João Almeida fez a antevisão à nova temporada e mostrou-se cheio de entusiasmo para voltar à estrada. O objetivo passa por manter o nível de 2025 — e, quem sabe, ainda ir mais longe. Em conferência de imprensa no Algarve, o português da UAE Emirates abordou diversos assuntos.

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“Sem dúvida que foi a minha melhor temporada de sempre. Muitas vitórias, vitórias com grande valor em corridas de nível mais alto. Claro que é sempre difícil superar-nos ano após ano, mas estamos aqui para tentar melhorar a temporada anterior. A única coisa que podia ter corrido melhor foi a queda no Tour, que foi um momento de azar, mas faz parte do ciclismo. As coisas nem sempre correm como gostaríamos, fazem parte do caminho. Ainda assim, sinceramente, acho que foi uma temporada ideal”, começou por analisar o ciclista de 27 anos, citado por A Bola.

“O balanço tem sido bastante bom. Tenho-me sentido muito bem, sem percalços nem azares, por isso acho que estou numa boa forma física. Tenho-me esforçado bastante para estar ainda melhor do que no ano passado, o que não é fácil, mas estou otimista e confiante para começar a temporada. Vou ganhando mais experiência e mais confiança em mim. Ano após ano vamos evoluindo, e essa bagagem ajuda muito a tomar decisões em corrida, muitas vezes de forma quase inconsciente, o que acaba por me favorecer e também a todos os corredores experientes”, explicou, ao abordar o arranque do calendário.

“Vou começar antes da Volta ao Algarve, na Volta a Valência. Espero encontrar boas pernas, porque o objetivo é disputar e ganhar a corrida, para chegar ao Algarve já com algum ritmo competitivo e não ser um choque tão grande. A Volta ao Algarve é muito exigente e, para vencer num pelotão destes, é preciso muita força. Inicialmente o plano era fazer outra Volta, mas depois de falar com a equipa chegámos à conclusão de que fazia mais sentido ir ao Giro, e todos concordaram. Para mim, voltar ao Giro faz sentido, muda um pouco o calendário e é uma grande oportunidade para tentar ganhar a corrida ou, pelo menos, ficar o mais perto possível”, explicou, já a pensar no próximo Giro d’Italia.

Concorrência de Vingegaard

“Claro que queremos sempre ganhar as corridas que nos escapam. Tenho uma história bonita com o Giro, mas no fundo é mais uma corrida. Vamos com o objetivo de dar o nosso melhor e tentar sair por cima. Enquanto não há confirmações, há sempre espaço para especular, mas isso até me favorece. Vou ter um adversário muito forte, o que acaba por me motivar ainda mais a dar tudo”, disse, comparando-se a Jonas Vingegaard.

“Somos corredores parecidos. Neste momento, é alguém que podemos dizer que é mais forte, até pelo palmarés, que é claramente superior ao meu. Já ganhou a Volta a França mais do que uma vez, mas ninguém é imbatível. O Giro é uma corrida mais aberta, com fatores inesperados, como o tempo”, acrescentou, confiante, recordando também a experiência de vestir a camisola rosa.

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“O que mudou? Estou mais velho [risos]! Tenho muito mais experiência. No meu primeiro Giro não sabia bem ao que ia. Agora, quando vou para uma Grande Volta, sei o que vou encontrar e tenho outra preparação mental. O favoritismo passa-me um pouco ao lado. Não quero ficar como uma promessa, quero ganhar uma a sério. Mostra que os adversários me respeitam, mas ser favorito e ganhar são coisas diferentes”, sublinhou.

Pogacar e Ayuso

Questionado sobre a reação de Tadej Pogacar ao saber que não o iria acompanhar no Tour, João Almeida revelou que foi “normal”. “Acredito que tenha ficado um pouco triste por eu não ir, mas não o vai afetar muito. Não acho que eu seja fundamental para ele vencer o Tour. Gostamos de correr juntos, mas eu pedi para ir ao Giro. Foi uma decisão da equipa a pensar em mim, dando-me liberdade e mostrando confiança de que posso lutar pela vitória”, explicou.

“Giro ou Vuelta? Em termos de planeamento, têm a mesma importância. Pessoalmente, o Giro tem talvez um pouco mais de atenção mediática e peso no ciclismo. Ganhar uma Grande Volta seria um objetivo de carreira e vou dar o meu máximo para que isso aconteça”, reforçou.

Sobre a possível presença de Pogacar na Vuelta, foi claro: “Só se confirma depois do Tour. Depende de como ele estiver fisicamente e também do facto de ter a camisola de campeão do mundo para defender. Se ele for, será o líder principal, isso é indiscutível. Mas é um corredor com quem gosto de correr e, se tivesse oportunidade de me ajudar a ganhar, não hesitaria”.

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No Giro, João Almeida contará com a companhia do compatriota António Morgado. “Pode ajudar-me em todo o tipo de terreno. É muito jovem e ainda tem muito para aprender, mas é muito forte. Vejo-o a discutir corridas de uma semana no futuro e também a destacar-se nas clássicas. Tem um potencial enorme”, afirmou.

Sobre a saída de Ayuso e o impacto no seu percurso, foi direto: “Sim, acaba por ser menos um líder para gerir no calendário, o que liberta espaço. Facilita a escolha das corridas que quero disputar”.

Volta ao Algarve

Outro dos grandes objetivos passa pela Volta ao Algarve, que decorre entre 18 e 22 de fevereiro. “Sendo português, seria uma honra vencer. No ano passado estive perto e não consegui. É a prova em Portugal com o nível mais alto e vou tentar ganhá-la. O percurso foi divulgado tarde, sei que subimos a Fóia por um lado ligeiramente diferente. A etapa do Malhão continua a ser das mais importantes, se não a mais decisiva. A Fóia às vezes é um pouco sobrevalorizada, porque não é assim tão dura. É uma corrida que gosto sempre de fazer”, garantiu.

O apoio do público português, esse, é especial. “Faz toda a diferença. Correr em casa dá sempre uma força extra e isso sente-se tanto na Volta ao Algarve como noutras provas em Portugal. O apoio dos adeptos ajuda imenso, não só em corrida, mas também nos treinos. A promessa é a de sempre: agradecer por estarem na estrada, faça sol ou chuva, e garantir que vou dar sempre o meu melhor”, concluiu.

Crédito da imagem: UAE Emirates X

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