A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) confirmou a Volta a Portugal de 27 de setembro a 5 de outubro. Garantiu ainda “ter obtido um excelente acolhimento das câmaras municipais contactadas para integrarem o itinerário” e que “decorrem com normalidade os trabalhos para a organização da prova”.

O comunicado do organismo surgiu poucas horas depois da Podium ter anunciado o adiamento para 2021 da corrida mais importante para as equipas nacionais. No entanto,  se a 82ª edição não se realizará em 2020, a Podium refere um acordo com a FPC para que esta possa “desenvolver esforços para organizar uma prova que possa colmatar os efeitos da suspensão da Volta a Portugal Santander”.

Ou seja, a ir para a estrada, a Volta será uma “edição especial”, segundo anunciado pela Podium. De recordar que os direitos de organização desta corrida pertencem à federação, que em 2017 cedeu novamente à Podium entre o período de 2018 e 2025.

O que disse a Podium

“A Podium Events e a Federação Portuguesa de Ciclismo decidiram proceder ao adiamento da 82ª Volta a Portugal em Bicicleta Santander para 2021. A decisão foi motivada pelo contexto de pandemia gerado pela COVID-19 que tornou inviável a realização este ano de um evento desta dimensão”, começa por ler-se no comunicado.

É ainda recordado que, apesar da Direção-Geral da Saúde ter dado luz verde para a realização da Volta, algumas autarquias recusaram a “autorização de passagem e permanência da prova”,

“Conscientes de que a decisão poderá colocar a modalidade numa situação dramática, e perante o desejo da Federação Portuguesa de Ciclismo de defender o ciclismo profissional e a salvaguarda dos interesses dos ciclistas e equipas, ambas as entidades entenderam na possibilidade de realização de uma Edição Especial , da Volta a Portugal em Bicicleta por parte da Federação Portuguesa de Ciclismo, no estrito interesse do ciclismo enquanto modalidade desportiva”, escreve a Podium.

Reação da FPC

Com os Nacionais a realizarem-se de sexta-feira a domingo, a FPC publicou horas depois um comunicado a assegurar que a Volta a Portugal continua agendada para 2020, ainda que não se refira a “edição especial”.

“A edição tradicional da Volta, enquanto grande festa popular de agosto, com 12 dias de duração, não se realizou, devido à pandemia. A Federação Portuguesa de Ciclismo entendeu, no entanto, que a Volta a Portugal é essencial para o futuro do ciclismo profissional no país, tendo decidido organizar uma edição adaptada às circunstâncias especiais em que vivemos”, salientou o organismo.

Reiterou que a corrida terá um prólogo e oito etapas, sendo uma Volta mais curta do que edições recentes. De recordar que o presidente da FPC reuniu-se recentemente com Marcelo Rebelo de Sousa para tentar sensibilizar o Chefe de Estado para a importância da Volta a Portugal, tanto para o ciclismo, como também uma forma de dinamizar a economia e divulgar as regiões por onde passa o pelotão.

O anúncio da FPC mantém assim a esperança que a corrida que as equipas nacionais tanto precisam para dar retorno mediático aos seus patrocinadores possa mesmo ir para a estrada. Porém, as condições da pandemia podem sempre obrigar a nova mudança de planos.

Porém, o organismo realça: “Oportunamente serão comunicados os detalhes desta Volta a Portugal, que, em 2020, pretende ser especial e inspiradora, um símbolo de um país que supera adversidades para celebrar a vida através do desporto.”