Sim, é verdade: já tivemos o privilégio de experimentar a nova “jóia” desta marca para aquilo a que se chama de downcountry! Falamos da emocionante Canyon Lux Trail, neste caso a versão CF 7 referente a 2022.

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E deixamos desde já a ressalva que não se trata da versão topo de gama, já que acima da CF 7 ainda está a CF 8 e a CF 9 Emily Batty. E daqui tiramos algumas ilações: se há uma versão especial pensada para esta atleta norte-americana em destaque na Taça do Mundo de XCO e na equipa da Canyon, é porque a Lux Trail, apesar do nome, dá para percorrer trilhos de vários tipos. Mas já lá vamos…

Antes temos de apresentar um pouco de “literatura” sobre o aparecimento desta bicicleta no portfólio da marca… O quadro deriva do que encontramos na Lux CF, um modelo Canyon de XC “puro”, que apresenta um carácter muito competitivo e reativo.

Primeiro porque esta se destaca pela leveza. O quadro em fibra de carbono CF fica pelos 1.905 gramas, mesmo não sendo tão leve quanto poderia ser caso se utilizasse a liga CF SLX. Como aponta ao downcountry e ao trial, não é preciso mais leve.

Depois, a geometria. Aqui há um “descolar” claro do modelo de XC, com um aumento do curso das suspensões (esta Trail tem 120 mm à frente e 100 mm atrás, a Lux tem 100 mm em ambos os eixos) que não ainda assim não afeta a boa reação da bike.

As escoras de 435 mm são as mesmas da Lux, compondo um triângulo posterior compacto e ágil.

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Outros pontos foram modificados, contudo, para que a bicicleta fosse mais “amiga” das descidas, trazendo confiança extra ao rider. O ângulo da direção passou para 67,5 graus (69,5 graus na Lux de XC) e a distância entre eixos é aqui de 1.176 mm no tamanho M, enquanto na Lux é de 1.129 mm.

Componentes principais

Outras diferenças entre a Lux Trail e a Lux? O essencial foi conseguido: dar um comportamento mais seguro nas descidas a este modelo sem se perder o espírito competitivo de uma bike de XC. Para tal, além das suspensões com mais curso, encontramos um guiador mais largo (760 mm), pneus com mais tração e mais largos (2,40”) e espigão telescópico em todas as versões (100 mm).

Aliás, com a chegada desta Lux Trail 2022, as Lux deste ano deixam de contar com este componente. Neste caso específico da CF 7, diga-se que a bicicleta está equipada com tudo o que é preciso para umas boas voltas pela montanha, mesmo as mais exigentes em termos de trilhos técnicos, descidas e subidas. O preço de 4.449 euros adequa-se, de certa forma, tirando um ponto ou outro de que falamos mais à frente.

A Lux Trail também se mostra rápida em trilhos e estradões mais rolantes…

E o “arsenal” está bem composto:

  • Suspensões Fox (à frente uma 34 SC Performance Elite e atrás um amortecedor DPS Performance Elite, ambos com comando remoto no guiador, algo que existe também para o espigão Fox Transfer Performance.
  • Transmissão full Shimano XT (pedaleiro 34t e cassete 10-51t) e ainda travões M8100 de dois pistãos.
  • Rodas com um belo equilíbrio entre rigidez e peso, as DT Swiss XRC 1700 de 30 mm de largura. Em carbono e capazes de nos acelerar bastante bem tanto em terrenos abertos como em partes que requerem técnica.

Como se comporta?

Não fizemos bike fit para este tamanho M, mas o nosso corpo encaixou bem, parecia mesmo que já andávamos nesta bike há muito tempo. A “testa” e a direção mais elevada que na Lux deixa-nos levar uma postura mais natural que, com o passar das horas, começa a fazer a diferença no conforto.

Ao entrarmos nos trilhos mais técnicos e com pedras e regos, forçámos o andamento. Nas primeiras subidas técnicas, muito inclinadas, não acusamos o peso (12,3 kgs com pedais) nem a falta de um prato de 32 dentes; este de 34t está muito bem para este tipo de configuração.

A posição quando sentados (ângulo de 74,5 graus) deixa-nos bem centrados e faz com que não seja preciso uma grande “ginástica” naquelas situações em que a roda traseira começa a perder tração. Neste momento já notávamos as rodas a dar uma boa ajuda na progressão a bom ritmo.

Mais ‘amiga’ das descidas!

Atacamos então umas descidas técnicas para comprovar toda esta “conversa” mais teórica… Pedras soltas, regos, alguns drops ligeiros, um regato. Impecável no comportamento a todos os níveis, especialmente na forma como as suspensões conseguem ler o terreno e a ajudar a “voar” sobre os obstáculos.

Parámos ao fundo e decidimos voltar para trás para testar o comportamento a subir num percurso assim exigente. A roda traseira começa a perder tração por momento, mas o triângulo traseiro compensa e faz-nos avançar com facilidade caso se mantenha uma pedalada constante.

O guiador mais largo dá controlo. Sentimos que descemos mais rápido? Sem dúvida que sim. Mas também acreditamos que uma Lux no mesmo trilho e numas mãos mais “habilidosas” que as nossas possa descer à mesma velocidade…

O que notamos de potencialmente diferente é a segurança e a confiança. Ou seja, utilizadores mais intermédios e menos experientes vão sentir mais facilidade a descer em terrenos complicados, certamente. 

A roda da frente é colocada onde queremos sem problemas e sente-se a ajuda dos pneus de 2,40” a proporcionarem aquela tração extra que por vezes é indispensável para não esbarrar e ter de desmontar.

Nos saltos, o amortecimento traseiro é um pouco mais “seco” que o frontal, mas isto é algo que não traz inconveniente. Até porque os cursos das suspensões estão corretos para o tipo de uso a dar a esta Canyon Lux Trail. Pode ser preciso algum ajuste das mesmas em função de cada gosto pessoal.

Exemplo: na suspensão frontal começámos com um Sag de 25%, mais do que é habitual numa XC. Mas aos poucos fomos ajustando para 20% e sentimos que se desce com mais comodidade.

Pelo contrário, e apesar de normalmente gostarmos do desempenho do sistema de travagem XT, notámos alguma falta de eficácia no travão da frente (mesmo depois de revermos toda a afinação). Como estamos a estrear esta unidade da Lux Trail, pode ser que “vá ao sítio” com o somar de mais kms… O travão de trás, por seu turno, está a funcionar na perfeição.

‘Pormenores’ que são top…

A Canyon Lux Trail CF7 está recheada de detalhes que nos tornam a vida mais fácil em ciam da bicicleta. Um exemplo disso mesmo é o sistema Impact Protect Unit, que evita que o guiador golpeie o quadro no extremo da viragem, o sistema de aperto da roda traseira, as proteções do quadro nas escoras e por baixo do downtube, o espaço para dois bidons de 750 ml, a guia de corrente muito pequena…

A lista não acaba, basta consultar a lista de especificações mais baixo para conferir tudo, com especial destaque para o selim Selle Italia SLS Boost (cómod q.b., dando liberdade de movimentos) e para o já referido guiador de 760 mm, mas do que suficiente para uma downcountry. Podemos olhar ainda com mais atenção para os cinco pontos seguintes.

Alguns destaques:

Espigão telescópico

É o Fox Transfer Performance, de funcionamento suave e com 100 mm, o que é mais do que suficiente. Relembramos que não é uma bike de enduro, esta…

Bloqueio das suspensões

Intuitivo, como sempre. Mas nem sempre é fácil selecionar a posição intermédia. E a extrema sensibilidade do “botão” de desbloqueio dá a sensação de que o bloqueio vai “saltar” a qualquer momento.

Grupo Shimano XT

A transmissão Shimano XT 1x12 com cassete 10x51t e prato 34t é fluida e está adequada a esta configuração. Ter um prato 32t seria mais correto para o caso de as nossas voltas serem muito duras todas as semanas, mas numa bike de downcountry é isto que se pede.

Pneus eficazes

O Schwalbe Wicked Will TLE EVO de 2,40″ à frente dá muita tração e o Racing Ralph TLE EVO 2,35″ atrás também se porta bem, apesar de certamente ter uma vida útil mais curta caso os nossos trilhos tiverem muitas pedras. Não escorregam em demasia nas pedras húmidas.

A nossa avaliação

Admitimos que gostamos muito desta Canyon Lux Trail CF 7 2022. É uma “máquina” para tudo, para todos os tipos de voltas que costumamos dar no nosso dia a dia em torno da bicicleta de BTT.

Um modelo que não pretende equiparar-se aos de enduro, mas que nos pode muito bem levar a trilhos de trail e all mountain sem problema, e com um comportamento muito melhor do que seria de imaginar.

A intenção é clara: ir um pouco mais além do que o XC. Consegue. E dizemos mais, pois, se não somos profissionais do BTT que precisam de poupar cada grama possível e cada segundo possível nas voltas ao circuito, então esta Lux Trail talvez seja até mais recomendável do que a sua “irmã” destinada ao XC “puro”, a Canyon Lux.

Esta Lux Trail talvez seja até mais recomendável do que a sua “irmã” destinada ao XC “puro”, a Canyon Lux.

Por fim, uma nota em particular para o preço, que nos parece justo. Mas mais difícil de justificar é a diferença de valor para com a Lux “normal” de XC referida acima, pois as diferenças são pouco mais do que a suspensão frontal (aqui é uma Fox 34 e não uma 32) e a adição de um espição de selim telescópico.

Pontos mais positivos

  • O sistema de suspensão traseiro, protagonizado pelo amortecedor Fox DPS Performance 110 mm. Está perfeitamente integrado na geometria do quadro e a relação entre este elemento, o amortecimento e as escoras está muito bem desenhado. É força da pedalada diretamente na roda.
  • Todo o design da bike enquanto um todo está fantástico. Isto a juntar a pormenores que acrescentam muito valor. Exemplos: o espigão telescópico de série, a guia de corrente muito compacta, a engenharia de todo o cockpit…
  • O leque de utilização muito alargado, pois é uma bicicleta daquilo a que agora se chama de downcountry mas que faz XC e até pode “morder” uns trilhos de trail ou all mountain.

Pontos a melhorar

  • O controlo no guiador das suspensões. Está longe de ser perfeito e é facilmente suscetível a desafinações.
  • Os travões: nesta gama de preço seria mais equilibrado encontrarmos aqui uns XTR. Talvez o mesmo para a transmissão?
  • O peso. Este não é, contudo, um ponto negativo, pois comprando um modelo mais acima na gama conseguimos uma bike mais leve. Mas pelo preço é verdade que podia ser um “nadinha” mais leve, mesmo tendo em conta que esta é uma bicicleta de downcountry e não de XC.

Especificações da Canyon Lux Trail CF 7:

  • Quadro: Fibra de Carbono CF
  • Amortecedor: Fox DPS Performance 110 mm
  • Suspensão: Fox 34 SC Performance Elite 120 mm
  • Manípulo: Shimano XT
  • Desviador traseiro: Shimano XT 12x
  • Pedaleiro: Shimano XT 34t
  • Cassete: Shimano XT 10-51t
  • Travões: Shimano XT M8100 2 pistãos (180 e 160 mm)
  • Rodas: DT Swiss XRC1700 Carbon 30 mm
  • Pneu frente: Schwalbe Wicked Will TLE EVO 2,40″
  • Pneu trás: Schwalbe Racing Ralph TLE EVO 2,35″
  • Selim: Selle Italia SLS Boost
  • Espigão telescópico: Fox Transfer SL Performance 100 mm
  • Guiador: Race Face Ride 760 mm
  • Peso: 12,3 kg (tamanho M, com pedais e duas grades de bidon)
  • Preço: 4.449 euros

Site oficial:

Todas as fotos:

Galeria de pormenores:

Neste teste:

  • Texto: José Escotto e Jorge D. Lopes
  • Fotos e vídeo: José Escotto
  • Rider: José Escotto

Vídeo oficial da marca:

Introducing the new Lux Trail | Go Further. Go Faster.

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José Escotto
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