“O Alvalade-Porto Côvo é só estradões, não tem graça”. Falso. É verdade que grande parte do percurso é composta por estradas agrícolas e caminhos rurais largos e planos, mas a edição deste ano supreendeu-nos bastante com a adição de mais um ou outro single track na parte final do percurso antes de Porto Côvo, da mesma forma que o regresso a alvalade também conta com sectores com estas características.

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“O Alvalade-Porto Côvo é só pó, não tem graça!”. Verdadeiro. É verdade não a parte de não ter graça, pois aí vai do gosto de cada um, mas é um facto que, não chovendo, há muito pó no ar ao longo de todo o caminho, libertado à passagem das bicicletas, claro.

A cobrir a pele, no final, temos a inevitável camada seca e composta por restos de pó, terra, suor e protetor solar. Mas não faz isto parte da essência deste “passeio” por estas bandas alentejanas?

Achamos que sim. Nesta 23ª edição do Alvalade-Porto Côvo, que aconteceu nestas localidades mais a sul do país no domingo passado, a equipa GoRide.pt dividiu-se: uma malta a fazer apenas o percurso de ida, que deu qualquer coisa como 72 km e 860 D+ de acumulado, e outra malta a fazer ida e volta até chegar de novo a Alvalade do Sado, tendo até como companhia o nosso caro amigo Marco Chagas, que desta vez participou com uma bicicleta de gravel.

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E, novamente, a organização deste mítico evento não desiludiu ninguém, a cargo do BTT Alvaladense, temos a certeza. Foram mais de 2.600 os participantes alinhados à partida, pelas 9 horas, com uma imagem aérea que causa sempre algum impacto junto de quem não conhecia ainda este acontecimento anual.

Do nosso lado, podemos assegurar que a organização da prova continua “em boa forma”, apesar de serem já mais de duas décadas a “montar” esta verdadeira festa do BTT. Refira-se que há em opção percorrer os 70 km entre Alvalade e Porto Côvo, ou 120 km para quem deseja depois regressar ao ponto de partida (foram 800 os participantes que assim o fizeram).

Muito convívio à partida e ao longo do caminho, isso é certo, e pelo que vivemos e testemunhámos. O terreno, sempre muito seco e empoeirado, esteve este ano na mesma linha que noutros anos, e permitindo que cada um possa impor o seu ritmo e aproveitar ao máximo a volta.

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Também como noutras edições, é de louvar o apoio mútuo e espírito de entreajuda que se nota entre participantes nos trilhos, que são muito rápidos até ao abastecimento principal do evento. Muitas avarias e furos, como sempre, e é aí que notamos este ambiente de amizade em torno do desporto.

Ponto mais alto do Alvalade-Porto Côvo? Diríamos a chegada a Porto Côvo (já lá vamos…), mas igualmente fantástico é aquilo que se pode viver ao km 42 do percurso: o famoso abastecimento do camião, o abastecimento da barragem de Campilhas, que cada vez mais acusa a falta de água que aflige Portugal.

Um “serpentear” de atletas tanto a chegar como a sair, familiares e amigos que ali aguardam pelos participantes, muitos voluntários a ajudar na alimentação e hidratação, o já referido camião com a lona do evento. Inconfundível e inesquecível para todos, participem apenas um vez por acaso ou regularmente, todos os anos.

Ah, e não esquecer o “arco” de entrada no abastecimento, em que duas “personagens” já habituais, com pouca roupa vestida e bem “mascarados”, “teimam” em molhar à mangueirada quem vai passando… Em suma, neste ponto do evento, são centenas de pessoas “em festa”, uma mancha colorida que se vê muito bem ao longe!

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A partir daqui e até perto de Porto Côvo podemos dizer que vão chegando os trilhos mais técnicos e mais exigentes do percurso, isto sem nunca chegar a haver grande dificuldade técnica, refira-se. Há mais “sobe e desce”, há a passagem pela Serra do Cercal, que acumula um pouco de altimetria, há uma boa mão-cheia de singletracks de boa envolvência e bastante divertidos.

Depois, já muito perto da praia, os caminhos voltam a “abrir” mais um pouco a serem mais rápidos, com mais areia também, e entramos na aproximação à chegada, isto para quem fica em Porto Côvo. No último km, começamos por molhar os pneus na curta língua de água salgada no porto de abrigo local e temos depois a honra de ter de subir a inclinada rampa de acesso à vila, com muita gente de um lado e do outro a “puxar”. Uma boa sensação!

Os metros finais são depois já nas ruas sem trânsito de Porto Côvo, com a festa lá à frente. Para quem continua de regresso ao ponto de partida, contudo, a “festa” é outra: são mais 50 km em que a dificuldade técnica sobre ligeiramente, até porque o acumulado final supera os 1.100 D+.

Nesta edição tivemos mesmo uma “surpresa” que não é normal nesta altura do ano: uns bons pingos de chuva. Ajudaram a reduzir o pó que é levantado nos trilhos, é verdade, mas também “chatearam” um pouco, visto que em certa altura, muito curta, contudo, choveu com alguma intensidade.

E o regresso a Alvalado do Sado lá aconteceu, concluindo mais uma participação bastante divertida e ritmada no Alvalade Porto Côvo. Uma prova (apesar de não haver classificação e/ou cronometragem de tempos, chamamos-lhe prova) que é quase “obrigatória” para quem gosta do convívio no BTT.

Infelizmente, este ano ocorreu um trágico momento durante o Alvalade-Porto Côvo, com o falecimento de um dos participantes. O GoRide.pt endereça sentidas condolências à respetiva família e amigos…

Reportagem em vídeo do BTT TV:

23 Raid Alvalade-Porto Covo

Mais info:

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Imagens: GoRide.pt / Facebook  BTT Alvaladense

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