Todos conhecemos vários benefícios de usarmos sistema tubeless nos conjuntos roda/pneu das nossas bicicletas, certo? Consideramos mesmo esta solução como uma das grandes inovações recentes no mundo das bikes.

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Mas há quem ainda não se tenha “rendido” à ausência da câmara de ar, especialmente na estrada. E quem utiliza a bicicleta ocasionalmente também ainda encontra aqui mais desvantagens do que vantagens… Por outro lado, quem compete (e/ou anda mais vezes e com mais intensidade) agradece o alívio de peso e as restantes vantagens!

Mas vamos lá ver o que envolve o tubeless e quais os prós e os contras que identificamos no uso deste sistema sem câmara de ar, seja no ciclismo de estrada, seja na montanha e nos trilhos.

Tubeless: o que é?

Líquido selante antifuro, neste caso com seringa própria para a aplicação.

Já deves saber em que consiste, mas resumimos a informação para quem ainda não está tão familizariado com o conceito. Trata-se de um sistema antifuros que quase faz com que te esqueças do aborrecimento que é teres de reparar um furo a meio da volta ou do treino.

Resumidamente, o tubeless baseia-se no uso de pneus e de rodas que estão preparados para não termos de usar câmara de ar. São modelos fabricados com isso em mente (apesar de tudo também funcionar com câmara de ar).

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O que se faz é colocar um líquido antifuros próprio entre a roda e o pneu, selando depois o conjunto com o enchimento de ar (convém usar compressor, pois uma bomba manual por vezes não tem pressão suficiente). Esse líquido, à partida, irá vedar o(s) furo(s).

Opcionalmente podemos usar uma fita no interior do sistema para ajudar a acomodar o líquido, para cobrir a superfície da jante e para ajudar a impedir furos. A válvula de enchimento também tem de ser tubeless.

O que mais importa saber:

Pneu

Deve ser específico para tubeless (tubeless ou tubeless ready), uma vez que deve ter flancos ou rebordos que permitem selar hermeticamente o sistema em contacto com o aro da roda.

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Detalhe do perfil interior de uma roda preparada para tubeless.

Além disso, este tipo de pneus costuma estar reforçado tanto na banda de rodagem como nas laterais, o que faz com que tenha uma capacidade antifuros maior face a um pneu “normal”.

Roda

Existem rodas perfeitamente preparadas para o tubeless, ao passo que outras apresentam características mais propícias a que se utilize um kit de passagem para tubeless. São as rodas Tubeless Ready, capazes de funcionar com câmara e pneus standard ou de ser “tubelizadas” com kits e pneus tubeless.

Aqui podemos ver a válvula tubeless.

Kit tubeless

Pode ser composto pela referida fita específica (para evitar a perda de ar pelos buracos das cabeças dos raios), por uma ou mais válvulas tubeless e pelo líquido selante e/ou antifuros. Este serve tanto para selar jante/pneu como para tapar eventuais furos.

Vantagens do sistema tubeless

  • Contando que utilizas líquido antifuros ou selante, a capacidade para evitar furos deste sistema é muito elevada e faz com que evites as perdas de ar pelos buracos que possam surgir no pneu. Ou seja, um sistema tubeless de qualidade e bem montado faz com que seja muito raro furar, e isto tanto em BTT, gravel e também estrada.

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  • Ao não existir câmara de ar, não há possibilidade de esta se estragar ao andarmos com pressões mais baixas. Ou seja, podes personalizar a quantidade de ar nos pneus ao teu gosto e sem qualquer limitação.
  • Há uma sensação de segurança e tranquilidade maior: menos risco de furar (ainda que possa haver lugar a furos na mesma, atenção!) permite que andes mais descansado, concentrando toda a tua atenção na bicicleta e no percurso.
  • Não precisas de andar carregado com câmara de ar suplente, “desmontas” e outras ferramentas relacionadas (apesar de ser normal andarmos com bomba, ou cartuchos de CO2, e líquidos antifuros adicional).

Desvantagens do tubeless

  • Sai mais caro. Um kit para passar a tubeless tem o seu custo, pois inclui vários itens. Além disso, um pneu Tubeless Ready (TLR) é mais caro que um pneu “normal”, tal como as rodas preparadas para tubeless também são mais dispendiosas (apesar de muitas bikes jas as trazerem de origem). Ter tubeless em ambas as rodas é também mais caro em termos de manutenção.

  • Manutenção. Dependendo de cada fabricante, o líquido antifuros ou selante terá que ser substituído a cada seis meses, além de termos de ir verificando o seu estado ao estiver parada muito tempo, deves ir movendo as rodas para que o líquido não fique no mesmo sítio e solidifique.
  • Por outro lado, para montar um pneu TLR precisas de uma bomba com bastante pressão (são várias as marcas que disponibilizam bombas preparadas para montar sistemas tubeless). Ou de um compressor, claro, com este é simples e rápido.
  • Pode haver lugar a uma sensação enganadora de segurança e tranquilidade. Sair com tubeless está a fazer com que muitos ciclistas não levem consigo nenhum tipo de solução alternativa, por assim dizer (câmaras de ar suplentes, bomba, remendos, ferramentas…). Assim torna-se impossível resolver qualquer problema que apareça.

E em função deste último ponto deixamos uma alerta: o tubeless não é infalível! Podemos furar na mesma, claro, e até rasgar um pneu de tal maneira que o líquido não consegue tapar o buraco.

Mais: manusear um pneu com líquido no meio dos trilhos ou à beira da estrada para colocar uma câmara ou tentar solucionar o problema é bastante mais complicado!

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