O contra-relógio vai mesmo decidir tudo. Nenhum dos candidatos quis aproveitar a Arrábida para, pelo menos, encurtar distâncias. Amaro Antunes está bem encaminhado para conquistar a Volta a Portugal, mas será que um certo ciclista vai deixar? Frederico Figueiredo vai tentar, mas o especialista e maior ameaça até é Gustavo Veloso, colega de Amaro na W52-FC Porto. Estando cada um por si, o espanhol não vai “levantar o pé”.

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1:13 separa Gustavo de Amaro, com Frederico Figueiredo a 13 segundos. O problema para o líder da Atum General-Tavira- Maria Nova Hotel é que o contra-relógio é o seu calcanhar de Aquiles. Por mais que vá tentar, manter o lugar no pódio será um objectivo. Amaro Antunes também está longe de ser forte nesta especialidade, o que faz com que a sua maior preocupação seja quem está a mais de um minuto.

Para Veloso, a estrada decidirá o mais forte. No prólogo, que venceu, deixou Amaro Antunes a 32 segundos em apenas sete quilómetros. Em Lisboa, esta segunda-feira, serão 17,7 quilómetros, em terreno plano e com empedrado. Veloso, além de ser melhor contra-relogista, está num terreno que o beneficia.

É quase um déjà vu. Em 2016, também Veloso tentou tirar a camisola amarela ao colega Rui Vinhas. Não conseguiu. Anda desde esse ano à procura da terceira vitória na Volta e aos 40 de idade não está longe. Porém, apesar do prólogo não ter sido o melhor para Amaro, as circunstâncias são outras neste último dia. Certamente que, como aconteceu com Vinhas, a motivação de Amaro estará em alta. Já foi segundo em 2017, agora pode vencer uma corrida que, mesmo quando foi para a CCC durante dois anos, nunca escondeu que queria ganhar.

Numa Volta a Portugal que se resumiu muito à etapa da Senhora da Graça, a W52-FC Porto fez o que tem feito há oito anos. Domina e até tem novamente dois ciclistas que podem ganhar.

© João Fonseca Photographer

A Efapel abdicou de um ataque de Joni Brandão na Arrábida, que provavelmente pouco resultado teria, para levar António Carvalho a uma vitória de etapa que merecia. O ciclista apresentou-se forte desde o início da corrida, mas acabou a sacrificar-se por Brandão. A Efapel perdeu a Volta na Senhora da Graça e ainda não foi desta que conseguiu contrariar a W52-FC Porto, mas Carvalho, um antigo ciclista da equipa do Sobrado, foi a Setúbal conquistar a etapa, ele que em 2019 havia vencido na Senhora da Graça. Não se pode dizer que serve de compensação para a equipa, mas sim de prémio para o ciclista.

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Entre a Ribeira das Naus e a Praça do Comércio, a Volta chegará ao fim, com pouco para contar, mas ainda com Veloso a querer reescrever uma história que Amaro espera estar perto de ter um final feliz e assim levar a taça novamente para o Algarve, tal como João Rodrigues em 2019.

De salientar que na última etapa em linha (Loures-Setúbal, 161 quilómetros), Luís Gomes foi para a fuga, somando mais do que os pontos que precisava para garantir a camisola vermelha. Só um o separava de Daniel McLay (Arkéa Samsic), mas o britânico já estava satisfeito com as duas vitórias de etapa. Para a Kelly-Simoldes-UDO é mais um objectivo alcançado, depois do mesmo ciclista ter ganho a tirada que terminou no Alto de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) já tinha garantida a camisola da montanha, numa conquista muito importante para um jovem de apenas 23 anos.

Classificações completas, via FirstCycling.

(Texto originalmente publicado no blog Volta ao Ciclismo.)

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