De regresso ao Louletano Ciclismo, Micael Isidoro tem como meta principal este ano “atacar” a Volta a Portugal, bem como “fazer uma época consistente e competitiva”, em busca dos melhores resultados possíveis. Isto apesar de tudo o que a pandemia está a mudar no ciclismo profissional.

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O GoRide.pt quis saber o que mudou no dia a dia de Micael e ao longo da conversa ficámos a saber muito mais, desde o início da sua carreira até aos cuidados que tem com o seu treino, a sua alimentação e o seu descanso.

Micael, quais os teus grandes desafios para 2021?

Para este ano os meus principais objetivos passam por fazer uma época consistente e competitiva, procurando sempre os melhores resultados. No entanto, destaco como grande meta a Volta a Portugal, como não poderia deixar de ser.

Micael Isidoro

Mas achas que 2020 foi um ano perdido em termos desportivos?

Em termos desportivos, não podemos dizer que 2020 foi uma ano totalmente perdido… Mesmo com as dificuldades existentes, conseguiu-se realizar alguma competição. É lógico que ficou longe de ser o desejado, mas dentro da realidade que estamos a viver foi o possível, parece-me. Vejamos o que se poderá fazer a partir de agora com a pandemia ainda presente.

Micael Isidoro

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Por falar nisso, como é que a situação Covid-19 altera a tua rotina ligada à bicicleta e ao ciclismo?
Toda esta situação da pandemia foi e está a ser muito complicada para o ciclismo profissional, com o impacto na modalidade a ser muito grande. A minha rotina ficou marcada pela incerteza quando à possibilidade de treinar devidamente para as competições, visto que as mesmas estavam sempre a ser canceladas.

Um exemplo? O troféu Joaquim Agostinho de 2020 foi cancelado um dia antes e quando tínhamos tudo preparado para competir.

O dia a dia…

Como é a tua rotina diária ligada à bicicleta? Treino, preparação para provas que estão no horizonte…?

Treino todos os dias, praticamente, e a forma como abordo a preparação é personalizada, com um plano de treino adaptado à competição que vem a seguir.

Por exemplo, se tenho uma competição por etapas de três dias em que a média de altimetria é de 3.000 metros, tenho que fazer subidas suficientes e com intensidades suficientes para chegar à competição e estar preparado para o que vou encontrar.

Um dia de treino normal sem competição, no fim de semana, pode ir até quatro ou cinco horas. E outros podem ser mais tranquilos, de duas horas, e com paragem para um café.

A preparação corrente para a Volta ao Algarve, por exemplo, tem cargas horárias mais elevadas e também mais kms. Como também sou preparador físico e treinador, muitos dos dias da parte da tarde tenho avaliações físicas a atletas agendados, um trabalho que faço para ajudá-los com o planeamento de treino após realizarem uma avaliação física.

E alimentação? 

Tem de ser cuidada, claro. O excesso de peso faz com que as subidas sejam mais difíceis, não é verdade? As relações peso/potência com uma diminuição do peso são mais elevadas, o que faz com que em subida possamos ir mais “económicos”. Mas procuro comer o mais natural possível…

Micael Isidoro

Então, o que comes antes de uma prova ou treino, normalmente?

Normalmente, em dia de competições longas (cinco horas, por exemplo) como arroz ou massa (hidratos de carbono), omelete, iogurte natural com frutos secos e mel. E um bom cafézinho, claro!

Que dicas de nutrição e alimentação podes dar a quem se está a preparar para uma prova?

Por vezes há uma preocupação excessiva com o peso e nem sempre as competições têm tanta subida assim, pelo que existe uma perda de força e energia devido à falta de aporte nutritivo. Até se pode notar falta de energia durante a semana e durante a corrida…. Por isso, é muito importante definir bem a quantidade de hidratos de carbono disponíveis para gerar energia. E tanto para poder treinar bem como para competir bem.

E não esquecer a hidratação: tanto em treino como em competição é fundamental.

Micael Isidoro

Horas de sono e descanso: tens alguns hábitos em particular?

Normalmente durmo oito a dez horas por noite. Gosto especialmente de adormecer após a massagem, a sensação é de extremo descanso e o processo é bastante regenerador.

O início…

Quando e como começaste a praticar ciclismo?

A minha iniciação no ciclismo foi aos 12 anos no BTT e aos 13 já  estava a iniciar a competição de forma mais consistente, até que aos 15 anos comecei a correr na estrada, vertente em que fiz todos os escalões até ser ciclista profissional.

A minha grande influência foi o meu pai, Hilário, que toda a sua vida esteve ligado ao ciclismo profissional como mecânico. Foi mecânico do malogrado Joaquim Agostinho e de todo o projeto da Sicasal, que marcou uma década do ciclismo português.

Desde pequeno que o acompanhava nas competições e foi aí mesmo que surgiu todo o meu interesse pela modalidade.

Quais as maiores e grandiosas provas em que já participaste?

Participei em várias competições de elevado nível, saliento sempre a nossa Volta a Portugal. A nível europeu estive em várias: campeonatos do mundo e europeus, tour de Chihuahua (México), tour de Langkawi (Malásia), tour Sul da China e Macau, tour de Rwanda…

Conta-nos um episódio divertido que se tenha passado numa das tuas competições…

Tenho muitos! Mas lembro-me que na Malásia ficámos perdidos no trânsito e, sendo ocidentais, nem sempre nos entendiam. Estava a ficar tarde e não sabíamos o caminho para o hotel… Sem telemóvel e com medo de estar a andar ao contrário, começámos a bater aos vidros dos carros das pessoas que estavam paradas no trânsito, a pedir informações. Nisto, a troco de um boné e de um bidon, um senhor ajudou-nos: fez 60 kms com o seu carro à nossa frente para nos mostrar onde ficava o hotel!

E lembro-me que na Índia ficámos a dormir em tendas e tínhamos um “vizinho” duas tendas ao lado que ressonava tão alto que era impossível dormir. Até com phones se ouvia o barulho! Então, a meio da noite eu e o meu amigo Bruno Magalhães, afastámos a nossa tenda cerca de 50 metros para podermos descansar…

E episódios imprevistos e/ou perigosos?

Numa Volta a Portugal venci o prémio da combatividade, levei as flores para o hotel e meti-as no lavatório com água antes de irmos jantar. entretanto alguém me chamou e não cheguei a fechar a torneira do lavatório… Conclusão: o piso inferior do hotel inundado!

Que prova ainda não fizeste e queres fazer de certeza?

Nesta fase da minha carreira gostava de competir na Austrália. Para conseguir competir em todos os continentes.

Numa palavra (ou apenas numa frase), qual a principal razão para continuares a praticar ciclismo?

Paixão.

MicaelIsidoro.com – Cycling Training System

Na referida atividade de preparador físico e treinador, o Micael pode dar uma ajuda fundamental na preparação de um plano de treino completo, sustentado e perfeitamente adaptado a ti e às competições em que vais participar.

Podes ficar a saber mais através dos links abaixo!

Mais infos:

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Jorge Lopes
Com mais de quinze anos de experiência na criação e edição de conteúdos em diversas áreas, é viciado em desporto e, naturalmente, em bikes. Mas raramente está em forma! Um dos mentores do projeto GoRide.

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