A convite da marca fomos até aos arredores de Girona, em Espanha, para estarmos presentes na apresentação mundial destas novas e-bikes Yamaha dedicadas ao gravel, aos ambientes citadinos e ao BTT mais “radical”.

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Falamos dos modelos Yamaha Wabash RT, Moro 07 e Crosscore RC, respetivamente, bicicletas que tivemos oportunidade de experimentar tão ao pormenor quanto o possível durante os momentos hands-on do evento. Aqui ficam as nossas impressões rápidas sobre cada uma, após uma breve introdução.

Gravel: Yamaha Wabash RT 2023

Muitos pensam que a Yamaha está a sair da sua zona de conforto ao entrar no mundo das bicicletas, especificamente bicicletas elétricas. Mas as coisas não são bem assim. Já em 1989, este fabricante apresentou ao mundo o primeiro protótipo de e-bike, ao passo que quatro anos depois, em 1993, iniciava a comercialização do primeiro modelo elétrico (PAS).

E-BTT: Yamaha Moro 07

A partir de então nunca mais abandonaram este segmento. A primeira unidade Lightweight Mountain Drive Unit é apresentada em 1999; nove anos depois alcançam já a cifra de 1 milhão de bicicletas vendidas e, em 2016, 2 milhões. E este ano dá-se a entrada no mercado europeu.

Urbana: Yamaha Crosscore RC

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Na apresentação oficial destas e-bikes Yamaha, mostraram-nos que os mais recentes estudos de mercado estimam que já no ano de 2029 as elétricas irão ultrapassar o número de vendas das bicicletas convencionais. Isto porque os números de vendas das e-bikes têm vindo sempre a crescer desde 2018 até á data.

Todas as bicicletas apresentam-se com quadros de alumínio e à conversa com os engenheiros da marca percebemos que não está previsto para breve a conceção de quadros de carbono. A data prevista para entrega das primeiras unidades está agendada para o segundo trimestre de 2023, com comercialização direta a partir do site da Yamaha Motor Portugal (com entrega em casa ou através de alguns agentes Yamaha autorizados).

A urbana Yamaha CrossCore RC

Mobilidade ao melhor estilo… Uma e-bike concebida para a realidade urbana e mesmo suburbana, para uma utilização quotidiana e destinada a todas as pessoas, de todas as idades. De facto, após visualizá-la ao pormenor e depois dos primeiros quilómetros, notamos claramente que a Yamaha não desejou realizar um produto topo de gama, mas sim um produto que deverá ter um preço acessível e muitas fiabilidade extrema (devido à escolha dos componentes).

Pronta para tudo: a  transmissão Shimano de nove velocidades com cassete CS-HG200 e um desviador Alivio precisará apenas de lubrificação e fará anos a fio. A travagem está a cargo dos Shimano BR-MT200, que são muito fiáveis, e o diâmetro das rodas é de 27,5”.

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Na parte elétrica, o motor PW-ST e uma bateria de 500 Wh de lítio estão lá para todo o serviço. A bateria é amovível para ajudar a gestão do carregamento, dado que assim permite-nos em qualquer lado ou lugar deixar a bike estacionada e carregarmos a bateria onde desejamos.

De salientar que a bicicleta vem preparada para a instalação de acessórios opcionais de trekking, para que possamos transportar o que desejamos e torná-la ainda mais versátil.

A nossa avaliação…

Dinamicamente, a bicicleta comporta-se muito bem e de forma equilibrada, com uma postura descontraída e uma posição de condução neutra e ergonomia natural. O que mais nos agradou foi o motor, bastante compacto e sempre pronto a ajudar em todos os modos, muito silencioso e disponível em qualquer adversidade.

No modo automático faz a sua própria gestão face à inércia, poupando muito a bateria, embora esteja sempre pronto a pôr a carga toda sempre que necessitamos.

Salientamos dois pontos que achamos que poderiam ser revistos no próximo modelo: na frente, a suspensão poderia ser um modelo acima na gama, dado que vem equipada com a SR Suntour NEX. Por outro lado, para uma bike citadina, talvez o top tube esteja demasiado cima, limitando um pouco mais a designada “entrada” na bicicleta.

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Para uma e-bike de mobilidade, a rigidez e a torção do quadro não é algo de imperativo a considerar, logo o tubo superior poderia ter sido colocado um pouco mais abaixo, nomeadamente no apoio ao tubo de espigão, embora este quadro rígido de alumínio seja imponente e bem estruturado.

Estas CrossCore RC conta com um eficaz e útil descanso, entre outros itens. Estima-se que o preço se situe abaixo dos 3.000 euros.

Mais info sobre a Yamaha CrossCore RC

Galeria de pormenores:

Yamaha Moro 07 para o e-BTT

Adrenalina sem limites…Este modelo vai certamente partir muitos corações, por assim dizer, até porque a unidade motriz é diferente das que estão nas suas duas outras “irmãs”. Esta unidade vem equipada com o mais recente, silencioso e pequeno motor fabricado pela Yamaha, o denominado PW-X3, com um torque/binário mais elevado: 85 Nm.

A bateria é a  ML de 500 Wh e o display é semelhante ao da Wabash e da Crosscore presentes neste artigo. Junto ao punho esquerdo existe um manípulo para alterar os modos e também para emparelhar o Garmin ou outro qualquer sistema via Bluetooth ou ANT+.

Adorámos o desempenho do motor e sublinhamos de novo a disponibilidade de potência que nos faz sentir que, com o auxílio de uma transmissão de 12 velocidades, apenas temos que acreditar que vamos subir qualquer subida impossível. De facto, é mesmo assim. Ao longo da nossa volta, com aproximadamente 20 quilómetros, deparámo-nos com subidas de cortar o fôlego. Mas esta Moro parece que nos “pisca o olho” e aí vamos nós!

Referente às suspensões, conta já com a novíssima RockShox Lyrik 2023 e com o amortecedor Super Deluxe Select+. A Moro sente-se em casa quando toca a descer: revelou ser de uma suavidade extrema, com um comportamento super fluido. Faz tudo bem e absorve todos e quaisquer obstáculos com total tração e um equilíbrio difícil de encontrar em e-bikes semelhantes. Trinómio de excelência entre flexibilidade, rígidez e equilíbrio.

A razão deste facto poderá estar suportada na conceção do quadro, mais concretamente no tubo superior, que apresenta uma tecnologia inspirada nas motos Yamaha de todo-o-terreno. Existe um pequeno tubo soldado à testa do quadro, que após, aproximadamente 15/20 cm, deriva em dois tubos laterais. O olhal superior do amortecedor está colocado no meio destes, de acordo com o fabricante Quadro Dual Twin.

Esta poderá ser a razão para o equilíbrio do conjunto e para toda a sua polivalência sob todo e qualquer tipo de terreno. A Moro é uma e-BTT que utiliza um diâmetro de roda de 27,5”; isto ajuda nas viragens mais rápidas e bruscas, mas traz as desvantagens que conhecemos.

Yamaha eBike MORO 07: Race the thrill

Já os Maxxis Minion e Rekon 2.6 (pneus dianteiro e traseiro, respetivamente) cumprem o seu papel na totalidade. Na travagem, a Yamaha optou pelos Magura MT5, com pinças de quatro pistões, que cumprem a sua função mesmo em longas descidas. Nunca mostraram qualquer fadiga ou esponjosos. Prevê-se um preço aproximado de 5.500 euros.

Mais info sobre a Yamaha MORO 07

Galeria de pormenores:

A super gravel Yamaha Wabash RT!

Sair de casa e não saber bem quando voltamos… É isto que é o gravel, de certa forma. E esta bicicleta também aponta a isso… A Yamaha também está atenta a este mercado e apresenta agora a Wabash RT, um conceito bastante interessante.

É uma gravel para aqueles que de facto gostam de pedalar, de fazer quilómetros sem olhar para as horas e sair das estradas de asfalto por uma questão de segurança. Estão muitos e fervorosos adeptos da estrada a passar para o gravel por esta ultima razão…

A Wabash RT demonstrou um manuseio bastante bom, apesar dos seus 21,3 kg, e um comportamento notável sobre pistas de terra compacta e pedr. Vai sempre colada ao chão e aí certamente os Maxxis Rambler colaboram, dado que sublinhamos que esta bike não tem qualquer sistema de suspensão, tal como a maioria das suas concorrentes.

O motor é exatamente igual ao da sua “irmã” citadina, com o Yamaha PW-ST a debitar uns aproximados 70 Nm. A bateria é de 500 Wh e a unidade de display e modos de potência também os mesmos.

Quanto a transmissão e travões, a Shimano assume o protagonismo, mais uma vez pela sua fiabilidade e baixa manutenção. Neste nosso teste fizemos aproximadamente 42 quilómetros nos arredores de Girona, em Espanha, e a contagiante paisagem é um “sobe e desce” constante; subimos longas subidas e descemos vertiginosas descidas, curvas com pedra e até à areia fomos. E regressámos ao ponto de partida com mais meia carga.

Dinamicamente, nota-se uma trajetória bem definida e sem qualquer torção referente à rigidez. Travões sempre com bom desempenho e as 11 velocidades do sistema GRX cumprem com sucesso a sua missão.

Somos da opinião de que o selim telescópico é desnecessário para uma e-bike de gravel e com estas características, dado que não é uma bicicleta concebida para enfrentar grandes descidas e que obrigue à colocação do corpo muito atrás.

Yamaha eBike Wabash RT: Feel the adventure

No entanto, este componente tem aqui outra função, a de atenuar as irregularidades e funcionar como uma pequena suspensão que pode ir até aos 60 mm em quadros L e aos 40 mm para os quadros S e M. Excelente guiador, na medida certa e com uma correta abertura nas extremidades, para mais controlo. Disponível na cor Blue Steel e com um preço estimado de 5.000 euros, aproximadamente.

 

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Nuno Margaça
Homem ou máquina? Ficamos na dúvida... Mas será que estar à beira de ter dez Titan Desert nas pernas não é suficiente para termos a resposta...? Um dos mentores do projeto GoRide.

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