Pensar apenas em treinar para ganhar, ou ajudar a ganhar, era algo que não chegava para Lachlan Morton. O australiano queria ser ciclista profissional, mas percebeu que precisava de algo mais.

- - - Pub - - -

Specialized Recolha em Loja

Encontrou o equilíbrio perfeito na sua carreira quando abraçou desafios bem diferentes do que se vê num ciclista de estrada, que esteja ao mais alto nível. Melhor ainda para Morton foi encontrar uma equipa que partilha a sua visão da bicicleta.

Seja no gravel ou no BTT e, claro, na estrada, seja fazer dois mil quilómetros ou tentar subir o Evereste… no Colorado, Morton (28 anos) tornou-se numa espécie de ciclista alternativo na EF Pro Cycling. As suas aventuras acabaram por dar grande popularidade a um ciclista que no pelotão World Tour acaba por ter uma missão de ajuda e não de protagonismo.

Entre os desafios mais recentes estão o Kokopelli Trail, no Colorado, completando a distância de cerca de 225 quilómetros em 11 horas e 14 minutos. Estamos a falar de trilhos que não são para qualquer um e que Morton até fez parte às escuras, pois durante a noite ficou sem bateria na luz frontal ao fim de 30 minutos!

Obstáculo? Não, desafio

Mas Morton é assim. Não vê um obstáculo, “apenas” um desafio. É o caso do mais recente que completou, inicialmente com sucesso, mas afinal o ciclocomputador terá traído Morton.

O australiano fez o Everesting, ou seja, subiu 8848 metros, o equivalente a subir o Evereste. Morton escolheu o Rist Canyon, no Colorado, uma subida de 1,9 quilómetros, com 11% de pendente. Precisou de ascender 42 vezes, o que demorou 7h32m54s. Um recorde… mas não. Afinal a tentativa ficou curta.

Os organizadores deste desafio, Hells 500 e a Canadian Cycling Magazine, fizeram as contas e Morton ficou a cerca de 450 metros de completar o Evesresting, com a possibilidade do GPS do ciclocomputador não estar corretamente calibrado. Reação do ciclista? “Parece que tenho de fazer outra vez”, escreveu no seu Instagram.

E esta é a forma de ser que tornou Morton protagonista longe da estrada, apesar de representar uma equipa do World Tour desta vertente. Este estilo de vida surgiu depois de no final de 2014 ter ficado sem contrato para continuar ao mais alto nível do ciclismo, quando representava a então Garmin Sharp.

A transformação

Com apenas 22 anos, Morton não estava preparado para enfrentar um eventual final precoce de carreira e admitiu numa entrevista que “bateu no fundo”.

Aceitou competir pela formação Continental americana Jelly Belly p/b Maxxis, mas foi quando se começou a dedicar ao gravel e a experiências de bicicletas diferentes do ritmo competitivo da estrada, que finalmente encontrou o equilíbrio.

LÊ TAMBÉM:  Betalú mais perto de feito histórico. Galicia sem concorrência na Titan Desert

Para Morton foi decisivo perceber que o ciclismo é muito mais do que ganhar. Acabou por regressar ao World Tour em 2017 com a Dimension Data, antes de regressar à estrutura outrora Garmin Sharp, agora EF Pro Cycling, em 2019. Foi através da Rapha, marca dos equipamentos da equipa, que percebeu que poderia fazer tudo o que mais gostava, sem ter de pensar que primeiro estavam as obrigações de estrada e o resto ficaria para os tempos livres.

“Percebi que era uma oportunidade única para juntar as duas paixões que tenho no ciclismo, a aventura e a elite”, afirmou numa entrevista à revista Procycling. O que se seguiu foi um currículo que não entra nas estatísticas oficiais, pois além da Rapha, também a própria equipa apoiou o “calendário alternativo” de Morton.

Um dos exemplos foi completar o GBDuro, que significou partir do sul de Inglaterra e fazer dois mil quilómetros e 29 mil metros de acumulado, até ao norte da Escócia de bicicleta, tendo de transportar o seu saco-cama, alimentar-se por conta própria, sobreviver como podia às adversidades de quem tinha de completar a prova sozinho.

Nova tentativa

Fazer o Everesting foi uma ideia que, após um adiamento inicial devido a problemas estomacais, Morton resolveu atirar-se à estrada no dia seguinte ao um churrasco com a família. Afinal, porque não fazer? Porém, o de Keegan Swenson (homem do BTT) recorde continuava à espera de quem o batesse: 7h40m05s.

Morton não fez por menos. Já se fez à estrada novamente, antes que a época arranque novamente e o tempo escasseie, para completar este desafio. Tempo: 7h29m57s. E segundo o site CyclingTips desta vez é mesmo oficial, Lachlan Morton é o novo recordista do Everesting.

O ciclista regressou à mesma subida de Rist Canyon, mas utilizou um segmento ligeiramente diferente do Strava. Além disso, fez mais uma volta só para ter a certeza que não faltaria qualquer metro para os 8848 metros.

Saudades da competição

Fazer um “calendário alternativo” continua a ser um plano tanto para Morton, como para a EF Pro Cycling – equipa que conta com o português Ruben Guerreiro -, contudo, não deverá ser o próximo objetivo, pois continua a ter o gosto pelas corridas. Com o reatamento da temporada a aproximar-se, Morton não esconde que quer regressar ao ambiente competitivo do World Tour.

No entanto, de Lachlan Morton, já se espera tudo! Até lá, vive assim, nas suas próprias palavras: “Um dia de cada vez.”

GoRide

Subscreve a Newsletter GoRide!

Todos os artigos diretamente no teu email.