O crescimento da Jumbo-Visma não se vai resumir à equipa masculina. A formação holandesa prepara-se para entrar no ciclismo feminino, devendo pedir uma licença World Tour já para 2021. E inclusivamente terá escolhidas duas potenciais líderes. Holandesas e campeãs do mundo.

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A pandemia terá resfriado as intenções do diretor da Jumbo-Visma a certa altura, mas Richard Plugge estará agora novamente a avançar com o plano de colocar uma equipa feminina na estrada na próxima temporada. O Cyclingnews cita o site Cycling Opinions, que explica que a pressão terá vindo por parte da cadeia de supermercados, Jumbo.

A Cérvelo também deverá apoiar o projeto. A marca de bicicletas está a ser apontada como a próxima a fornecer a equipa em 2021, substituindo a Bianchi. A confirmar-se, a Jumbo-Visma seguirá o exemplo de outras equipas World Tour que já têm estruturas femininas. É o caso da Movistar, Sunweb, Trek-Segafredo, Mitchelton-Scott, Groupama-FDJ (FDJ Nouvelle Aquitaine Futuroscope é o nome da formação feminina) e da CCC (CCC-Liv).

Também a Lotto Soudal e Astana são do World Tour masculino e têm equipas de senhoras, mas no segundo escalão. A Rally Cycling e Arkéa têm estruturas Profissionais Continentais no ciclismo masculino e também formaram uma equipa feminina.

Duas líderes natas

O ciclismo feminino têm vindo a crescer em anos recentes, com a UCI a apostar mais na criação de condições para a existência de equipas e de corridas. Não tem sido uma missão fácil, mas, aos poucos, históricas competições de ciclismo vão igualmente tendo a sua versão feminina, algumas com transmissão televisiva, uma das principais lutas que nem sempre tem sido ganha.

Duas ciclistas conhecem bem as dificuldades e são referência de uma modalidade na qual as mulheres muito têm lutado por reconhecimento e apoio. Marianne Vos e Annemiek van Vleuten são das melhores ciclistas da história, com currículos invejáveis. Serão vistas por Plugge como ideais para liderarem o recém-nascido projeto feminino da Jumbo-Visma. Ambas estão em final de contrato com as respetivas equipas, CCC-Liv e Mitchelton-Scott.

Vos tem 33 anos e um currículo que impressiona. Três títulos mundiais de fundo, cinco Flèche Wallonne, três Ronde van Drenthe, 25 etapas no Giro… e as vitórias continuam, sendo mais de 200. Mas claro que é preciso ainda referir o ouro olímpico nos Jogos de Londres2012.

Van Vleuten tem 37 anos, mas continua a somar grandes vitórias. Em 2020 venceu a Omloop Het Nieuwsblad, a única corrida que fez antes da paragem no calendário devido à pandemia. O regresso aconteceu esta quinta-feira e venceu a Emakumeen Nafarroako Klasikoa. E ainda por Espanha, esta sexta-feira foi a melhor na Clássica Feminina de Navarra. Três corridas, três vitórias.

Pode ter menos vitórias que Marianne Vos, mas nem por isso menos importantes. Conta também com três títulos mundiais, mas dois são de contrarrelógio, sendo a atual campeã de fundo. Venceu duas vezes a geral no Giro d’Italia, mais dez etapas. Ganhou ainda uma Volta a Flandres, duas Voltas à Bélgica e tal como Vos foi a mais forte em duas ocasiões na La Course by Le Tour de France.

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Anna van der Breggen e Chantal van den Broeck-Blaak, ambas da (Boels-Dolmans) são mais duas holandesas campeãs do mundo e também terão estado na mira da Jumbo-Visma, mas decidiram renovar com a atual equipa.

Diretora mais nova que ciclistas

Richard Plugge quererá Esra Tromp como diretora do projeto feminino da Jumbo-Visma. Tem apenas 29 anos e terminou a carreira muito cedo, em 2017. Atualmente está na Parkhotel Valkenburg, equipa holandesa do segundo escalão e que foi precisamente a última que representou enquanto ciclista.

Apesar de ser uma equipa com um orçamento pequeno, os resultados têm sido animadores e duas ciclistas já se destacam: Lorena Wiebes e Demi Vollering. O trabalho de Esra Tromp não está a passar despercebido. A sua lado na Jumbo-Visma, como diretor desportivo, poderá ter Martin Vestby, um antigo ciclista norueguês, mas que competiu na Holanda e fala a língua. Está na Mitchelton-Scott.

Renascer das cinzas

A Jumbo-Visma é uma descendente da Rabobank. Quando o banco deixou de financiar a estrutura, a equipa passou por muitas dificuldades e chegou a competir sem um patrocinador principal alguns meses em 2013. Porém, desde 2015 que encontrou alguma estabilidade – então como Lotto-Jumbo -, renasceu e é hoje uma das formações mais fortes do ciclismo mundial.

No ano passado conquistou a Volta a Espanha com Primoz Roglic. Conta com um dos melhores sprinters da atualidade, Dylan Groenewegen, e contratou para 2020 Tom Dumoulin, também ele um vencedor de uma grande volta (Giro em 2017) e um campeão do mundo de contrarrelógio (2017).

No plantel está ainda um dos jovens mais promissores, Wout van Aert, que no ano de estreia na equipa venceu duas etapas no Tour, antes de se lesionar com gravidade numa queda. É um super campeão do ciclocrosse. Tony Martin (quatro vezes campeão do mundo de contrarrelógio), George Bennett, Robert Gesink e Steven Kruijswijk são outros nomes de destaque.

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