Podemos afirmar que a marca surpreendeu com o lançamento desta Specialized S-Works Aethos Dura-Ace Di2, uma nova bicicleta de estrada posicionada bem no cimo da hierarquia de preços, mas habilmente publicitada como solução alternativa e que não canibaliza o modelo topo de gama Tarmac SL7, a máquina de competição por excelência da marca norte-americana.

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Por isso, é certo que não veremos a Specialized S-Works Aethos Dura-Ace Di2não a ser usada por João Almeida ou por qualquer outro corredor da Deceuninck-QuickStep ou da Bora-Hansgrohe, equipas do WorldTour patrocinadas pela Specialized. Nem sequer nos treinos.

Mas atenção: esta constatação não se deve a um menor desempenho da Aethos, muito pelo contrário, visto que esta dispõe das enormes qualidades que também são reconhecida à SL7. E ainda lhe acrescenta um factor que a favorecia desde logo em competição: a maior leveza.

Abaixo do limite?

Falamos de uma leveza extra ao ponto de colocar esta fenomenal bike abaixo do peso mínimo regulamentado pela União Ciclista Internacional (UCI), que é de 6,8 kg. Com tão-só 6,2 kg (em tamanho 56 e sem pedais), a nova “coqueluche” da gama S-Works estabelece assim uma nova referência em bicicletas de travão de disco.

O peso-pluma e a montagem com componentes de primeira escolha tornam-na uma extraordinária bicicleta para percursos montanhosos, acredita… Contudo, por 13 mil euros, em que pontos se notam outras efetivas mais-valias comparativamente à incrível Tarmac SL7? Vamos ver com mais atenção…

‘A conversa’ da Specialized de que esta nova bicicleta não foi projetada para competir parece-nos… pura ‘conversa’!

A resposta não é mais-valia, mas sim diferença. A Aethos propõe a diferença, sabendo quão subjetiva e suscetível ao gosto pessoal esta poderá ser. Por isso, ponto prévio: a “conversa” da Specialized de que a nova bicicleta não foi projetada a competição (mas sim para “a mais pura experiência proporcionada por uma bicicleta de estrada e pelo “prazer das sensações na prática do ciclismo”), parece-nos…. pura “conversa”!

A Aethos vale por si própria. O fabricante não quis com ela desenvolver uma bicicleta ainda mais aerodinâmica e rápida do que a SL7, concentrou-se em criar um produto distinto e em claríssimo apelo à exclusividade.

Fê-lo com recurso a algumas características específicas que vão além do referido peso forma de norma, mas em que este é indiscutivelmente o principal fator de persuasão.

O Aethos é anunciado como o quadro de estrada de disco mais leve de produção em série, pesando 585 gramas no tamanho 56. E 565 gramas na edição Founder’s Edition.

Desde logo, atenção à geometria tradicional do quadro, que o demarca do padrão moderno em que a Tarmac SL7 é replicante e replicador. As linhas e os ângulos são conservadores, mas as amplas regulações da Aethos permitem configurá-la na geometria daquela, garante a Specialized.

Todavia, por detrás do quadro retro esconde-se uma engenharia sofisticada, cujo responsável é Peter Denk, criador da Scott Addict original e das duas primeiras gerações da Cannondale SuperSix EVO.

Com recurso a um supercomputador reduziu-se material (carbono, entenda-se…) sempre que possível, sem sacrificar a rigidez. Em vez de reforçar o quadro em pontos específicos, promove-se a moldura, tornando-a o mais homogénea possível.

A Specialized diz que não é o tubo inferior, mas sim o superior que atua como a espinha dorsal do novo quadro, para que o Aethos pudesse girar ao longo do eixo horizontal nas curvas e minimizar a influência das secções dianteira e da traseira no comportamento da bicicleta, proporcionando maior estabilidade.

O Aethos é publicitado como o quadro de estrada de disco mais leve de produção em série, pesando 585 gramas no tamanho 56 – 565 gramas na edição Founder’s Edition, limitada a 300 unidade em todo o mundo –, que a deixa a bicicleta completa (sem pedais apenas) com um somente 6,2 kg na versão convencional (5,9 kg na Founder’s Edition, com o contributo de um ou outro componente mais leve).

Look retro!

À geometria à antiga e ao peso de trepadora acrescenta-se outra peculiaridade: a divergência da Aethos da tendência geral das bicicletas modernas para a integração dos cabos, que no novo modelo S-Works não estão na íntegra.

Aqueles são visíveis desde a sua saída no guiador até à entrada no quadro, junto no topo do tubo inferior. Mais vanguardista é a restrição da compatibilidade do quadro Aethos face a grupos eletrónicos e (como mencionado) a travões de discos.

A Aethos recebe comprovado grupo Shimano Dura-Ace Di2 com pratos 52-36 e cassete 11-30. Escolha sem contestação.

Outro tradicionalismo é o cockpit de dois componentes (guiador e avanço em separado). Nenhuma integração, entenda-se. Mais um elemento que já pode ser considerado retro. A versão Founder’s Edition dispõe, de série, do novo cockpit integrado Roval Alpinist, mais leve também: 247 gramas (medidas de avanço de 110 mm e de guiador de 420 mm).

Ambas as versões têm o novo espigão de selim Alpinist da marca de componentes da Specialized (136 gramas em 27,2 mm x 300 mm). Outra vez, grama a grama até leveza máxima. A Aethos recebe o comprovado grupo Shimano Dura-Ace Di2 com pratos 52-36t e cassete 11-30t nas duas versões em comercialização. Uma escolha sem contestação e que se revela fluida e eficaz a todos os níveis.

Para completar a apresentação, um último apontamento de apelo à exclusividade: a pintura única no catálogo da Specialized e a quase inexistência de inscrições e emblemas, exceto a denominação do modelo discretamente inscrita nos braços do garfo, outras com referência à gama (S-Works) acompanhada da data de fundação da marca californiana (1974) no tubo superior, à frente, junto à direção. E um outro no fundo do tubo inferior, com identificação da tecnologia de fabrico do quadro (Fact Carbon 12R), e o tradicional logótipo na testa do quadro.

Bicicleta de competição… para desfrutar? Venham as serras e as montanhas para que os recordes pessoais comecem a cair e/ou os adversários a sofrer…

Uma bicicleta topo de gama de competição ou… para desfrutar, como a Specialized quer “vendê-la”? A S-Works Aethos faz as delícias de todos os indefetíveis do baixo peso e dos trepadores.

Em subidas longas e/ou íngremes proporciona indiscutível vantagem sobre a maioria das concorrentes, poupando muitíssimo as pernas ao utilizador. Venham as serras e as montanhas para que os recordes pessoais comecem a cair e/ou os adversários a sofrer… Também se pode passear com esta máquina em relevo plano, ondulado ou empinado, mas não é a mesma coisa.

‘Mestre’ a subir…

Nestes dois últimos, principalmente, a Aethos pede que carreguemos nos crenques para aferir a sua mais-valia. A geometria do quadro, “embora” menos moderna, não deixa de proporcionar uma posição ergonomicamente correta, mais agressiva ou mais confortável, e a leveza e a fluidez com que avança são impressionantes.

Não há pecha de rigidez no quadro, com as rodas Roval Alpinist CLX de 33 mm, o pedaleiro Shimano Dura-Ace e todos os periféricos a contribuírem para a elevada resistência à torção. Pedalando em crenques ou sentado, homem e máquina funcionam como um todo. Haja pernas e é ver a Aethos disparar!

Referindo-nos ao pedaleiro, é obrigatório o elogio à integração de medidor de potência (duplo) Shimano Dura-Ace, preciso e durável, e um instrumento cada vez menos negligenciável nas bicicletas de alta performance – e uma forma de os fabricantes encarecer-lhes o preço.

Em terreno plano, a nova bicicleta da Specialized para apreciadores não é tão exuberante na performace, todavia não degenera das suas superiores qualidades em montanha. Apenas tem o incontornável constrangimento de não ser sequer uma “all rounder” moderna, harmonizando aerodinâmica, a leveza e manobrabilidade destas.

Conservadorismo do design ‘oblige’. Não é assim em descida, revelando surpreendente precisão e estabilidade, virtudes amparadas na eficácia dos travões de disco.

Por outro lado, a Specialized esbarra na pretensão de apregoar a Aethos como uma bicicleta para desfrutar se considerar se a isso é inerente o conforto. Porque está longe de ser confortável, principalmente em piso irregular. No entanto, também neste ponto não há lugar a demasiado incómodo ou deslustrando o quadro de excelência desta máquina de 13 mil euros.

Alguns destaques:

Rodas Roval Alpinist CLX

Um “mimo”. E um misto de leveza e robusta que é “meio caminho pedalado” para termos sensações fantásticas a rolar, a descer, a subir…

Medidor de potência

Integrado no sistema do pedaleiro, pronto para medir como está o nível de watts gerados por essas pernas!

Geometria tradicional

Além de uma geometria muito tradicional no quadro, nota-se uma quase ausência de inscrições, logotipos e emblemas. Esta inscriçãoAethos é praticamente a única, a somar ao logotipo da marca na parte da frente.

Specialized S Works Aethos Dura Ace Di2

Componentes de topo, claro…

O selim Body Geometry S-Works Power, por exemplo, é um dos mais leves e caros no catálogo da Specialized. Uma bike a este nível não poderia deixar de apresentar componentes também ao mais alto nível.

A nossa avaliação…

A Specialized S-Works Aethos Dura-Ace Di2 é a prova do avanço da tecnologia afeta à construção dos quadros, neste ilustrando como um design datado proporciona uma geometria “moderna”, correta e eficiente.

Infelizmente, também é exemplo cabal do inflacionamento despudorado que os fabricantes conferem atualmente aos preços. Neste caso com a justificação da exclusividade, da diferença que a Aethos (realmente) oferece ao seu utilizador/proprietário.

Por 13 mil euros, o elitismo está nos píncaros. É preciso querer muito ter uma das bicicletas de disco mais leves, gostar muito da imagem retro, simples e discreta, com pormenores requintados. Únicos, lá está! Porque se a Specialized quisesse vender esta bicicleta para cicloturistas amantes das sensações puras do ciclismo, a Aethos deveria custar menos de um quarto do seu preço. Perante isto, esta bicicleta certamente tem de ser especial – e é!

De qualquer forma, cremos que a marca poderia ter feito a Aethos com ‘apeal high-tech’ em vez de retro, conferindo-lhe uma imagem conceptual e não tradicional. Porque a tecnologia de conceção do quadro efetivamente é state of the art de alta tecnologia. 

Pontos mais positivos

  • O peso. Ou melhor, a ausência dele, a extrema leveza da Aethos, que promove ainda a manobrabilidade e o dinamismo ótimos da bicicleta, senhora de um comportamento extremamente eficaz, quer a subir, quer a descer.
  • As rodas Roval Alpinist CLX de 33 mm são ultraleves, rígidas, confortáveis q.b., e são escolha ideal para apurar o desempenho da Aethos.
  • A disponibilidade de série do potenciómetro Shimano Dura-Ace, instrumento de treino/competição cada vez menos dispensável, e que confirma que a Aethos é uma bicicleta de corrida em potencial, ainda que o peso seja inferior ao limite mínimo regulamentado pela UCI.

 Pontos a melhorar

  • O conforto de rolamento é, sem dúvida, a principal lacuna do desempenho da Aethos. Sobre pisos mais irregulares transmite bastantes vibrações, embora sem atingir um nível excessivo.
  • O preço é “hardcore”, indiscutivelmente mais apropriado a uma edição especial de autor do que um modelo, ainda que revestido de fortíssimo apelo à exclusividade. Haverá muito poucas Aethos na estrada, certamente.
  • A Aethos distancia-se do conceito atual de integração. Nesta versão de base, cockpit com guiador e avanço separados e alguns cabos expostos, embora pouco e discretamente.

Todas as fotos:

Galeria de pormenores:

Especificações da Specialized S-Works Aethos Dura-Ace Di2:

  • Quadro: S-Works Aethos FACT 12r Carbon, pedaleiro BB, sistema de cabos eletrónico apenas, eixo passante de 12x142mm e montagem para travões de discos
  • Forqueta: S-Works FACT Carbon, eixo passante de 12×100 mm, montagem para travões de disco
  • Guiador: S-Works Short & Shallow
  • Avanço: S-Works SL, alumínio, parafusos em titânio bolts, 6 graus de inclinação
  • Fita de guiador: Supacaz Super Sticky Kush
  • Selim: Body Geometry S-Works Power, estrutura e carris em carbono
  • Espigão de selim: Roval Alpinist Carbon
  • Apoio de selim: Alumínio, 30.0 mm, parafusos em titânio
  • Travão dianteiro: Shimano Dura-Ace R9170, disco hidráulico
  • Travão traseiro: Shimano Dura-Ace R9170, discos hidráulico
  • Manetes: Shimano Dura-Ace Di2 Disco R9170
  • Desviador dianteiro: Shimano Dura-Ace Di2 R9150
  • Desviador traseiro: Shimano Dura-Ace Di2 R9150, 11 velocidades
  • Cassete: SunRace, 11 velocidades, 11-32
  • Pedaleiro: Shimano Dura-Ace R9100, HollowTech 2, 11 velocidades, c/ potenciómetro de dupla medição, pratos 52/36T
  • Eixo pedaleiro: Shimano Dura-Ace, BB-R9100
  • Corrente: Shimano Dura-Ace, 11 velocidades
  • Roda dianteira:  Roval Alpinist CLX, aro em carbono de 21 mm e 33 mm de altura, eixo Roval AFD, 21h, raios DT Swiss Aerolite
  • Roda traseira: Roval Alpinist CLX, aro em carbono de 21 mm e 33 mm de altura, eixo Roval AFD hub, 24h, raios DT Swiss Aerolite
  • Pneus: Turbo Cotton, 320 TPI, 700x26mm
  • Câmaras de ar: Turbo Ultralight, 48 mm
  • Peso: 6,2 kg (no tamanho 56)
  • Preço: 12.999 euros

Site oficial:

Neste teste:

  • Texto: Ricardo Costa
  • Fotografia e vídeo: Jorge Lopes
  • Riders: Ricardo Costa e Nuno Margaça

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