Em 2023, Tomas Contte não quis estar à espera do final da temporada para vencer. Nem o argentino, nem a Aviludo-Louletano-Loulé Concelho. O ciclista ambicionava começar forte a época e foi à Clássica de Santo Thyrso dar a primeira vitória a Américo Silva, o novo diretor desportivo da equipa algarvia.

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Ainda há poucos meses, Contte contava ao GoRide o difícil ano de 2022. Só já na reta final, no Grande Prémio JN, tanto o ciclista como a equipa conseguiram somar vitórias. O desejo era então iniciar esta senda bem mais cedo na temporada.

“No início do ano fiz um estágio na Argentina para começar bem a época. Entrei bem na temporada. Na Prova de Abertura [Região de Aveiro] já me tinha sentido bem e estou feliz por ter a primeira vitória do ano aqui [em Santo Tirso]”, salientou ao GoRide.

Em ano de centenário do Louletano, o triunfo ganha contornos mais especiais, ao que ainda acresce a corrida ser uma primeira edição. A Clássica de Santo Thyrso é uma estreia no calendário nacional e não foi nada fácil. Não só pelo percurso de sobe e desce constante, mas também pela chuva que foi marcando presença. Nos últimos quilómetros caiu ainda com mais intensidade em Santo Tirso.

“Foi um final duro! Com a chuva foi ainda mais interessante. Era a chuva forte… Depois ainda com o piso em paralelo, que tem os seus pormenores”, disse um muito feliz ciclista argentino.

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“Foi uma corrida nervosa por causa da chuva e também por causa da fuga com muitos corredores. Não era fácil controlar. A Efapel Cycling foi controlando, mas nos quilómetros finais começou tudo a partir. Foi um trabalho perfeito dos meus colegas para se conseguir a primeira vitória do ano”, explicou.

Nos 300 metros finais – em paralelo e com a meta em subida -, Contte conseguiu ganhar vantagem, conseguindo sprintar à frente de Fábio Costa (Glassdrive-Q8-Anicolor). Mostrou mais uma vez ser um ciclista que pode dar muitas alegrias à Aviludo-Louletano-Loulé Concelho, naquela que é a sua terceira temporada na equipa.

Américo Silva está de regresso ao pelotão como diretor desportivo e Contte não poupou elogios: “Está a ser tudo perfeito. O Américo é um diretor muito bom, mas também muito boa pessoa e quando é assim as coisas correm da melhor maneira.”

Conquistada a primeira vitória logo em março, agora o argentino, de 24 anos, só pensa numa coisa: alcançar mais triunfos!

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Filme da corrida

Logo pela manhã as previsões meteorológicas confirmaram-se em pleno. Os 144,4 quilómetros da primeira edição da Clássica de Santo Thyrso – que nasceu com o objetivo de homenagear José Pacheco, o único tirsense a vencer a Volta a Portugal (1962) – iam ficar marcados pela chuva.

Dez ciclistas formaram a fuga do dia após a partida na Vila das Aves: Fábio Oliveira (ABTF Betão-Feirense), Rúben Simão (AP Hotels & Resorts-Tavira-SC Farense), Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano-Loulé Concelho), Alexandre Montez e Rodrigo Caixas (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car), Francisco Guerreiro (Efapel Cycling), Frederico Figueiredo (Glassdrive-Q8-Anicolor), Luís Gomes (Kelly-Simoldes-UDO), César Fonte (Rádio Popular-Paredes-Boavista) e Gonçalo Amado (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua).

Com todas as equipas Continentais portuguesas representadas, não significou que o pelotão deixasse aumentar muito a vantagem. Mesmo com um corredor na frente, a Efapel Cycling controlou as operações, com a Glassdrive-Q8-Anicolor atenta. Na primeira de quatro passagens pela meta, os 3:05 minutos deixavam antever que o grupo teria dificuldades em discutir a vitória.

As quatro passagens na subida de Refojos eram as mais complicadas do percurso, sendo Prémio de Montanha. Logo na segunda “volta” a união dos ciclistas da fuga terminou.

Na segunda vez que que atravessaram Santo Tirso, Fábio Oliveira, Rodrigo Caixas e Luís Gomes tentaram ganhar vantagem. A diferença para o pelotão era de 3:10. À terceira passagem, o trio já só tinha 45 segundos a separá-lo de um grupo que já não era bem pelotão, pois também tinha começado a “partir-se”.

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Mauricio Moreira (Glassdrive-Q8-Anicolor), vencedor da última Volta a Portugal, liderava então a perseguição, sendo a vez da Efapel Cycling de estar atenta logo atrás. Nos derradeiros quilómetros, Luís Gomes ainda tentou a sua sorte, mas a fuga foi mesmo anulada.

Nos 300 metros finais, Contte acelerou para deixar um Fábio Costa muito frustrado na meta ao ter ficado tão perto de uma vitória, ele que tem sido um gregário de valor na Glassdrive-Q8-Anicolor. O colombiano Adrián Bustamante (Kelly-Simoldes-UDO) foi terceiro.

Nas restantes classificações, Rodrigo Caixas (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car) foi o melhor na montanha e Fábio Oliveira (ABTF Betão-Feirense) venceu a geral das metas volantes, tirando ambos assim partido da presença na fuga para garantir um lugar no pódio. Pedro Silva (Glassdrive-Q8-Anicolor) foi o melhor jovem e a sua equipa venceu coletivamente.

O calendário em Portugal prossegue já no próximo domingo com a Clássica da Primavera, competição que contará para a Taça de Portugal, cuja primeira corrida foi a Prova de Abertura Região de Aveiro, no início de fevereiro.

Classificações:

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Fotografias: João Fonseca Photographer/Federação Portuguesa de Ciclismo

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