Sem o fulgor dos tempos áureos de Marcel Kittel (já retirado), John Degenkolb e, claro, Tom Dumoulin (que também já abandonou o ciclismo), a Team DSM vai tentando manter-se como uma equipa capaz de alcançar boas vitórias. Pode não vencer muito, mas gosta de o fazer nas grandes corridas.

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Em 2022, conquistou apenas dez triunfos (20ª no ranking UCI), mas metade foram em provas do World Tour, ficando a frustração pelo abandono de Romain Bardet no Giro, quando mostrava estar em tão boa forma.

O francês continua a ser a principal figura – mantém-se o objetivo de lutar por um pódio numa grande volta – ainda mais quando a equipa vê sair mais um potencial líder: Thymen Arensman. Este tem sido um problema da DSM em anos recentes. Tem jovens de muito talento, que alcançam bons resultados – Arensman esteve muito bem no Giro e venceu uma etapa na Vuelta -, mas acabam por sair.

O neerlandês rumou à INEOS Grenadiers e aumentou a lista de ciclistas que poderiam ter ajudado a equipa a crescer, mas não quiseram ficar, surgindo até algumas críticas no método de trabalho na DSM. Jai Hindley, Tiesj Benoot, Marc Hirschi, Michael Storer são apenas quatro exemplos de bons corredores que já não estão nesta formação.

Bardet, por seu lado, só tem elogios, pois na DSM sente-se claramente mais à vontade, sem a pressão de ser um francês numa equipa francesa (AG2R Citroën). É nele que voltam a centrar-se grande parte das esperanças, pois, em boa forma, Bardet revelou na última temporada que ainda poderá ter algo a dizer numa grande volta, mesmo sem contar com uma equipa muito forte em seu redor.

Além de Arensman, perder Soren Kragh Andersen, Nikias Arndt e Casper Pedersen, foi ver sair corredores com influência na estrutura. Há ainda o caso de Cees Bol. O sprinter não renovou, mas ainda não tem equipa para 2023, já que tem vindo a ser ligado como um reforço para o comboio de Mark Cavendish. O único senão, é que o britânico também continua sem ter equipa.

Mas Cees Bol sair não preocupa em demasia, pois a DSM tem outras opções para este tipo de finais de prova, como o italiano Alberto Dainese. John Degenkolb permanece, mas sem se saber muito bem como contar com um alemão há tanto tempo afastado dos grandes momentos.

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Porém, numa equipa com tanta juventude, Degenkolb tem sempre um papel relevante, dada a sua experiência. Apesar da DSM não conseguir manter muitos dos jovens que vai formando tanto na sua estrutura de desenvolvimento, ou que vai contratando para a equipa principal, a aposta não diminui.

Dos nove reforços, seis têm menos de 23 anos. Mas o destaque vai para um ciclista de 25: Harm Vanhoucke. O belga começou a mostrar-se na Lotto Soudal, já andou perto de vencer etapas no Giro e soma bons resultados nas principais provas por etapas.

Uma boa contratação para que Bardet não seja figura única neste tipo de corridas, ainda que Andreas Leknessund seja um ciclista a seguir com atenção em 2023, assim como o checo Pavel Bittner, que tem apenas 20 anos.

Alex Edmondson e Patrick Bevin chegam para dar um toque de experiência sempre importante, com este último a poder dar até mais. Em 2022 venceu a Volta à Turquia e esta mudança para a DSM também terá uma motivação de querer mais liberdade.

Reforços: Alex Edmondson (Aus, 29 anos, BikeExchange-Jayco), Harm Vanhoucke (Bel, 25, Lotto Soudal), Lorenzo Milesi (Ita, 20, Development Team DSM), Matthew Dinham (Aus, 22, Team BridgeLane), Max Poole (GB, 19, Development Team DSM), Oscar Onley (GB, 20, Development Team DSM), Patrick Bevin (NZ, 31, Israel-Premier Tech), Sean Flynn (GB, 22, Swiss Racing Academy) e Tobias Lund Andresen (Din, 20, Development Team DSM).

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Permanências: Alberto Dainese (Ita, 24), Andreas Leknessund (Nor, 23), Casper van Uden (PB, 21), Chris Hamilton (Aus, 27), Florian Stork (Ale, 25), Frederik Rodenberg (Din, 20), Jonas Iversby Hvideberg (Nor, 23), John Degenkolb (Ale, 34) Kevin Vermaerke (PB, 21), Leon Heinschke (Ale, 23), Marco Brenner (Ale, 20), Marius Mayrhoffer (Ale, 22), Martijn Tusveld (PB, 29), Niklas Märkl (Ale, 23), Nils Eekoff (PB, 24), Pavel Bittner (Che, 20), Romain Bardet (Fra, 32), Romain Combaud (Fra, 31), Sam Welsford (Aus, 26) e Tim Naberman (PB, 23).

Saídas: Asbjorn Kragh Andersen (Din, 30, retirou-se), Casper Pedersen (Din, 28, Soudal Quick-Step), Cees Bol (PB, 27), Joris Nieuwenhuis (PB, 28, Baloise-Trek Lions – ciclocrosse), Mark Donovan (GB, 23, Q36.5 Pro Cycling Team), Nico Denz (Ale, 28, BORA-hansgrohe), Nikias Arndt (Ale, 31, Bahrain-Victorious), Soren Kragh Andersen (Din, 28, Alpecin-Deceuninck) e Thymen Arensman (PB, 23, INEOS Grenadiers).

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Fotografia: Facebook Team DSM

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Elisabete Silva
Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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