“No ciclismo há fases em que nada sai e há outras em que tudo corre bem”. A frase de Luís Mendonça após a vitória na primeira etapa do Grande Prémio Abimota explica bem a época do ciclista, mas também um pouco a da sua equipa.

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À Glassdrive/Q8/Anicolor tudo corre bem desde que somou a primeira vitória do ano nas Clássicas Aldeias do Xisto, no final de março. Mendonça é um dos principais responsáveis por perpetuar esta senda vitoriosa. Soma seis dos dez triunfos da formação – ao que acresce conquistas de outras classificações – além de ter tido papel importante em grandes exibições de colegas.

E quem pára a Glassdrive/Q8/Anicolor? A Rádio Popular-Paredes-Boavista bem está a tentar. Se no sábado Daniel Freitas foi segundo, este domingo Hugo Nunes conseguiu bater Mendonça (terceiro), deixando Rafael Silva (Efapel Cycling) na segunda posição. Ainda assim, o resultado não evitou a conquista da geral por parte do corredor da Glassdrive/Q8/Anicolor, num resultado ainda mais importante tendo em conta que a chegada foi em Águeda, sede da equipa.

A estrutura de José Santos tem sido das mais combativas, tentando quebrar a quase hegemonia da Glassdrive/Q8/Anicolor. Foi o segundo triunfo da temporada – Daniel Freitas conquistou em março a Clássica da Primavera -, mas a Rádio Popular-Paredes-Boavista tem sido presença assídua no pódio e no Abimota não se ficou pelo triunfo de Hugo Nunes. Este ciclista foi segundo na geral, a quatro segundos de Mendonça, o espanhol Alberto Gallego conquistou a classificação da montanha, César Martingil a das autarquias e a equipa venceu coletivamente.

A caminho da vitória que lhe falta?

Apesar da boa prestação da Rádio Popular-Paredes-Boavista e da Efapel Cycling (Rafael Silva fechou na terceira posição na geral, a oito segundos), o dia pertenceu, mais uma vez, à equipa liderada por Rúben Pereira. O diretor desportivo vê certamente o moral entre os seus ciclistas aumentar a cada vitória, numa altura em que a Volta a Portugal começa a estar no pensamento de todos.

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Certamente que estará no de Luís Mendonça. É um corredor que chegou tarde ao ciclismo, mas mais do que a tempo de construir um palmarés bem interessante. Contudo, nunca escondeu o seu grande desejo: vencer uma etapa na Volta a Portugal. Tem escapado, mas não desiste e vai dando excelentes indicações esta temporada.

2022 nem teve um início auspicioso para o corredor de 36 anos. A covid-19 prejudicou-lhe a preparação e as sequelas chegaram a deixá-lo um pouco preocupado. Tudo acabaria por ser ultrapassado e eis Mendonça a realizar uma temporada sensacional. Ganha e ajuda a ganhar, sendo um corredor conhecido por dar tudo por um líder quando é chamado a trabalhar e a dar tudo para vencer, quando lhe é dada a liderança. E não esquece quem o ajuda.

“Foi uma etapa muito mais difícil do que ontem, sempre a controlar, desde o quilómetro zero. Tenho que prestar uma homenagem a dois jovens da minha equipa, que estiveram sempre ao meu lado, Afonso Eulálio e Fábio Costa, que se impuseram de uma forma exemplar na montanha e permitiram conquistarmos este resultado”, afirmou no final do Abimota.

Sobre a discussão da etapa disse: “A cerca de 25 metros do final ainda pensei que poderia cortar a meta em primeiro, mas as forças já vinham muito ‘justas’ e acabei por ser passado em cima do risco. Cortei a meta em terceiro, mas o que interessa é a vitória final e fico muito feliz por dar este prémio à Glassdrive/Q8/Anicolor.

Refira-se que Mendonça garantiu ainda mais uma camisola dos pontos e estes foram os vencedores das restantes classificações: Francisco Morais (Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados), metas volantes; Daniel Dias (Kelly/Simoldes/UDO) a geral bolinhas; Steven Bayona (Previley Maglia Coforma Bembibre) geral da juventude e a Cristobal Ramirez foi a melhor equipa de clube.

As etapas

O Grande Prémio Abimota é das corridas mais antigas em Portugal. Já são 42 edições. Este ano foram duas etapas e bastante idênticas na forma como o pelotão as enfrentou.

No sábado percorreram-se 184,9 quilómetros entre Leiria e Vouzela. Muitos ataques, mas nenhum a resultar numa fuga que permitisse os ciclistas ambicionar a vitória. O objetivo no pelotão era mesmo uma chegada compacta e Mendonça mostrou as suas características que sprinter e como está em grande forma.

Daniel Freitas foi então segundo e Gonçalo Amado, terceiro. Este ciclista somou mais um resultado de nota para uma Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados, que tem sido das poucas equipas a conseguir “furar” o domínio da Glassdrive/Q8/Anicolor, aparecendo também constantemente no pódio, não esquecendo que soma dois triunfos em 2022.

No domingo, o panorama repetiu-se nos 173,9 quilómetros que ligaram Anadia e Águeda. Ataques e contra-ataques não deram descanso à Glassdrive/Q8/Anicolor, que conseguiu controlar a corrida e garantir nova chegada compacta. Não conquistou a etapa, mas a missão de ganhar a geral foi cumprida.

Aproxima-se agora uma das fases mais esperada da temporada, com os Nacionais agendados entre 24 e 26 de Junho, seguindo-se o Troféu Joaquim Agostinho (30 de Junho a 3 de Julho).


Fotos: João Fonseca Photographer

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Elisabete Silva
Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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