melhor bicicleta hardtail que já vimos no catálogo da Lapierre e uma das melhores do segmento que já testámos, juntamente com outras duas ou três de outras marcas.

Não é perfeita, isso é certo, até porque há um ponto ou dois em que precisa de evoluir na próxima geração, mas esta Prorace conta com “argumentos” que a tornam muito agradável de controlar e muito eficaz nos trilhos, especialmente quando a “tarefa” que temos pela frente são as subidas mais técnicas.

A Lapierre Prorace CF 9.9 2023 vista a 360 graus:

Lapierre Prorace CF 9 9 2023 | 360º | GoRide

 

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É por aí que começamos a falar do desempenho desta BTT, pela eficácia a subir. Estamos habituados a andar com BTTs de suspensão total, maioritariamente, mas houve alturas em que preferimos levar esta Lapierre, quando sabíamos que a volta do dia ia implicar fazer uns bons trilhos a subir…

Não dizemos que esta seja uma bicicleta melhor que outras, pois neste segmento de preço é muito normal que uma hardtail seja efetivamente boa no que faz. Dizemos é que se trata de um modelo equilibrado. E muito bem equipado.

Os pormenores da Lapierre Prorace CF 9.9 2023:

Lapierre Prorace CF 9.9 2023 | Details | GoRide
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Como referimos quando há umas semanas publicámos as primeiras impressões sobre ela, esta Prorace é bastante reativa à pedalada, permitindo colocar o peso do corpo no ponto ideal para não perdermos tração.

É uma pura XC: rola bem, sobe melhor, mas não não se ‘nega’ quando é preciso descer.

E o peso é bastante reduzido, sendo que aqui temos de deixar uma importante nota. Tal como no catálogo de outras marcas, a partir do momento em que damos 6.799 euros por uma BTT (o preço atual em Portugal pode estar mais baixo devido à redução do IVA…), é de esperar que os componentes topo de gama instalados façam com que a bicicleta seja leve.

É o que acontece com esta versão 9.9, neste modelo. Notamos que é bastante leve assim que a tiramos da caixa, graças a um quadro em carbono feito com as fibras mais leves que a marca usa (algumas versões mais abaixo na gama recorrem na sua construção a um carbono mais “pesadinho”…) e a um lote de material e periféricos de eleição.

No dia em que captámos grande parte das fotos e vídeos desta bicicleta, contando com um par de pedais Shimano XT e apenas um bidon (já vazio), registámos na nossa balança digital 9.270 gramas, o que é muito bom (quadro no tamanho M).

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Evolução no quadro

Se bem nos lembramos, as gerações anteriores da Lapierre Prorace tinham no quadro em carbono um design peculiar, digamos assim, e uma espécie de “membrana” de silicone que fazia a ligação entre o tubo superior e o tubo do selim. Há outras marcas que fizeram isso no passado e outras que ainda o fazem nas suas hardtail de BTT. Desde que funcione, somos a favor.

Agora, nesta edição de 2023 da Prorace, os engenheiros da Lapierre fizeram algo diferente para tentar amortecer o impacto sofrido pelo espigão de selim face às irregularidades no terreno.

Falamos do conceito 3D Tubular que o fabricante aplica agora nesse mesmo sector da bicicleta. A marca separou os tirantes do tubo de selim e utilizou neste parte do quadro um tipo de carbono mais maleável, fibras diferentes as que são usadas noutras partes da estrutura.

Isto promete fazer com que as vibrações que chegam a essa secção sejam distribuídas pelo tubo superior, e isto sem que cheguem ao selim através do respetivo tubo. Notamos esse leve amortecimento? Não propriamente, não estamos numa suspensão total, relembramos.

Mas é verdade que se nota um ligeiro oscilar no tubo do selim, ou seja, a fibra de carbono atua ali de forma controlada para absorver vibrações que chegam do terreno. E reparámos isso de forma particular nas primeiras voltas.

Rodas Lapierre XC CL 29

Depois há ainda outro elemento nesta bicicleta que ajuda a manter o peso reduzido. As rodas em carbono da própria marca, umas Lapierre XC CL 29 que provavelmente não passam de 1,5 kg o par.

Têm um perfil assimétrico de 27 mm e contribuem para a boa performance a subir, sendo também rígidas na dose certa. Não é preciso upgrade neste campo em particular e, pelo preço total, ainda bem que aqui as necessidades estão suprimidas.

Das rodas transferimos atenções para a parte da frente da bicicletas. E aí queremos falar em particular da suspensão, por um lado, e, por outro, do conjunto de periféricos que compõem o cockpit desta Lapierre topo de gama.

É que por este preço achamos que a bicicleta merecia uma solução de cockpit mais integrado. Neste caso encontramos um bom guiador de carbono da FSA, o SLK Carbon com 740 mm. O avanço, contudo, é em alumínio, neste caso da Lapierre, o 7050 Alloy 3D (60 mm no tamanho M).

Mais abaixo, no capítulo da suspensão frontal, podemos contar com o habitual bom desempenho da RockShox SID SL Ultimate. Como esta Prorace é uma opção para o XC puro e duro, o curso é de apenas 100 mm. E chega, sinceramente, além de que a leitura do terreno é boa e o amortecimento não nos falha em situação alguma.

Pena é que este modelo não apresenta um sistema que tenho um ponto de bloqueio intermédio como vemos noutras soluções do género. Utilizando o bloqueio remoto no lado esquerdo do guiador, ou levamos a suspensão bloqueada a 100% ou totalmente desbloqueada, com os 100 mm de curso disponíveis na totalidade.

Transmissão que não falha

As BTTs topo de gama estão quase todas equipadas com transmissões eletrónicas AXS da Sram, conjuntos que estão muito bem conseguidos, como sabemos. Neste caso, com o grupo X01 Eagle AXS de 12x, estamos bem servidos, isso é certo.

Fluidez, rapidez, silêncio, fiabilidade. As mudanças não falham, apesar de sabermos que estas transmissões são como as demais, como as mecânicas: basta um ligeiro toque ou impacto no desviador e começa a “desafinação”. Mas até isso acontecer, nada falha.  

Quando às relações selecionadas para esta versão, à frente, no pedaleiro (que é também Sram X1 e em carbono, uma maravilha…), temos um prato 34t. Está adequado ao tip ode utilizador típico das hardtail neste segmento. A combinar com isso, a cassete também Sram X1, a versão XG1295 Eagle 10-52t, a mais leve da gama. 

Quanto aos travões, também são Sram, são os Level TLM com disco de 180 mm à frente e 160 mm. Preferimos uns bons Shimano XTR, confessamos, mas a verdade é que nesta Lapierre nunca nos faltou poder de travagem, este conjunto cumpre muito bem a sua missão, apesar de se mostrarem demasiado “esponjosos” nalgumas situações.

A nossa avaliação

As alterações feitas ao quadro nesta geração de 2023 da Prorace torna a geometria mais apurada e a bicicleta mais confortável, ao mesmo tempo que a torna uma grande “máquina” de subir nos trilhos. Escoras mais curtas, posição adequada, proteção na escora do lado da corrente, proteção de silicone no top tube para precaver toques do guiador no carbono…

Esteticamente, apenas mudaríamos o cockpit, e isso porque neste patamar de preços encontramos na concorrência modelos muito bem conseguidos nesta secção da bicicleta, com sistemas de guiador e avanço integrados em carbono.

Aqui também há carbono “com fartura”, mas sentimos pouca integração, gostaríamos de ver aqui um cockpit mais “polido”, mais exclusivo, mais à imagem do preço total da bicicleta.

Também mudaríamos o selim Fizik Taiga e os punhos que estão instalados de origem. E talvez na primeira revisão trocaríamos o pneu de trás para 2.25, apesar de os Maxxis Rekon Race EXO TR 2.35 presentes se portarem muito bem.

De resto, das rodas à transmissão eletrónica, tudo nesta Lapierre mostra que a série Prorace CF está cada vez melhor no mundo das BTTs hardtail. Se a versão de 2024 seguir estes índices de evolução, a concorrência em geral que se cuide!

Ficha técnica da Lapierre Prorace CF 9.9 2023:

Quadro: New Prorace 29″ em carbono // Travões: Sram Level TLM (discos de 180 e 160 mm à frente e atrás, respetivamente) // Suspensão: RockShox SID SL Ultimate 100 mm // Guiador: FSA SLK Carbon Flat 740 mm // Manípulo transmissão: Sram GX AXS Eagle // Avanço: Lapierre 7050 Alloy 3D // Selim: Fizik Taiga Black // Espigão: Lapierre Alloy // Rodas: Lapierre Carbon XC SL 29” Boost XD // Pneus: Maxxis Rekon Race EXO TR 29×2.35 120 TPI 3C MaxTerra// Transmissão: Sram X01 Eagle 12x // Desviador: Sram X01 Eagle AXS 12x // Pedaleiro: Sram X1 carbon Eagle 34t // Cassete: Sram XG1295 Eagle 10-52t 12x // Peso: 9,270 kg (peso GoRide) // Preço: 6.699 euros

Site oficial:

Todas as fotos (clica/toca para aumentar):

Pormenores (clica/toca para aumentar):

Neste teste:

  • Texto: Jorge D. Lopes
  • Fotos e vídeo: Jorge D. Lopes e Nuno Margaça
  • Rider em ação: Nuno Granadas

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