A Intermarché-Circus-Wanty começou 2022 a pensar em não descer de escalão, mas acabou a época como equipa sensação. Agora quer manter o nível, mas mantendo a mesma linha de contratação de ciclistas e, claro, com um Biniam Girmay como a grande figura.

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A equipa chegou ao World Tour em 2021 ao comprar a licença da CCC, que ia fechar portas. Depois de se estabelecer como uma consistente ProTeam, o passo para o nível seguinte não se adivinhava fácil. Porém, a equipa belga apostou muito em contratar ciclistas experientes e/ou à procura de uma estrutura que lhes desse liberdade para reavivar a carreira. E resultou!

Também foi tendo olho para alguns jovens talentos, sendo Girmay o grande exemplo desse trabalho. Se 2021 não tinha sido mau, 2022 foi sensacional, com vitórias de etapas no Giro e Vuelta, top 10 no Giro e no Tour e o momento histórico de Girmay ao tornar-se o primeiro eritreu a vencer uma clássica do World Tour: a Gent-Wevelgem. Pouco depois fez um pouco mais de história ao vencer uma etapa no Giro.

O próprio diretor desportivo Aike Visbeek admitiu que a progressão da Intermarché-Circus-Wanty foi mais rápida do que o esperado. Em declarações Wielerflits recordou que todos sabiam que um mau mês e meio e a descida a ProTeam poderia ser uma realidade. Porém, a realidade foi bem diferente. Ainda antes da Volta a Itália, a manutenção já não preocupava.

Entre garantir em ter feliz Girmay, cumprindo as promessas de crescimento da equipa e dando-lhe estabilidade também a nível familiar – ou seja, permitindo que pudesse passar tempo com a família na Eritreia durante a temporada – e juntar blocos de ciclistas tanto para os sprints – o comboio de Alexander Kristoff funcionou bem – como para as clássicas e provas por etapas, acabou por ter sucesso.

Agora a pressão é outra: manter o nível exibicional. Foram 24 vitórias em 2022, muitas mais boas performances e um surpreendente quinto lugar do ranking UCI.

Rui Costa é o primeiro português e campeão do mundo na equipa belga (Alessandro Volders / @cyclingmedia_agency)

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A Intermarché-Circus-Wanty viu sair Jan Hirt (top dez no Giro) e Alexander Kristoff, não renovou com Pozzovivo e alguns veteranos decidiram terminar a carreira. A equipa foi buscar novamente ciclistas experientes, caso de Rui Costa. Como a formação belga tem realçado, é o primeiro campeão do mundo nas suas fileiras e o primeiro português.

Destaque ainda para Mike Teunissen, que tal como Rui Costa quer ter mais destaque e não estar tanto preso a trabalho de gregário. O primeiro vai mais à procura de sprints e clássicas, o segundo será chamado para provas por etapas e gosta sempre da semana das Ardenas.

Lilian Calmejane é um daqueles corredores que espera na Intermarché-Circus-Wanty recuperar a melhor forma, depois de uma passagem discreta pela AG2R Citroën.

No entanto, a equipa também garantiu alguns jovens, a maioria a pensar nas clássicas e sprints. Mas é num ciclista de 19 anos, da Estónia, que irão centrar-se algumas atenções. Madis Mihkels convenceu no estágio de final de temporada na Intermarché-Circus-Wanty, foi quarto nos Mundiais, na prova de sub-23 e a expectativa é grande sobre como evoluirá.

Mesmo procurando desenvolver jovens talentos a pensar no futuro próximo, muita da esperança em mais uma boa temporada está nos ciclistas mais experientes, além de Girmay, que tem apenas 22 anos. Será que Louis Meintjes vai mais além que um top dez numa grande volta? Ou Taco van der Hoorn terá ataques de sucesso que já lhe valeram uma etapa no Giro, em 2021?

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Sven Erik Bystrom, Rein Taramäe são mais dois bons ciclistas, com Lorenzo Rota a mostrar na época passada que pode também ele tornar-se num elemento ainda mais importante na equipa.

Opções não faltam para que a progressão da Intermarché-Circus-Wanty continue.

Reforços: Arne Marit (Bel, 23 anos, Sport Vlaanderen-Baloise), Dion Smith (29, NZ, BikeExchange-Jayco), Dries De Pooter (Bel, 20, Hagens Berman Axeon, estagiou depois na equipa belga na fase final da época), Laurenz Rex (Bel, 23, Bingoal Pauwels Sauces WB), Lilian Calmejane (Fra, 30, AG2R Citroën), Madis Mihkels (Est, 19, Team Ampler-Tartu2024, estagiou depois na equipa belga na fase final da época), Mike Teunissen (PB, 30, Jumbo-Visma), Niccolò Bonifazio (Ita, 29, Total Energies), Rui Costa (Por, 36, UAE Team Emirates), Rune Herregodts (Bel, 24, Sport Vlaanderen-Baloise) e Tom Paquot (Bel, 23, Bingoal Pauwels Sauces WB).

Permanências: Adrien Petit (Fra, 32), Aimé de Gendt (Bel, 27), Baptiste Planckaert, Bel, 34), Biniam Girmay (Eri, 22), Boy van Poppel (PB, 34), Gerben Thijssen (Bel, 24), Georg Zimmermann (Ale, 25), Hugo Page (Fra, 21), Julius Johansen (Din, 23), Kobe Goossens (Bel, 26), Laurens Huys (Bel, 24), Loïc Vliegen (Bel, 29), Lorenzo Rota (Ita, 27), Louis Meintjes (AF, 30), Rein Taaramäe (Est, 35), Simone Petilli (Ita, 29), Sven Erik Bystrom (Nor, 24) e Taco van der Hoorn (PB, 29).

Saídas: Alexander Kristoff (Nor, 35, Uno-X), Andrea Pasqualon (Ita, 35, Bahrain-Victorious), Barnabás Peák, (Hn, 24, Human Powered Health), Corné van Kessel (Bel, 31, Team Deschacht-Group Hens-Containers Maes), Dimitri Claeys (Bel, 35, retirou-se), Domenico Pozzovivo (Ita, 40), Jan Bakelants (Bel, 36, retirou-se), Jan Hirt (Che, 31, Soudal Quick-Step), Kévin Van Melsen (Bel, 35, retirou-se), Quinten Hermans (Bel, 27, Alpecin-Deceuninck), Théo Delacroix (Fra, 23, (St Michel-Mavic-Auber93) e Tom Devriendt (Bel, 31, Q36.5 Pro Cycling Team).

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Fotografia: Facebook Intermarché-Circus-Wanty

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Elisabete Silva
Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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