Não ganhar a Volta a França, já é algo que custa à INEOS Grenadiers depois de tantos anos de domínio. Não ganhar uma grande volta em toda a temporada aumentou a “dor”. Vencer etapas é bom, mas para esta equipa sabe a pouco. A formação britânica tem sabido ser paciente tanto em esperar pelo (novo) regresso de Egan Bernal ao seu melhor, como na evolução de jovens talentos, casos de Carlos Rodríguez e Tom Pidcock. Em 2023 não quer ficar em branco nas gerais de grandes voltas.

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Mesmo com 39 vitórias (terceira no ranking UCI) e algumas bem memoráveis – a conquista do Alpe D’Huez por Tom Pidcock, no Tour, e a Paris-Roubaix por Dylan van Baarl, por exemplo – não conseguir conquistar uma grande volta deixou a INEOS Grenadiers e querer muito mais para 2023.

Depois do grave acidente na pré-temporada, há um ano, de Egan Bernal, o colombiano regressou aos poucos à competição em agosto. Teve de parar novamente, mas agora já prepara a todo o gás a nova época. E o Tour será o grande objetivo, com a INEOS Grenadiers a querer rivalizar com Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard (os dois últimos vencedores da corrida).

Com a saída de Richard Carapaz e Adam Yates, a equipa perdeu dois líderes, mas foi buscar Thymen Arensman. Talvez seja cedo para dizer que o neerlandês, de 23 anos, será desde já um candidato a ganhar uma grande volta (está escalado para o Giro). Contudo, depois do que fez na Volta a Itália e Espanha (onde venceu uma etapa), a expectativa é que não demorará muito a tornar-se numa referência na equipa.

Jovens talentos como reforços

Leo Hayter, irmão de Ethan, chega rotulado de estrela, somando excelentes resultados como sub-23, vencedor do Giro desse escalão e da Liège-Bastogne-Liège. Traz o “selo de qualidade” da Hagens Berman Axeon e é visto como um potencial grande voltista que os britânicos procuram.

De referir também a contratação de Joshua Tarling. Tem apenas 18 anos, pelo que ainda passará por uma fase de adaptação. É um ciclista com provas dadas na pista e vai-se criando uma enorme expectativa ao que poderá fazer na estrada. A INEOS Grenadiers já o agarrou.

Mas se estes dois ciclistas foram contratados a pensar no sucesso a curto/médio prazo, na equipa está um que quer triunfar no imediato. Carlos Rodríguez “explodiu” na Vuelta, não teve o final desejado (uma queda não ajudou e terminou na sétima posição), mas ficou claro que estamos perante um voltista de enorme potencial. Mostrou muita qualidade e com 21 anos ainda pode evoluir mais.

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Bernal é o líder máximo, mas Rodríguez vai ganhando rapidamente o seu estatuto. Fica por perceber o papel de Daniel Martínez. O colombiano chegou em 2021 para tentar ser um líder, tem essa liberdade em provas por etapas, mas parece perder cada vez mais espaço nas grandes voltas. Além disso, deverá ser um dos fiéis escudeiros de Egan Bernal.

Também Tao Geoghegan Hart não consegue cimentar um papel de maior relevo, nem com um Giro ganho, enquanto Pavel Sivakov tem dificuldades em manter regularidade nos bons resultados. Já Geraint Thomas quer despedir-se em grande (pondera ser esta a sua última temporada) e vai ser o líder da Volta a Itália.

E as clássicas?

A INEOS Grenadiers tem vindo a tornar-se mais completa e não tão centrada nas grandes voltas. 2022 ficará para a história da equipa como o ano em que venceu um momento do pavé, a Paris-Roubaix.

Porém, Dylan van Baarle saiu para a rival Jumbo-Visma. Uma perda, mas quem tem Tom Pidcock (para já ainda mais concentrado em clássicas, antes de perseguir o sonho do Tour) e um Magnus Sheffield em plena fase de afirmação – é um ciclista a seguir em 2023 -, a equipa britânica não estará preocupada com este tipo de corridas, sabendo que tem quem possa vencer algumas.

Pode ter corredores com características para todo o tipo de provas, mas nesta INEOS Grenadiers é impossível fugir ao ADN de quem nasceu para vencer a Volta a França.

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Reforços: Connor Swift (GB, 27 anos, Arkéa Samsic), Joshua Tarling (GB, 18, FlandersColor-Galloo Team – equipa de juniores) Leo Hayter (GB, 21, Hagens Berman Axeon), Michael Leonard (Can, 18, Team Franco Ballerini Juniors) e Thymen Arensman (PB, 23, DSM).

Permanências: Ben Swift (GB, 35), Ben Tulett (GB, 21), Ben Turner (GB, 23), Brandon Rivera (Col, 26), Cameron Wurf (Aus, 39), Carlos Rodríguez (Esp, 21), Daniel Martínez (Col, 26), Egan Bernal (Col, 25), Elia Viviani (Ita, 35), Ethan Hayter (GB,24), Filippo Ganna (Ita, 26), Geraint Thomas (GB, 36), Jonathan Narváez (Equ, 25), Kim Heiduk (Ale, 22), Laurens de Plus (Bel, 27), Luke Plapp (Aus, 22), Luke Rowe (GB, 32), Magnus Sheffield (EUA, 20), Michal Kwiatkowski (Pol, 32), Omar Fraile (Esp, 32), Pavel Sivakov (Fra, 25), Salvatore Puccio (Ita, 33), Tao Geoghegan Hart (GB, 27) e Tom Pidcock (GB, 23).

Saídas: Adam Yates (GB, 30, UAE Team Emirates), Andrey Amador (CR, 36, EF Education-EasyPost), Dylan van Baarle (PB, 30, Jumbo-Visma), Eddie Dunbar (Irl, 26, Jayco AlUla), Richard Carapaz (Equ, 29, EF Education-Easy Post) e Richie Porte (Aus, 37, retirou-se).

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Fotografia: Facebook INEOS Grenadiers

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Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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