Domínio total! Só não se traduz ainda na geral, porque António Carvalho teve de ter alguma calma para não deixar para trás Mauricio Moreira e assim não assaltou de vez o terceiro lugar na geral. Mas venceu na Senhora da Graça, numa tripla da Glassdrive-Q8-Anicolor. Apenas Alejandro Marque mostrou querer fazer frente ao poderio amarelo.

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Frederico Figueiredo e Moreira foram na roda de Carvalho praticamente toda a subida. Carvalho saiu primeiro, logo no início da Senhora da Graça, quando Fábio Costa terminou o seu trabalho. Grande etapa do jovem ciclista!

O primeiro e segundo da geral aceleraram pouco depois. A resistência de Luís Fernandes foi finalmente quebrada. O sonho de ir mais além desfez-se, agora o ciclista da Rádio Popular-Paredes-Boavista fará tudo para segurar o último lugar do pódio, preso por 29 segundos. Carvalho não vai dar tréguas no contrarrelógio final.

A camisola amarela passou de 38 segundos de diferença, para 1:52 minutos. Fernandes fez o que pôde, contra uma tripla que não o quis desta feita por perto quando cortasse a meta no topo da Senhora da Graça, como aconteceu nas outras duas etapas de montanha.

Três em três na montanha

Moreira na Torre, Figueiredo no Observatório de Vila Nova (Miranda do Corvo) e agora Carvalho na Senhora da Graça. Três chegadas em alto, três vitórias para a Glassdrive-Q8-Anicolor. Rafael Reis venceu o prólogo e é o mais forte candidato a nova vitória esta segunda-feira, nos 18,6 quilómetros de contrrarelógio.

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Figueiredo sagrou-se virtual vencedor da camisola da montanha. A equipa lidera coletivamente… Só falta saber quem levará a amarela: Figueiredo ou Moreira. O contrarrelógio é sempre um problema para o português e sete segundos é uma vantagem escassa. É dia de fazer o contrarrelógio da sua vida, pois o facto é que foi o melhor trepador desta Volta.

Moreira é forte no esforço individual e não há qualquer dúvida que a equipa tudo fez para o proteger. O próprio confessou o que foi claro nas imagens televisivas: o uruguaio sofreu a bom sofrer numa Senhora da Graça onde ganhou no ano passado.

Carvalho e Figueiredo (tão tranquilo pareceu estar na subida) “puxaram” o companheiro até à meta. Todos ficaram felizes, com Carvalho a vencer pela segunda vez na mítica subida. Fê-lo em 2019 e em 2022 fica ainda a apontar a um pódio que poderá então ser totalmente Glassdrive-Q8-Anicolor.

António Carvalho salientou que o plano foi ser ele o vencedor na Senhora da Graça, ainda que a principal preocupação fosse proteger a amarela e, como ficou claro, Mauricio Moreira, mesmo que o líder da Volta seja Frederico Figueiredo.

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O ciclista salvou Moreira quando este fraquejou em Miranda do Corvo e muito trabalhou para proteger os líderes. Foi a recompensa para uma Volta muito positiva de António Carvalho.

Falemos de Alejandro Marque

Aos 40 anos quis uma saída em grande. Na Torre teve de trocar de bicicleta, fazendo a subida na de Emanuel Duarte. Sorte madrasta, pois teve novamente problemas mecânicos.

Porém, não quis desistir do plano de atacar. A Atum General-Tavira-AP Maria Nova Hotel mexeu na corrida na subida do Barreiro. A única fase da etapa que a Glassdrive-Q8-Anicolor não controlou.

Marque acabou por seguir caminho sem companheiros, obrigando Figueiredo, Carvalho e Moreira a irem na sua roda se queriam disputar a etapa. Luís Fernandes também não falhou o momento crucial.

Lá mais à frente estava um Fábio Costa, o resistente da fuga de 13 ciclistas. Esperou pelos seus líderes. Meteu ritmo e quando Marque recolou após a troca de bicicleta e quase de imediato atacou, o jovem corredor manteve-se focado no seu trabalho.

Mondim de Basto nunca desilude. Multidão aplaudiu ciclistas num ambiente incrível antes da subida à Senhora da Graça.

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Apanharia o espanhol. Marque ainda tentou – com sucesso – pelo menos subir na geral. É agora quinto, por troca com André Cardoso (ABTF Betão-Feirense).

Excelente etapa do ciclista que está em final de carreira. No arranque para os 174,5 quilómetros do dia, em Paredes foi homenageado.

A caravana da Volta a Portugal uniu-se para despedir-se de Marque, Tiago Machado (Rádio Popular-Paredes-Boavista) e Micael Isidoro (ABTF Betão-Feirense), três ciclistas que estão a fazer a sua última Volta a Portugal.

As camisolas

Além da camisola da montanha, também a verde tem um vencedor virtual. Scott McGill (Wildlife Generation) resistiu na Senhora da Graça – tinha dito que tudo faria para chegar dentro do tempo limite – e só tem de cortar a meta em Gaia para concluir uma Volta para recordar.

Venceu pela primeira vez na carreira e logo duas etapas, juntando a classificação dos pontos, numa luta com João Matias (Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados) que tanto animou a Volta a Portugal.

Jokin Murguialday (Caja Rural-Seguros RGA) também está bem encaminhado para conquistar a camisola branca da juventude. São 5:39 minutos de diferença para Hélder Gonçalves (Kelly-Simoldes-UDO).

Contrarrelógio final

Partida do Porto, chegada na Maia. Está quase a cair o pano sobre mais uma edição da Volta a Portugal. Serão 18,6 quilómetros algo técnicos. Muitas viragens, algumas rotundas, mas um terreno sem oscilações de maior nesta 10ª e derradeira etapa.

O primeiro a ir para a estrada será José Bruzual, venezuelano da Java Kiwi Atlántico, às 15h06.

O top dez começará a sair às 16h42, com dois minutos a separar os corredores. Henrique Casimiro (Efapel Cycling) conseguiu na Senhora da Graça cumprir o objetivo delineado após a Torre – etapa na qual perdeu muito tempo – de entrar nos dez mais.

Mauricio Moreira partirá às 16h56, seguindo-se Luís Fernandes às 16h58. Inverte-se a ordem da classificação geral para que dois ciclistas da mesma equipa não saiam seguidos. O camisola amarela, Frederico Figueiredo, sairá às 17 horas.

Classificações completas:


Fotografias: Agnelo Quelhas e Fernando Correia/Podium Events

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