Apenas 1.950 gramas: é este o peso do quadro em carbono E-CL, fabricado através do sistema HCIM (Hollow Core Internal Molding) da marca, desta emocionante BH Lynx Race Evo Carbon 9.5. E isto incluindo o amortecedor traseiro e integrando o sistema Split Pivot, já nosso “velho conhecido”.

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Confessamos que não pesámos oficialmente a bicicleta, mas esta não estará acima dos 10 kg, se não considerarmos os pedais. Mas porque falamos primeiro do peso? Porque, a este nível de qualidade, é um dos aspetos mais importantes. E porque é o que mais nos impressiona neste modelo de XC de competição, sendo a base a mesma que levou o espanhol David Valero Serrano ao bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio este verão.

Competição essa que, sendo a “vocação” principal desta BH, faz com que a marca a tenha equipado com tudo o que existe de melhor, ficando apenas um patamar abaixo da versão 9.9, que inclui a transmissão eletrónica de topo da Sram.

Além disso, há pormenores que lhe roubam versatilidade em prol da velocidade… Exemplo: o espaço para um bidon apenas (e dos pequenos…) é algo que vemos como menos positivo, é certo, mas numa corrida é “normal”. Quantas vezes os atletas de XCO pegam num bidon, dão dois goles apenas e o deitam fora logo a seguir? Mas comecemos pelo princípio…

A consistência do Split Pivot

Todo o sistema de suspensão traseira da BH Lynx Race Evo Carbon está pensado ao pormenor para minimizar o possível efeito (negativo) da pedalada e da travagem no amortecimento, algo que se nota em cima da bicicleta e na mais plena das subidas técnicas.

As diferenças face à geração de 2020 estão à vista, literalmente: nesta versão há 100 mm de curso no Fox DPS Evol SV Kashima Remote Lock (há uma com 120 mm, a LT); o link do amortecedor “trabalha” no tubo do selim e não no top tube; o Split Pivot é um eixo concêntrico colocado entre as escoras e a roda traseira; e ainda há um sistema de eixo instalado na parte inferior do quadro.

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Engenhoso. Eficaz. Transmite sensações muito boas e, com as suspensões bloqueadas, toda a rigidez favorece a velocidade. Há uma ajuda das rodas na absorção do que há de irregular no terreno, não fossem elas uma opção que já conhecemos de outros modelos e que dão garantias.

As rodas são as BH Evo Carbon Tubeless de 30 mm, em carbono.

Passam em todos os testes, leves q.b., com uma boa ajuda dos pneus Maxxis Rekon Race 2.40, uma escolha “normal”.

Cockpit simples, mais controlo

Como antes referimos no nosso artigo de hands-on desta BH de XC, todo o conjunto que compõe a direção da bicicleta está bem conseguido, pelo menos tendo em conta o nosso gosto pessoal em modelos deste género. E a começar por três pontos muito interessantes…

Um deles é o bloqueio de rotação do guiador, neste caso o sistema Acro Block Lock. O que faz? Em caso de queda ou sobreviragem, as extremidades do guiador não batem no quadro, não danificam o carbono.

Outro ponto é a integração da ferramenta FIT (Fast Intervention Tool): a caixa de direção junto ao avanço é “oca”, pois alberga este kit composto por chaves Allen (da 2,5 à 6), T25, descravador de corrente, elo rápido e adaptador para botija de CO2.

Além disto, a caixa de direção Lynx Race EVO By Acros tem na parte inferior um novo sistema de passagem direta dos cabos diretamente para o interior do quadro. Esteticamente adequado e a combinar muito bem com o guiador de 760 mm, largo o suficiente para dar controlo extra nos trilhos.

Gostamos desta característica em particular e não nos queixamos ao nível da performance, isso é certo, até porque é neste sector que também notamos que a suspensão Fox 32 SC Factory Remote Lock de 100 mm “processa” muito bem o que o percurso nos traz.

Apenas substituiríamos os punhos por um modelo à base de silicone, ao passo que manteríamos o selim da Prologo, um Scratch M5 Nack, por ser curto e largo, contribuindo para uma boa posição de ataque em cima da BH Lynx Race Evo Carbon.

Por outro lado, sabemos que pode estar para breve uma alteração no sistema de aperto do espigão de selim nestas bikes de XC da BH; ou seja, nos modelos de 2022, que serão lançado em breve.

Espigão telescópico? Não tem. Podia ter, sim, tendo em conta o preço e mesmo que isso implicasse uns gramas a mais no peso total da bicicleta. Um extra a incluir caso o destino desta bike seja a competição…

Shimano XTR sempre ‘às ordens’!

Para encerrar a “conversa”, e não querendo estar sempre a repetir a mesma coisa, é bom poder contar com a fiabilidade de todo um conjunto de tecnologia Shimano XTR, isto no grupo de transmissão e na travagem.

Não temos aqui a maravilha da eletrónica do sistema Sram AXS que equipa o modelo logo acima na gama, mas temos muita fluidez na transição entre velocidades e a leveza máxima entre os componentes de transmissão da marca japonesa.

Pelo menos deram zero problemas ao longo das mais de oito semanas com que andámos com esta “viciante” BH Lynx Race Evo Carbon. E foram mais de 1.000 kms percorridos quase sem “tocar” em asfalto!

Alguns destaques:

Split Pivot

Na imagem abaixo vemos a parte do sistema no sector inferior do quadro. Há um outro eixo concêntrico nas pontas das escoras, entre estas e a roda traseira.

34 dentes

Um pedaleiro Shimano XTR MT900 de 34t. Sim, é a escolha certa para este tipo de bicicleta e cobre a maior parte das situações de corrida e/ou volta de fim de semana.

Para quem stá um bocadinho menos em forma (é o nosso caso!), recomendar-se-ia um prato 32t. Ainda assim preferimos este!

Pneus até 2.4

A marca refere que este é o clearance máximo. Acreditamos, pois os Maxxis que vêm de origem são 2.4 e parecem estar mesmo no limite do espaço. Vai haver problemas quando chegarem os terrenos enlameados…

Direção integrada

Pela imagem abaixo vemos bem como toda a parte da frente da bike funciona bem ao nível da estética. E também traz controlo e funcionalidade.

Selim de ‘nariz’ curto

O Prologo Scratch M5 Nack satisfaz. Mas o selim é sempre uma questão de gosto pessoal, certo? Podemos sempre substitui-lo pelo nosso modelo preferido.

A nossa avaliação

Apesar de não ser perfeita, esta BH é uma maravilha entre as bikes de suspensão total que estão habituadas aos circuitos profissionais de XCO. Foi lá que nasceu e foi com uma “derivação” deste modelo que chegou a uma medalha olímpica. E isso tem sempre de ser tido em conta.

Está muito bem equipada, apresenta a leveza que precisamos no terreno (e que o elevado preço deixa antever…) e ainda se revela esteticamente atrativa, sem esquecer aqui toda a estrutura e engenharia do sistema de amortecimento traseiro da BH.

Há modelos concorrentes ao mesmo preço que garantem performance idêntica, mas, se a escolha recair sobre esta BH Lynx Race Evo Carbon 9.5, não haverá espaço para arrependimento.

Pontos mais positivos

  • Todo o sistema Split Pivot, a sua dinâmica de funcionamento, o modo como monta o amortecedor traseiro da Fox, a forma como nos permite “abusar” um pouco mais nas descidas técnicas e não interfere no nosso esforço nas subidas em trilhos. Bem conseguido, apesar de não ser revolucionário face ao que também vemos noutras marcas…
  • As rodas. É verdade que há melhores e mais leves nos portfólios de várias marcas da “especialidade”, mas estas, que já experimentámos em três bikes distintas, continuam a merecer confiança.
  • O ligeiro “toque” de inovação no sector frontal da bike: integração da ferramenta FIT, bloqueio para o guiador não tocar no quadro, passagem de cabos por baixo da caixa de direção, guiador largo e “limpo”…

Pontos a melhorar

  • Faz falta um espigão de selim telescópico e, pelo preço final da bicicleta, justifica-se. Mesmo que isso implique uns gramas extra na balança.
  • Mesmo sabendo que em competição não faz falta alguma, gostamos sempre de ter espaço para um segundo bidon de água. Para as voltas mais longas, porque nem sempre dá para levar a mochila…
  • Pode parecer insignificante, mas é um “pormenor” que valorizamos: tal como já acontece com modelos topo de gama de outras marcas, optar por punhos em silicone seria sempre mais adequado, achamos.

Especificações da BH Lynx Race Evo Carbon 9.5:

  • Quadro: Lynx Race EVO Carbon 29″ 100mm, Boost 148 x 12
  • Amortecedor: Fox DPS Evol SV Kashima Remote Lock, 190 x 40 mm
  • Suspensão: Fox 32 SC Factory Remote Lock 100 mm
  • Caixa de direção: Lynx Race EVO By Acros Stainless Steel Bearing
  • Manípulo: Shimano XTR 9100 12x
  • Desviador traseiro: Shimano XTR 9100 12x
  • Pedaleiro: Shimano MT900 34, 175 mm
  • Cassete: Shimano XTR 9100 10/51t
  • Corrente: Shimano XTR
  • Travões: Shimano XTR (180 mm à frente e 160 mm atrás)
  • Rodas: BH Evo Carbon Tubeless, 30 mm, 28H
  • Pneus: Maxxis Rekon Race EXO MAXX SPEED 2.40
  • Selim: Prologo Scratch M5 Nack
  • Espigão: BH EVO Carbon 31,6 mm, 420 mm
  • Guiador: BH Evo Carbon Midflat 760 mm
  • Punhos: BH Control Grip Lock On
  • Preço: 7.299 euros

Site oficial:

Todas as fotos:

Galeria de pormenores:

Neste teste:

  • Texto: Jorge D. Lopes
  • Fotos: Nuno Margaça
  • Vídeo: Jorge D. Lopes
  • Rider: Jorge D. Lopes

Vídeos oficial da marca:

LYNX RACE EVO CARBON | ALWAYS FAST

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Jorge Lopes
Com mais de quinze anos de experiência na criação e edição de conteúdos em diversas áreas, é viciado em desporto e, naturalmente, em bikes. Mas raramente está em forma! Um dos mentores do projeto GoRide.

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