Será que ter equipamentos com máxima impermeabilidade é o melhor para “vencer” a chuva em cima da bicicleta? Será que falhamos treinos de ciclismo no inverno por causa da chuva intensa ou porque ficamos demasiado quentes, molhados por dentro ou incapazes de regular a temperatura quando o ritmo muda?

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Quem escolhe equipamento apenas para “não se molhar” pode estar a ignorar um dos fatores mais críticos: o esforço contínuo e variável.

Waterproof e water-resistant não são duas designações para a mesma coisa; são respostas diferentes a problemas diferentes. E, se pedalas com regularidade e não apenas quando o tempo está perfeito, esta distinção não é um detalhe.

Waterproof e water-resistant respondem a problemas diferentes, pois a chuva não é o único “inimigo” no inverno; o suor, o vento, a intensidade do esforço e a duração do treino contam tanto ou mais do que a água que cai do céu.

Se escolhes apenas com base na impermeabilidade máxima, podes estar a otimizar para um cenário extremo e a penalizar todos os outros.

Waterproof: quando faz sentido?

Peças waterproof são desenhadas para bloquear totalmente a entrada de água. Isso implica membranas com colunas de água elevadas, costuras seladas e construção mais rígida. Em contexto urbano, commuting ou uso casual, faz todo o sentido.

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Contudo, no ciclismo isto só faz sentido em cenários bem definidos, com chuva forte e contínua, temperaturas baixas e intensidade moderada.

O problema surge quando o esforço sobe. A respirabilidade, mesmo nas melhores membranas, tem limites; quando esses limites são ultrapassados, o resultado é previsível: seco por fora, molhado por dentro. E assim que baixas o ritmo ou paras, o frio instala-se rapidamente.

Water-resistant: quando é mais eficaz?

O water-resistant parte de uma abordagem mais “honesta”. Não promete isolamento total, mas oferece proteção suficiente contra chuva fraca, salpicos e humidade constante, enquanto prioriza respirabilidade e gestão térmica.

Softshells bem construídos, tecidos com tratamento DWR (Durable Water Repellent) e painéis bem posicionados permitem pedalar horas em condições típicas do inverno português sem entrares no ciclo clássico de suor excessivo seguido de arrefecimento. Vais molhar-te em alguns momentos? Sim. Vais ficar desconfortável durante horas? Muito menos provável.

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E aqui está a diferença que interessa: talvez assim consigas continuar a treinar com qualidade.

A maioria dos ciclistas escolhe casacos como se todos os treinos fossem iguais. Não são. Um waterproof pode funcionar numa volta calma ou de recuperação, mas é um erro claro num treino intenso, numa subida longa ou numa saída de grupo.

A pergunta certa não é “vai chover?”, mas sim “quanto vou suar e durante quanto tempo?”… Se a resposta for “bastante”, o waterproof pode deixar de ser solução e passar a ser um problema.

E o vento?

Outro erro comum é subvalorizar o vento. Muitas peças water-resistant oferecem excelente proteção corta vento, o que na prática resolve grande parte do desconforto associado à chuva leve e ao frio.

O vento acelera a perda térmica muito mais do que a água. Proteger o core e manter uma temperatura estável é, na maioria das situações, mais relevante do que garantir impermeabilidade absoluta.

Então, o que escolher?

O inverno não é linear. Começas com frio, aqueces a meio, apanhas uma aberta, arrefeces numa descida longa. Uma peça water-resistant, mais elástica e respirável, adapta-se melhor a estas variações. Dá margem de erro.

Um casaco waterproof rígido exige gestão de camadas quase perfeita. Erras facilmente e pagas o erro durante horas.

Se pedalas com regularidade, treinas com alguma intensidade e encaras o inverno como parte normal da época, a resposta é simples: water-resistant deve ser a base do teu guarda-roupa de inverno.

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Por sua vez, a roupa waterproof deverá existir como “ferramenta” específica, não como solução universal.

Crédito das imagens:
Unsplash.com

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