À primeira vista, esta nova Scott Spark RC Team Issue AXS de 2022 faz brilhar os olhos… Quando andamos nela pela primeira vez, temos a recompensa: dando seguimento ao trabalho que a marca tem feito na gama Spark, a bicicleta “devolve-nos” cada pedaço de entusiasmo que colocamos em cada pedalada…

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Expander Cross

Esta versão da bicicleta que a Scott “atira” aos entusiastas do XC divide opiniões, e tanto está presente para competir (neste caso seriam precissas algumas modificações de que falamos mais à frente) como para agradar a quem faz do BTT a base do seu treino ou das suas voltas de fim de semana.

E há razões para isso, neste caso concreto: componentes de gama alta (apesar desta Team Issue ter mais quatro versões “acima” dela), tecnologias de topo da Scott e excelentes sensações aos comandos da bicicleta. Mesmo parecendo ser um modelo que foge um pouco ao XC tradicional… Mas é só mesmo uma “parecença”, porque o ADN está lá todo.

Vê-se claramente que a Scott é um dos fabricantes que mais tem apostado em vincar esta viragem que as bicicletas de XC (ou de BTT tradicional, se assim lhe quisermos chamar) teimam em fazer de momento. Guiadores largos e cockpits mais curtos dão mais controlo na direção… Escoras mais curtas com distâncias maiores entre eixos mantêm a reatividade, mas tornam a bike mais versátil… E por aí fora.

Com a gama Spark RC deste ano, a Scott deu mais um passo. Como sabemos, a aquisição da Bold por parte da marca trouxe um amortecedor traseiro instalado no interior do quadro, mantendo a posição vertical que conhecíamos do modelo Spark de 2021. E já por aqui referimos que, em termos de dinâmica, nada muda. Concluímos isso perfeitamente no (muito “abusado”) teste que fizemos à Spark 910.

E conhecemos muito bem o modelo de 2021 da RC, visto que andámos com uma delas durante mais de seis meses todos os fins de semana, cumprindo mesmo algumas provas. Voltando a esta RC de 2022, neste sentido há muita gente que nos diz: “A Spark agora é uma bicicleta de trail, não de XC!”. Refutamos sempre essa afirmação, pois a cifra RC faz toda a diferença, pois faz com que a Spark tenha características que a colocam claramente no campo do BTT mais tradicional, apesar de o quadro ser o mesmo.

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Mondraker Raze

E isto é feito da forma certa. De uma forma mais ou menos flagrante, uma bicicleta de XC “à antiga” irá sempre limitar o seu utilizador quando lhe aparece à frente uma descida mais exigente ou um trilho muito técnico. Por outro lado, uma bicicleta como a Spark RC de 2022 (ou outras de outras marcas que seguem a mesma tendência), está preparada para tudo.

Ou seja, tanto rende quando percorremos aqueles estradões mais rápidos como quando temos de passar naquele segmento de uma descida de downhill. O resto é a técnica e a coragem de cada um que decide… Porque a bike tem um sistema de amortecimento muito versátil e com diferentes modos de funcionamento e bloqueio. E porque é muito personalizável.

Tanto rende quando percorremos aqueles estradões mais rápidos como quando temos de passar naquele segmento de uma descida de downhill.

Dá-nos uma base muito ampla para a colocarmos como queremos. Usando o exemplo desta Spark RC Team Issue AXS: se a deixarmos como vem de origem, esta é uma bicicleta de BTT muito eclética, pronta para “atacar” todos os terrenos. Se a quisermos mais XC, metemos uns pneus mais estreitos, umas rodas mais leves e fica “máquina”. Dá para tudo, até para um pouquinho de trail.

Podemos mesmo confessar o que faríamos se esta bicicleta fosse nossa: como gostamos de bicicletas de BTT um pouco mais leves (esta tem 11,5 kg anunciados, mas com pedais e um ou outro item extra pode chegar aos 12,5 kg), trocaríamos as rodas por um par em carbono igualmente rígido e capaz, mas mais leve.

Mais tarde, com o desgaste natural dos componentes, trocaríamos a cassete por uma do conjunto Sram XX1 ou Xo1, pois podemos retirar aí entre 100 a 150 gramas. E, ao gastar estes pneus, colocaríamos uns 2.20, talvez, um pouco mais “roladores”. Podiam ser Maxxis na mesma. E de resto não mudávamos nada, pois a bicicleta vem muito equilibrada de origem. Mas falemos dos pontos que lhe dão este equilíbrio a pensar nos trilhos de BTT.

Um verdadeiro ‘tanque’

Achamos que esta Scott Spark RC Team Issue AXS 2022 é uma verdadeiro “tanque” de XC pelo ar robusto que transmite, que nos dá confiança extra a descer partes técnicas. Mas também porque a bike é fantástica a transpor obstáculos quando a subir, ao mesmo tempo que nos coloca o corpo numa boa posição. Mas já lá vamos.

Seguindo o que referimos acima, queríamos falar da dupla roda/pneu nesta Spark, que funciona muito bem! Apesar do bom desempenho e tração, este é o único ponto que desvia a bike do XC. Os pneus Maxxis Rekon Race 2.4 estão montados numas rodas Syncros Silverton 2.0, sub-marca da Scott, mas este é um ponto menos forte: a este preço (5.449 euros), esta Spark poderia trazer umas belas rodas de carbono, mais leves e igualmente rígidas, “fortes”, fluidas. Fica o pedido à marca para 2023.

Os amantes do XC irão assim querer fazer aqui o upgrade o mais depressa possível: rodas novas, carbono, mais leves; pneus também mais leves, tubeless na mesma, mais rolantes. Talvez os únicos pontos onde mexeriam, como referimos mais acima.

Cockpit ‘limpinho’

Um pouco mais acima, literalmente, vem depois o novo cockpit desta versão 2022 da Spark RC, aqui sim a fazer uma grande diferenciação relativamente às Spark que não têm a designação RC à frente. A bike tem de ser mais racing, por isso a “testa” está muito mais baixa, deixa-nos bem mais inclinados para a frente e prontos para reagir nos trilhos.

Mas mantêm uma “filosofia” curta, direta. Avanço Syncros, também muito curto, com ligeira inclinação negativa, “escondido” debaixo de uma “capa” em plástico, removível, que faz ligação com o guiador Syncros Fraser 1.5 XC Alloy 7075, alumínio, com 740 mm.

Uma boa relação, boas sensações em todos os momentos, sendo que o sistema Acros com o Cable Routing HS System faz com que todos os cabos, sem exceção, entrem à frente, por baixo do guiador, deixando tudo muito arrumado.

Lamenta-se a ausência do útil sistema de bloqueio da rotação da direção que noutras marcas impede que os manípulos das mudanças e do bloqueio da suspensão toquem no top tube do quadro quando o guiador vira na totalidade. Assim, recomendamos que se proteja o quadro nesse ponto com uma boa película; caso contrário, em caso de queda ou no momento do transporte dentro do carro, esse contacto pode riscar o quadro.

Tecnologia TwinLoc 2

E já que estamos pelo guiador, há que referir que é do lado esquerdo que está aquilo que já conhecemos bem: o comando que permite bloquear as suspensões e em que modo do sistema TwinLoc 2 o fazemos.

Pessoalmente achamos que este é um dos principais “trunfos” da Scott Spark (apesar de existirem sistemas semelhantes noutras marcas, é certo). Mais uma vez explicamos, para quem não conhece o sistema: ambas as suspensões da bicicleta são bloqueadas em simultâneo e isso pode acontecer em três níveis distintos.

O primeiro deles, basicamente, é andamos com tudo destrancado e com os cursos máximos ativos. É o que a Scott apelida de modo Descend e é assim que as suspensões funcionam na sua máxima performance, de acordo com a forma com as temos personalizadas em termos de rebound e bounce, claro.

No outro extremo, podemos bloquear tudo, colocando o manípulo no máximo, bem em baixo. Para asfalto, subidas em estradão e todos os outros momentos em que achamos que temos mais rendimento com o amortecimento desativado, tal como acontece numa hardtail quando leva a suspensão frontal bloqueada. É o modo Lockout.

Pelo meio, contudo, há o modo Traction Control. Confessamos que é neste que seguimos em trilhos mais técnicos a subir, a transpor obstáculos nesses momentos, visto que temos as suspensões a funcionarem com menos curso e a cerca de 70 a 80%, eventualmente. Os sistemas não “bombeiam” no seu máximo, que é o que nos faz perder poder na pedalada, à partida, funcionam apenas na dose certa. Funciona.

Transmissão eletrónica é melhor?

Há quem diga que sim, preferindo os grupos topo de gama Shimano ou Sram, e há quem diga que não há nada melhor, apesar de os sistemas eletrónicos serem mais sensíveis quando há lugar a desafinações causadas por quedas, por exemplo.

Nós estamos no segundo lote, ou seja, preferimos os conjuntos eletrónicos e somos fãs do trabalho que a Sram tem feito neste segmento. Naturalmente, apreciamos o facto de esta Spark RC ter instalado o conjunto GX AXS, que, mesmo sendo ligeiramente mais pesado que o eletrónico topo de gama, funciona às mil maravilhas.

O manípulo é um pouco maior que no grupo XX1 AXS, haverá mais uns gramas neste desviador GX Eagle AXS, eventualmente, mas de resto, ao nível do funcionamento, todo corre muito bem: relações que são transferidas num ápice, sem falhas e a reagirem no timing certo ao toque de polegar no manípulo.

O que é diferente face às grupos de transmissão mais caros é, no fundo, a parte mecânica, que tendencialmente pode ser mais brusco, mais pesado. É, efetivamente. Mas ainda assim não se nota uma diferença enorme, já que este grupo GX Eagle AXS está num ponto ideal entre performance, peso e preço.

Mais concretamente, temos uma corrente GX, um pedaleiro também GX 32t, que está adequado face ao peso desta versão Team Issue como está de origem, até porque a cassete Sram XG1275 é 10-52t. Os ciclistas mais em forma devem pensar em avançar para um prato 34t, ainda assim, achamos nós.

Coleção Scott RC Pro WC Edition

Já escrevemos muito, mas, antes de avançarmos para outros pormenores em destaque na Scott Spark RC Team Issue AXS, gostaríamos de falar do conjunto de equipamento que o distribuidor da marca em Portugal nos enviou para os testes com a bicicleta. Foi a gama de equipamento Scott RC PRO WC Edition, que existe para servir o mais puro amante de XC, bem como outros itens que vale a pena espreitar. Está tudo no teste (com vídeo) que publicámos recentemente, e aqui:

Alguns destaques:

O quadro que ‘esconde’ a suspensão

É o quadro em carbono Spark RC Carbon HMF na sua primeira versão para servir de base a este modelo de 2022 de todas as Spark. Pormenores de topo na forma como integra o amortecedor traseiro, com caixas no sítio certo a pensar na manutenção do mesmo e passagem de cabos eficaz.

O modo como os dois eixos de pivots trabalham (um em baixo atrás do pedaleiro e o outro mais acima, em ligação ao tubo do selim) dispensam a presença de pivots também nas escoras. Espaço para levar dois bidons.

Amortecimento à altura

Gostamos muito do desempenho das suspensões presentes nesta Scott Spark, ainda que não sejam o pináculo do que a RockShox tem no seu catálogo para modelos de XC.

A RockShox SID Select RL3 Air de 120 mm lê bem o terreno, reage bem ao modo como gerimos o sistema de bloqueios, é personalizável q.b. nos settings e integra-se bem no panorama geral da bicicleta.

No amortecimento traseiro, dentro do sector inferior do quadro está o amortecedor RockShox NUDE 5 RL3 Trunnion, que também reage bem ao TwinLoc 2 nos modos Lockout, Traction Control e Descend que já referimos. Funcionamento sem mácula.

E no momento de travar?

Tudo correu bem. O sistema está a cargo de material Shimano e não Sram, com resultados em linha com o que conhecemos do conjunto XT M8100. Melhor só XTR. Discos Shimano SM-RT76, 180 mm à frente e 160 mm atrás.

Espigão telescópico não incluído

Na versão que testámos desta Scott Spark RC estava montado um espigão telescópico com comando do lado esquerdo do guiador, mas ressalvamos que este componente não extá incluído de origem na versão base da bicicleta. Um item que apreciamos e que achamos que dá muito jeito, mesmo num uso XC puro.

Pontos mais positivos

  • Tal como focámos no teste à Spark 910, é bom perceber que o quadro desta gama permite instalar duas grades e assim transportar dois bidões de hidratação.
  • Como sempre, a forma como o TwinLoc 2 permite bloquear a suspensão em diferentes graus, consoante o cenário de BTT que temos pela frente.
  • O look and feel robusto que toda a estética, engenharia e pormenores da Spark transmite. E isso nota-se no controlo da bike, que não se nega a nada!
  • A transmissão eletrónica, mesmo sabendo que não é o conjunto topo de gama que a Sram tem com estas características.
  • Todo o quadrante frontal da bike, com boa integração de cabos.

Pontos a melhorar

  • Pedimos encarecidamente à Scott que incluna na Spark da próxima geração um sistema de bloqueio que impeça o guiador de virar totalmente e assim atingir com as extremidades o top tube do quadro.
  • Pelo valor pedido por esta versão, achamos que era merecida a presença de umas rodas em carbono mais leves. O peso geral da bike iria descer.
  • Tal como veio de origem na versão que experimentámos, porque não ter de origem um espigão telescópico? Há outras marcas que neste segmento de preço incluem esse componente no pack inicial…

Especificações da Scott Spark RC Team Issue AXS 2022:

  • Quadro: Spark RC Carbon HMF
  • Suspensão frontal: RockShox SID Select RL3 Air
  • Amortecedor: RockShox NUDE 5 RL3 Trunnion
  • Manípulo: SRAM GX Eagle AXS Rocker Controller
  • Desviador: SRAM GX Eagle AXS 12x
  • Pedaleiro: SRAM GX Eagle DUB 32t
  • Cassete: SRAM XG1275 / 10-52t
  • Corrente: SRAM CN GX Eagle
  • Travões: Shimano XT M8100 Disc (180 / 160 mm)
  • Rodas: Syncros Silverton 2.0
  • Pneus: Maxxis Rekon Race / 29×2.4″ Tubeless
  • Selim: Syncros Belcarra Regular 1.5
  • Avanço: Syncros – Acros Angle adjust & Cable Routing HS System
  • Guiador: Syncros Fraser 1.5 XC Alloy 7075 D.B.
    Flat Bar / 8° / 740mm
  • Peso: 11,55 kg
  • Preço: 5.499 euros

Importador:

Site oficial:

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Pormenores (clica/toca para aumentar)


Neste teste:

  • Texto e teste: Jorge D. Lopes e Nuno Margaça
  • Fotos: Jorge D. Lopes
  • Vídeo: Jorge D. Lopes e Tiago Sousa
  • Riders nas imagens: Tiago Sousa e Nuno Margaça

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Jorge Lopes
Com mais de quinze anos de experiência na criação e edição de conteúdos em diversas áreas, é viciado em desporto e, naturalmente, em bikes. Mas raramente está em forma! Um dos mentores do projeto GoRide.

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