Quase dez anos depois, José Gonçalves está de regresso ao pelotão nacional, um passo que já planeava dar na carreira, mas que antecipou após duas épocas menos felizes na Delko.

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Entrou na equipa que não hesita em apelidar como a melhor de Portugal, confiante tanto nas oportunidades que terá para ser líder, como na importância que terá em trabalhar para ajudar a W52-FC Porto em alcançar os seus objetivos. Pessoalmente tem um sonho a concretizar que, garante, não cria qualquer problema com um companheiro.

José Gonçalves saiu em 2013 para a francesa La Pomme Marseille. Passou pela Caja Rural antes de conseguir o ambicionado salto para o World Tour, representando a Katusha-Alpecin entre 2017 e 2019. Não surpreendeu que tivesse chegado ao mais alto nível, pois no palmarés levava uma Volta à Turquia e excelentes exibições na Volta a Espanha, por exemplo.

Já na Katusha-Alpecin, conquistou o Ster ZLM, fez uma grande prestação na Strade Bianche em 2017, esteve nas três grandes voltas, ficando perto de um top dez no Giro, além de ter tentado ganhar etapas. Agora que regressou a Portugal, garante que não sente que poderia estar ainda noutro nível, apesar de admitir: “Quando vejo as corridas na televisão penso que poderia estar ali… Mas não estou. Há que virar a página. Agora é outra fase, outra época. Isso já passou e posso dizer que vivi esses momentos”.

Estes últimos dois anos foram complicados na equipa francesa. Depois disso é difícil encontrar equipas lá fora.

Os últimos dois anos na ProTeam francesa Delko (a antiga La Pomme Marseille) foram longe de ser o que ambicionava, mas não quis falar muito sobre o que aconteceu. “É complicado. São coisas dos dirigentes das equipas, diretores desportivos… Aconteceu… Não me levavam às corridas… Depois desmotivei um pouco. Andava a treinar e chegava ao fim, não me levavam às corridas. Ligavam-te dois ou três dias antes: ‘Anda à corrida’. Isso não é assim”, contou ao GoRide.pt.

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Regressar ao país de origem já estava nos planos, mas a decisão foi antecipada: “Já pensava no regresso. Talvez tenha acontecido mais cedo um ano. Mas o importante é estar aqui, numa grande equipa. Vim para a melhor equipa nacional”.

E acrescentou: “Estes últimos dois anos foram complicados na equipa francesa. Depois disso é difícil encontrar equipas lá fora. Com 33 anos já pensava em voltar para Portugal e regressei para a equipa mais forte atualmente”.

Recuperar a confiança e ser campeão nacional

Na W52-FC Porto, José Gonçalves diz sentir-se feliz, completamente integrado e assegura que o facto de ser uma equipa com vários ciclistas com capacidade de liderança, tal não prejudica o ambiente que diz ser bom entre todos.

Competitividade (e qualidade) na W52-FC Porto não falta. Entre vencedores da Volta a Portugal, ciclistas que somam triunfos também noutras provas, jovens talentosos a querer despontar, na equipa o difícil é escolher quem é o líder. “O ambiente é mais tranquilo do que lá fora, nas equipas estrangeiras. Sinto-me melhor aqui”, frisou José Gonçalves.

Assinar por esta equipa fez com que recuperasse a confiança e está motivado em mostrar o que tem para dar. Começa por falar em ajudar a W52-FC Porto, mas não esconde o desejo que tem em ser campeão nacional. Soma dois títulos em contrarrelógio, mas falta-lhe o da prova em linha. “É um dos meus principais objetivos”, afirmou.

Quando deixei era dos mais novos, um miúdo. Agora regresso e sou dos mais velhos! A diferença é que há mais miúdos que não conheço.

Quando foi apresentado como reforço para 2022, Gonçalves não escondeu este seu desejo. Porém, o atual campeão nacional é o companheiro de equipa José Neves. Será que não cria uma rivalidade interna? “Não. Desde que fique dentro da equipa, está tudo bem”, garantiu.

Dado o seu historial em corridas por etapas, a Volta a Portugal poderia ser um objetivo legítimo. Porém, José Gonçalves afasta essa possibilidade. O plano passa por de facto ser chamado para a corrida, mas não como líder. No entanto, espera que possa surgir a oportunidade de lutar por mais uma vitória de etapa.

Saiu ‘um miúdo’ regressou um veterano

Desafiado a comparar o pelotão nacional quando o deixou, em 2012 e agora que está de volta, José Gonçalves começou por brincar um pouco: “É diferente. Quando deixei era dos mais novos, um miúdo. Agora regresso e sou dos mais velhos! A diferença é que há mais miúdos que não conheço. Sinto-me um veterano!”.

Contudo, acaba por dizer: “Há mais equipas, mas acho que a qualidade diminuiu um pouco, nos miúdos principalmente.” Mas este “veterano”, como se considera, salientou que não se importa em ajudar os mais novos a evoluírem, dada a sua experiência ao mais alto nível pronta a ser partilhada.

Faz tudo parte da nova fase da carreira que vive e que referiu como não tendo sido um passo atrás, mas sim um passo que já ambicionava dar, seguindo assim o exemplo de outros ciclistas que depois de uma carreira internacional de sucesso, regressaram “a casa” com a ambição de continuar a somar bons resultados.

José Gonçalves tem sido dos ciclistas que mais tem corrido pela W52-FC Porto na temporada e prepara-se para mais uma prova. Está entre os eleitos para o Grande Prémio O Jogo – que se realiza entre sábado e segunda-feira, juntamente com Joni Brandão, Daniel Mestre, Ricardo Vilela, Rui Vinhas, João Rodrigues e José Neves.


Imagens: João Fonseca Photographer

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Elisabete Silva
Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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