A Volta a França 2023 já teve o seu merecido fim e nesta 110ª edição, que foi uma das melhores de sempre, tivemos um pormenor de destaque em relação a outras edições: a partilha das comunicações via rádio entre equipas e atletas, bem como das diretrizes de prova dos comissários. E há momentos “delicisosos”…

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Este “novo” conceito de partilha das comunicações via rádio, para o público e principalmente para quem acompanha pela televisão, não agrado a todas as equipas. E com isto existiram cinco formações que recusaram a partilha dos dados: Alpecin-Deceuninck, Cofidis, Groupama-FDJ, Jayco AlUla e Movistar.

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Esta medida, promovida pelo organizador ASO, compensou cada equipa com a quantia de 5.000 euros por partilharem livremente as suas comunicações. É certo que no passado já existia acesso e partilha, mas nunca em tempo real. Agora, e como forma de dinamizar e “envolver” ainda mais o espectador na corrida, foi testada a partilha direta. Mas não de tudo…

Por exemplo, as equipas e o moderador responsável tinham de confirmar e dizer que sim à partilha das informações. Claro que o processo tático é difícil de partilhar, porque a concorrência vai ter também acesso às informações pela televisão, ainda assim tivemos a oportunidade de ver e ouvir o desenrolar de processos entre corredores e carros de equipa.

Mudanças de rodas, bicicleta, quedas, água, saídas para a fuga, como liderar e abordar a estrada à frente… Tudo a chegar dos carros das equipas…

Sentimos que as equipas ainda não estão a 100% neste novo conceito e que muita informação não é relevante, ou que não coincide com o que estão efetivamente a fazer na estrada. Mas pode ser uma jogada tática contra outras equipas, pensamos nós, ou então ainda ninguém sabe bem o que pode partilhar ou não.

Não obstante, ganhamos certamente grandes momentos e partilha de emoções outrora impossíveis de explicar, o que inclui mesmo discursos engraçados entre o carro de equipa e os ciclistas. Como o momento de Tadej Pogacar a comunicar que “está morto” e não consegue lutar mais pela amarela. Está no tweet abaixo.

O apoio psicológico e a motivação também partem do carro de equipa, e Jonas Vingegaard, na etapa seis, precisou disso mesmo após o forte ataque de Tadej Pogacar…

Por outro lado, temos informação difícil de explicar… será em código? Bananas e morangos? Não sabemos, mas divertido lá isso foi…

A partilha direta dos Radio-Tour parece ser uma medida com capacidade para se aguentar no futuro, embora precise da colaboração das equipas para que funcione corretamente e tenha um propósito de informar o espectador sobre o que realmente se passa dentro do pelotão (as partes divertidas também, claro!).

Esperamos ver esta medida aplicada em outras corridas, quem sabe já na Vuelta deste agosto…

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Imagens: Twitter Volta a França

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