Chegou discreto, mas terminou com todos a saber o seu nome e a ver que na Costa Rica há talentos a quererem mostrar-se na Europa. Gabriel Rojas intrometeu-se numa luta que parecia ser principalmente entre portugueses e, quando chegou a etapa rainha da Volta a Portugal do Futuro, foi o melhor em São Macário, naquela que espera ter sido a primeira vitória de muitas na Europa.

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Muito sorridente, simpático, mas sem esconder a sua humildade, Gabriel Rojas, 20 anos, falou com o GoRide.pt sobre o que significou vencer a principal corrida para sub-23 em Portugal, de como gosta de provas que o obriguem a ter a adrenalina em alta e como aprecia o contrarrelógio.

Representa a Essax, equipa amadora espanhola, com jovens ciclistas que mostraram ter viajado até Portugal com a lição bem estudada para triunfar. Rojas nunca se cansou de agradecer aos companheiros, que vê como uma família. Se no domingo foi dia de festa em Castelo Branco, foi no sábado que deu o golpe que acabaria por ser decisivo na vitória final.

Era um mano a mano, a ver quem tinha mais pernas. Graças ao trabalho da equipa, conseguimos o que queríamos.

Venceu na Serra de São Macário, onde deixou toda a concorrência para trás. Saltou para a liderançaquando tinha começado com mais de um minuto de atraso para o então camisola amarela.

“Foi um dia duro, uma etapa muito mexida, muitos ataques e sabia que queria chegar lado a lado com os principais ciclistas à última subida. Era um mano a mano, a ver quem tinha mais pernas. Graças ao trabalho da equipa, conseguimos o que queríamos”, recordou.

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Deixou também elogios à prova em si: “Gostei muito de estar aqui. A corrida é muito bem organizada. É uma corrida de sub-23, mas é como uma de elite. Muito bem organizada e as equipas são muito boas, é preciso estar sempre atento. Nota-se que é uma corrida com muito nível”.

Da Costa Rica para a Europa

Desde pequeno que Rojas anda de bicicleta. Começou como qualquer criança, a sair com os amigos e há 12 anos que faz competições. “Desde pequeno que gosto de bicicleta. Saíamos por aí e foi assim que ganhei este gosto pelo desporto”, contou-nos.

É um ciclista com algum palmarés como jovem, entre títulos nacionais e até uma vitória nos Jogos Pan-Americanos de sub-23, no ano passado. Além de triunfos, soma resultados que o deixam orgulhoso e o motivam a continuar, a melhorar e a tentar chegar a uma equipa profissional e às grandes corridas mundiais.

Realçou como o ciclismo em todo o lado tem as suas parecenças, mas, claro, há muitas diferenças da Costa Rica para a Europa. Porém, considera que a adaptação, desde que chegou há uns meses, está a correr muito bem. “Estou muito contente. Passei dias difíceis e duros aqui, mas também passei excelentes dias e cada vez estou a desfrutar mais, aqui somos uma família e estou a gostar muito, cada vez mais, de estar aqui no ciclismo”, referiu.

Gosto muito do contrarrelógio. É muito diferente, é quase como outro desporto. É duro, mas desfruto.

A conquista da Volta a Portugal do Futuro demonstra isso mesmo. Rojas está cada vez mais à vontade e a evoluir as suas características. E quais são? “Pelo físico sou um ciclista trepador. Gosto das corridas mexidas, gosto de ter de pensar nas corridas, de estar atento, de estar a pensar no que fazer. Essa adrenalina assenta-me bem. Desfruto de tudo isso”.

Além de subir bem e de ser mais forte nas corridas por etapas, faz do contrarrelógio uma outra arma, que não se viu na Volta a Portugal do Futuro, já que nesta edição não houve uma etapa de esforço individual: “É um ponto forte meu. Sou campeão nacional [nos escalões jovens], centroamericano, fiz bons lugares nos Jogos Pan-Americanos. Gosto muito do contrarrelógio. É muito diferente, é quase como outro desporto. É duro, mas desfruto”.

A equipa e o futuro próximo

Rojas já tinha a ideia de correr em Espanha, oportunidade que se concretizou após os Jogos Pan-Americanos de 2021. Com a ajuda de Diego Milán, que trabalha para uma agência, abriram-se as portas da Essax.

“É uma boa equipa para evoluir. Tem um bom calendário, tem boas infraestruturas, é muito boa e tenho bons companheiros – que é uma parte muito importante –; damo-nos muito bem e estamos em forma. Somos como uma família”, salientou.

Ganhar a Volta a Portugal do Futuro fez de Rojas um jovem muito feliz e ainda mais motivado para concretizar os seus sonhos. Confessou que ganhar esta corrida era “algo demasiado incrível”. “Mentalmente testou-me e agora vou melhorar muito mais. Estou tão feliz!”.

Os próximos tempos serão passados mais por Espanha, no calendário daquele país. E Gabriel Rojas quer continuar a ter sucesso: “Espero conseguir mais alguma vitória para o palmarés”.

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Todas as imagens: João Calado/Podium Events

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Elisabete Silva
Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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