Sim, é verdade: os já conhecidos sapatos Specialized S-Works Recon agora ganharam… atacadores! E, sim, também é verdade que este modelo é dirigido à prática de gravel, apesar de, pelas nossas experiências, ser também uma opção perfeitamente à altura de qualquer volta ou competição de BTT. Sem problema. Mas analisemos com mais atenção as sensações transmitidas por estes novos sapatos para gravel. Também podes ver desde já o vídeo acima!

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Ora, por testes anteriores feitos a modelos de BTT da gama S-Works Recon, sabemos que há qualidade nestes sapatos, até porque são topos de gama e mostram características a esse nível.

Specialized S-Works Recon L.A.C.E.

É nesse sentido que surgem também estes Specialized S-Works Recon L.A.C.E., sendo que o termo L.A.C.E. vem de Laterally Adjustable Closure Engineering, um sistema que o fabricante garante ser proveniente das tecnologias Body Geometry.

Na prática, ainda antes de os termos calçado já conseguíamos comprovar um ponto que é sempre importante: o peso de 280 gramas (anunciados para o tamanho 42), que no exemplar que experimentámos ronda os 300 gramas, talvez por ser o tamanho 43 (e já com os cleats colocados).

Nos pés, essa leveza sente-se facilmente e é algo que apreciamos sempre nuns sapatos do género. 

Contudo, lá por serem leves, não descuram a robustez, algo que verificámos em vários momentos em que temos de desmontar e carregar a bike de gravel (ou BTT) às costas subida acima.

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Boa tração

A marca fala de carbono XC FACT na composição das solas e de facto nota-se rigidez no caminhar, com boa tração, tal como se nota quando os sapatos estão encaixados nos pedais.

Tanto num momento como no outro, há conforto e apoio na dose certa, com equilíbrio, de certa forma. Ou seja, não se nota dor e/ou desconforto, que é aquilo que nos leva a não gostar e a “desistir” de determinado par de sapatos. A quem nunca aconteceu?

Mesmo na primeira vez que os usámos nunca notámos inconveniente durante as horas em cima da bike ou a caminhar. Há um bom suporte no calcanhar, também, com uma parte exterior e traseira mais rígida e reforçada, pronta para enfrentar umas boas “calhoadas” (na biqueira passa-se o mesmo).

A pedalar (e depois de ajustarmos os encaixes e os cleats pela segunda vez, como mandam as “regras” da montagem destes acessórios), percebemos que toda a rotação da perna está livre de “desalinhamentos”, passamos a expressão.

Isto significa que é muito linear conseguirmos que a instalação bata logo certo com a linha dos pedais e com a forma como já estamos habituados a “encaixar” na bike, neste caso de gravel.

A Specialized fala aqui de muito rigor na conceção e no design do “trio Body Geometry – composto pelo arco longitudinal, pelo botão do metatarso e pela cunha varo”. O objetivo é “otimizar o alinhamento da anca, joelho e pé, reduzindo o risco de lesões”, referem. De facto, tirando a primeira volta de adaptação em que estranhamos um pouco a novidade, a sensação é boa.

E os atacadores, funcionam?

Por outro lado, o que faz a diferença no conceito destes S-Works Recon L.A.C.E. é o sistema de ajuste à base de atacadores. Não existem sistemas de aperto perfeitos nos sapatos para gravel ou BTT, é certo, sejam eles baseados na dinâmica BOA ou em velcros, por exemplo.

Nesse sentido, e neste caso, os atacadores trazem as vantagens e desvantagens que também apresentam em calçado desportivo destinado a outras modalidades.

Isto significa que o sistema é muito eficaz a ajustar o sapato ao pé e vice-versa, pois conseguimos gerir essa relação de forma personalizada, com mais ou menos aperto. Visualmente, com as imagens mostram, há harmonia: os S-Works Recon L.A.C.E. são bonitos, bem desenhados e discretos.

Fantásticos para encaixar num look gravel specific, tão na moda nos dias que correm.

Os atacadores garantem ainda alguma suavidade extra na parte de cima do sapato, algo que faz a diferença quando em comparação com outros tipos de sapatos. Aqui também ajuda, eventualmente, o material que compõe essa parte, mais flexível.

Depois, há inconvenientes neste sistema: os atacadores tendem a desatar-se, como bem sabemos. É bom que lhes demos dois nós fortes, caso contrário vamos perceber que estão “à solta” passado algum tempo, especialmente se tivermos de caminhar. Aconteceu-nos várias vezes e por sorte não vimos o atacador invadir os mecanismos da bicicleta e do pedaleiro.

Depois, apesar de não termos tido oportunidade ainda de verificar a resistência dos novos Specialized S-Works Recon L.A.C.E. com temperaturas mais frias de inverno, acreditamos que estes sejam uns sapatos pouco preparados para a chuva. Não que nos pareçam permeáveis no revestimento, mas sim porque as aberturas entre os atacadores e a “língua” tendem a deixar entrar água, inevitavelmente. E também os buracos onde os cordões passam.

A nossa avaliação

Em suma, aqui encontramos uns sapatos totalmente pensados para o gravel, assentes numa plataforma que a Specialized já consolidou nas outras vertentes, em estrada e no BTT. Há muita robustez, rigidez, tal como há conforto e um sistema de ajuste hoje menos convencional que tem nos atacadores a “chave”. Funciona e embeleza os S-Works Recon L.A.C.E., tornando-os diferenciados.

Specialized S-Works Recon L.A.C.E.

A estética é de facto apelativa e adequada à modalidade, apesar de confessarmos que somos fãs deste look e da versatilidade que ele traz. O preço de 329 euros não é dos mais acessíveis a todas as bolsas, mas há argumentos que o tentam justificar e até conseguem, apesar de modelos concorrentes se apresentarem um pouco mais baratos e garantindo igual performance.

O modelo que experimentámos é a versão Oak Green, mas ficámos curiosos para ver de perto a versão em preto e a “selvagem” Aloha, com muito mais cor e irreverência. Em branco desaconselhamos, como sempre, pois a tendência para ganharem tons amarelados é sempre elevada à medida que o tempo passa, isto em teoria, claro.

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Jorge Lopes
Com mais de quinze anos de experiência na criação e edição de conteúdos em diversas áreas, é viciado em desporto e, naturalmente, em bikes. Mas raramente está em forma! Um dos mentores do projeto GoRide.

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