A neerlandesa Gravaa, responsável pelo sistema de regulação de pressão de pneus em andamento KAPS (Kinetic Air Pressure System), declarou falência por um tribunal nos Países Baixos no início de 2026.

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Fica assim interrompido, pelo menos por agora, um dos projetos tecnológicos mais mediáticos do ciclismo de alto rendimento.

O KAPS permitia ajustar a pressão dos pneus através de comandos no guiador. Para isso, usava um sistema mecânico/eletrónico integrado nos cubos.

Um micro compressor, acionado pela rotação das rodas, conseguia dar pressão ou tirar pressão aos pneus sem paragens. Desta forma, a bicicleta adaptava-se a asfalto, pavé ou gravel durante a própria corrida.

GRAVAA - Adapt your tyre pressure while riding. Endlessly.
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Apesar da forte exposição competitiva, o impacto desportivo não se traduziu num sucesso comercial. Apesar da utilização por parte de várias equipas de topo, os preços próximos dos quatro mil euros por conjunto de rodas limitaram o alcance, certamente.

Uma solução lógica?

A proposta técnica fazia sentido em cenários muito específicos. Em corridas longas, com mudanças constantes de piso, pequenas variações de pressão alteram tração, conforto e controlo. Por exemplo, no pavé, menos pressão pode significar mais aderência e menor fadiga.

No entanto, a maioria dos ciclistas não compete em provas desse tipo. Por isso, raramente decide resultados por ganhos marginais. Para esse público, escolher uma pressão intermédia continua a ser suficiente.

Do ponto de vista da engenharia, a solução implicava compromissos claros. Mais componentes significam mais peso e mais pontos potenciais de falha. Além disso, a manutenção torna-se mais exigente.

Inflate or deflate tyre pressure while riding with Gravaa wheels
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Para muitos utilizadores, o risco mecânico adicional anula o ganho teórico de performance. Mesmo que o sistema funcione, a percepção de complexidade pesa na decisão de compra.

O ciclismo tem um histórico de adoção lenta de tecnologias. Travões de disco, transmissões eletrónicas e espigões telescópicos no gravel demoraram anos a generalizar-se. Ainda assim, ofereciam benefícios claros para um público alargado.

Deste modo, o KAPS não resolvia uma necessidade diária do ciclista médio. Era uma ferramenta sofisticada para contextos extremos. Logo, a base de clientes dispostos a pagar o prémio tecnológico manteve-se reduzida.

O posicionamento comercial também limitou o crescimento. Sendo um sistema fechado, dependente de rodas e arquitetura próprios, o KAPS integrava-se mal em ecossistemas existentes. Sem acordos OEM de grande escala, ficou restrito ao aftermarket premium.

Além disso, os consumidores tinham alternativas mais tangíveis. Rodas mais leves, potenciómetros ou upgrades de transmissão oferecem ganhos fáceis de perceber. Em comparação, o ajuste dinâmico de pressão exige maior literacia técnica para ser valorizado.

Mais informações:
Gravaa.com
Autor deste artigo:
André Canuto
Crédito das imagens:
Gravaa

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