Foi uma busca incessante para conquistar a Volta a França, quando há dez anos a estrutura passou por momentos difíceis para conseguir continuar na estrada. Hoje é das mais fortes do pelotão e subiu ao topo do pódio mais desejado com Jonas Vingegaard. O que mais pode querer a Jumbo-Visma? Simples: mais e mais… e mais algumas grandes vitórias!

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Se vencer mais um Tour com Vingegaard e ter Primoz Roglic a recuperar moral num Giro que vai procurar juntar às três Vueltas que tem – a Volta a França começa a parecer um sonho que será muito difícil de concretizar e nem está no calendário do esloveno em 2023 – são naturalmente objetivos de uma equipa fortíssima nas grandes voltas, há uma outra obsessão.

Sim, por esta altura já é mesmo uma obsessão ver Wout van Aert conquistar um monumento do pavé. Os anos passam e este fantástico ciclistas só tem um monumento no currículo: a Milano-Sanremo. Volta a Flandres e Paris-Roubaix têm “escapado”.

Esta é uma equipa que construiu uma estrutura para ser forte tanto nas corridas de um dia, como nas provas por etapas. Os sprints deixaram de ser uma aposta tão vincada, mas Christophe Laporte lá vai tendo as suas oportunidades e se Olav Kooij continuar a evoluir como tem demonstrado, então será quase impossível não começar a levar este sprinter com um potencial tremendo a algumas corridas de maior destaque.

Porém, a identidade está criada e as contratações revelam isso mesmo. Dylan van Baarle venceu a Paris-Roubaix no ano passado e deixou a INEOS Grenadiers para fortalecer a rival Jumbo-Visma. Como irá funcionar com Van Aert? Se há algo que esta equipa neerlandesa tem bem definido são os líderes. Há três: Vingegaard, Roglic e Van Aert.

Van Baarle tem tudo para ser uma excelente ajuda para o belga, mas, como a Jumbo-Visma vai fazendo com outros ciclistas, terá os seus momentos de liberdade. É o único reforço a pensar mais nas clássicas (mas não só), ainda que outra contratação também vá ser “puxada” para este tipo de corridas.

A maioria dos novos rostos são para garantir ainda mais opções para as provas por etapas. Jan Tratnik é uma das melhores contratações. É um exímio gregário que irá estar ao lado de Roglic no Giro, segundo seu calendário inicial. E como este esloveno se adapta a diversos terrenos (é um poço de força), antes vai dar uma ajuda nas clássicas.

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A chegada de Wilco Kelderman não deixou de ser algo surpreendente. Qualidade tem, mas de regularidade tem pouco. Oportunidades na carreira para ser líder não faltaram, mas na Jumbo-Visma terá um papel mais secundário. Talvez lide melhor com as expectativas assim…

A pensar num futuro próximo, a Jumbo-Visma assinou com Attila Valter. O jovem húngaro deu nas vistas quando andou de camisola rosa no Giro de 2021, mas na Groupama-FDJ ficou claro que teria dificuldades em subir de estatuto com a equipa francesa a apostar tanto em David Gaudu e Thibaut Pinot.

Na formação neerlandesa poderá ser difícil chegar e impor-se, mas poderá colocar-se como um potencial sucessor de Primoz Roglic.

Já Thomas Gloag é outro jovem, que estava na equipa Continental Trinity Racing e que somou resultados bem interessantes em 2022, com destaque para a vitória numa etapa do Tour de l’Avenir.

48 vitórias no ano passado, primeiro lugar do ranking UCI, a Jumbo-Visma está no topo e apresenta uma equipa muito equilibrada, com várias opções para diferentes corridas e todas de elevada qualidade. Um luxo, mas que advém de muito trabalho, dedicação e planeamento.

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Nesta equipa não há dúvidas do que se pode esperar. Os líderes estão definidos – a opção até foi “separar” Vingegaard e Roglic nas grandes voltas para não haver dúvidas -, ninguém coloca isso em causa e tendo gregários como Sepp Kuss, Steven Kruijswijk e Tiesj Benoot, por exemplo, só se pode pensar num 2023 em grande.

A destoar poderá estar um Tobias Foss, que começa a dar sinais de querer maior destaque. O campeão do mundo de contrarrelógio mostra ser forte nesta especialidade, mas não realizou uma época convincente, pelo que terá de mostrar muito mais se quiser que a Jumbo-Visma lhe dê um estatuto maior.

Reforços: Attila Valter (Hun, 24 anos, Groupama-FDJ), Dylan van Baarle (PB, 30, INEOS Grenadiers), Jan Tratnik (Esl, 32, Bahrain-Victorious), Thomas Gloag (GB, 21, Trinity Racing) e Wilco Kelderman (PB, 31, BORA-hansgrohe).

Permanências: Christophe Laporte (Fra, 30), Edoardo Affini (Ita, 26), Gijs Leemreize (PB, 23), Jonas Vingegaard (Din, 26), Jos van Emden (PB, 37), Koen Bouwman (PB, 29), Lennard Hofstede (PB, 28), Michel Hessmann (Ale, 21), Mike van Dijke (PB, 22), Milan Vader (PB, 26), Nathan van Hooydonck (Bel, 27), Olav Kooij (PB, 21), Primoz Roglic (Esl, 33), Robert Gesink (PB, 36), Rohan Dennis (Aus, 32), Sam Oomen (PB, 27), Sepp Kuss (EUA, 28), Steven Kruijswijk (PB, 35), Tiesj Benoot (Bel, 28), Tim van Dijke (PB, 22), Timo Roosen (PB, 29), Tobias Foss (Nor, 25), Tosh van der Sande (Bel, 32) e Wout van Aert (Bel, 28).

Saídas: Chris Harper (Aus, 28, Team Jayco AlUla), David Dekker (PB, 24, Arkéa Samsic), Mike Teunissen (PB, 30, Intermarché-Circus-Wanty), Pascal Eenkhoorn (PB, 25, Lotto-Dstny) e Tom Dumoulin (PB, 32, retirou-se).

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Fotografias: Facebook Jumbo-Visma

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Elisabete Silva
Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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