Jokin Murguialday vestiu a camisola branca na Torre, na terceira etapa, e não mais a largou. O principal objetivo era lutar por uma boa classificação na geral na Volta a Portugal, mas, ao surgir a hipótese de também ganhar a juventude, o ciclista espanhol da Caja Rural-Seguros RGA considerou o “casamento” perfeito.

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Nem sequer é novidade para Murguialday que tem um gosto especial pelo nosso país. Em 2021 venceu a juventude no Grande Prémio de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho.

“Gosto muito de Portugal. A forma de correr é diferente. As corridas são muito rápidas, sobe-se muito rápido, anda-se todo o dia muito rápido e em qualquer momento podemos ceder. Para mim são corridas muito divertidas”, salientou ao GoRide.pt

Este ano já havia participado na Volta ao Algarve e na Volta ao Alentejo, com prestações discretas. Mas chegou a agosto com vontade de se intrometer na habitual luta entre as equipas portuguesas pela Volta a Portugal.

“O objetivo era tentar lutar pela geral. Não sabia muito bem como iria estar [fisicamente]. Depois surgiu a camisola branca e continuámos a querer manter-nos na luta pela geral. Uma coisa ajudou à outra”, referiu.

[O dia mais difícil] foi depois do de descanso. Não gosto dos dias de descanso. Quanto mais rápido se for todos os dias, para mim, melhor

“Estou muito contente. Para a equipa é uma volta muito importante e fizemos um bom trabalho. Estamos todos muito contentes”, acrescentou.

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Foi regular nas suas exibições, sendo top dez na Torre e Senhora da Graça e 16º no Observatório de Vila Nova, em Miranda do Corvo, as três etapas de montanha da Volta este ano.

O domínio da Glassdrive-Q8-Anicolor não deu hipóteses a ninguém, mas para o jovem de 22 anos, a Volta a Portugal foi mais uma oportunidade de evoluir como ciclista.

Qual foi o dia mais difícil? Murguialday não hesitou um segundo na resposta: “Foi depois do de descanso. Não gosto dos dias de descanso. Quanto mais rápido se for todos os dias, para mim, melhor.”

Trabalhar com tranquilidade, mas sempre a ambicionar o melhor.

Apesar do bom resultado na Volta a Portugal, com o nono lugar a selar o objetivo de estar pelo menos entre os dez primeiros – ficou a 9:24 minutos de Mauricio Moreira -, Murguialday sabe que ainda tem um longo caminho a percorrer para atingir o nível mais alto do ciclismo mundial.

“Tens de ir melhorando pouco a pouco. São detalhes. Cada corpo evolui de forma distinta. Eu creio que tenho de ir com tranquilidade. Temos o Tadej Pogacar, o Remco Evenepoel, o Juan Ayuso… Mas creio que tenho de ir com tranquilidade e hei de lá chegar”, realçou.

Murguialday referiu ciclistas que chegaram ao topo muito jovens, mas tal não está ao alcance de todos. No entanto, perante a influência do pai, tem um sonho que deseja muito concretizar: vencer uma etapa no Tour.

A influência do pai

Javier Murguialday foi ciclista entre as décadas de 80 e 90 do século passado. Participou em Voltas a Espanha e França. No Tour venceu uma etapa.

Tenho a ilusão de correr uma grande volta, sobretudo, pela experiência.

“Digo ao meu pai que sou melhor do que ele pelo que alcancei até agora, mas ele tem uma etapa no Tour e eu não. Assim, já tenho um objetivo”, afirmou.

E, só para desempatar com o pai, não se importaria de vencer duas etapas no Tour! Contudo, um passo de cada vez. Primeiro quer chegar a uma grande volta.

“Eu gosto das grandes voltas. Cada dia que passa sinto que estou melhor e tenho muita regularidade. Tenho a ilusão de correr uma grande volta, sobretudo, pela experiência”, admitiu. Considera ser muito difícil vencer uma classificação geral, mas mantém-se firme em ambicionar ganhar uma etapa.

Ciclista ou futebolista?

Parece que se perdeu um futebolista! Murguialday não esconde um sorriso quando questionado se não pensa que poderia ter enveredado por outra carreira no desporto.

“Penso muitas vezes isso durante as corridas! Poderia estar a fazer outra coisa! Mas não. Gosto do ciclismo mais do que qualquer outra coisa”, garantiu, com a influência do pai na opção de carreira a fazer-se sentir mais uma vez.

Murguialday está já concentrado nas próximas corridas. Ou seja, não estava a pensar em festas para celebrar a conquista da camisola da juventude na Volta a Portugal e o top 10. Depois do contrarrelógio Porto-Gaia, só queria regressar a Espanha, descansar, recuperar e regressar à competição.

“Tenho uma corrida em França, mas as que mais gosto são as clássicas que tenho em Itália. Essas assentam-me bastante bem e são durinhas. Para mim, são boas”, frisou.

Caja Rural-Seguros RGA e as vitórias em Portugal

E regressar a Portugal  para lutar pela amarela na Volta? Murguialday limitou-se a reiterar que gosta muito de competir por cá e a Caja Rural- Seguros RGA, do segundo escalão mundial (ProTeam) é das equipas espanholas que mais participa nas corridas portuguesas desde há muito.

Normalmente não vem só para marcar presença. Terminou a Volta a Portugal com um saldo positivo, ainda que sem a desejada vitória de etapa.

Mas 2022 tem sido muito simpático para a equipa espanhola nas viagens até terras lusas, ainda que não afaste a desilusão de ter ficado sem convite para a Vuelta este ano.

Orluis Aular venceu a Clássica da Arrábida e duas etapas e a geral na Volta ao Alentejo. No Troféu Joaquim Agostinho, Jonathan Lastra triunfou na primeira tirada.

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Imagens: Agnelo Quelhas e Fernando Correia/Podium Events

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Elisabete Silva
Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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