Chegou a altura do ano em que fazer BTT é sinónimo de termos de “combater” a lama ao mais alto nível! É inevitável… Mas quem disse que os trilhos mais enlameadas não podem significar diversão? Até porque não deve ser a chuva e os caminhos com lama a impedir-nos de dar uma volta com amigos ou de treinar como é normal ao longo da semana…

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O segredo está em preparar a bike (bem como “tratar” dela a seguir…), ter uma atitude positiva quando chega a chuva e aprender a “curtir” os trilhos com mais lama. Até porque estes também ajudam a melhorar a técnica. Aqui ficam então algumas dicas rápidas para passares a ver a lama com outros olhos na prática do BTT.

1. Preparação

Por vezes não sabemos ao certo se os caminhos para onde vamos estão ou não com lama e/ou poças de água. É arriscar sem medos! Na via da dúvida, prepara a bicicleta para enfrentar estes cenários e para “combater” a lama.

Em primeiro lugar, mantém todos os componentes em condições e bem lubricados. De preferência, e se possível, com produtos próprios para esta altura do ano e pensados para uma ação na presença de água, areia, terra e lama. Para a corrente, por exemplo, há lubrificantes muito bons para tal.

Por outro lado, ter os pneus certos é fundamental. Nesta altura devemos preferir pneus com mais tração, não só a pensar na lama como também nos terrenos mais escorregadios por influência da chuva. Também será bom baixarmos um pouco a pressão dos pneus.

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Ter um par de rodas extra só para o Inverno é boa ideia, se conseguires. Assim podes ter cada par com os pneus adequados à altura do ano sem teres de estar sempre a trocar os pneus. Sim, sabemos que isto implica termos de ter também uma cassete extra… Guarda lamas? Na nossa opinião, sim, desde que possam ser retirados quando regressar o bom tempo.

Um dos modelos de guarda-lamas S-Mud da Polisport.

Quanto às supensões, precisarão de mais manutenção, tal como os travões. Mas antes disso porque não colocá-las um pouco mais firmes? Isto porque haverá mais situações em que a suspensão irá mais abaixo, fruto da lama, o que pode fazer com que as rodas “fujam”.

No conjunto pedal-sapato, já sabemos que a lama torna mais difícil o normal funcionamento do encaixe. Tentemos colocar os pés no chão o menos possível; a partir do momento em que tal acontece, é libertar o pedal de lama em excesso (e ter uns sapatos que agarrem melhor no chão enlameado, já agora).

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2. Analisar os trilhos

Sabemos que não é prática comum no XC, sim, mas no downhill ou no enduro nem por isso, principalmente quando há trilhos com saltos e drops que merecem uma olhada antes de nos metermos neles…

Com chuva e lama, espreita os trilhos com antecedência, se possível. Estes podem estar diferentes, menos estáveis e mais moles. As poças de água podem ser mais profundas do que aparentam e lá por baixo podem estar pedras, ramos e outros obstáculos ocultos.

Para evitar quedas e contratempos mecânicos, seguir os rastos de roda já existentes é sempre uma boa ideia. Ou então arrisca e vai “a fundo”! Aí já sabes é que podes ter uma “surpresa”…

3. Entrar ‘forte’

No “ataque” aos trilhos com lama, tenta entrar com determinação e com uma boa cadência, até porque se entrares com velocidade e potência a mais ou a menos poderás perder o controlo ou ter de desmontar.

A bicicleta regae sempre ao piso, pelo que terás de puxar pela técnica mais do que o habitual: mover o corpo em contrapeso para reforçar o equilíbrio, descontrair ao máximo e estar sempre pronto para dar pedal e sair tão forte como entraste no trilho.

A subir, tenta colocar o peso mais sobre a roda traseira para que esta não perca tração. Sentado, claro. A descer, por vezes não é bom travar em demasia: prefere o travão de trás e trava suavemente e em pequenos toques, para que a roda não esbarre.

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Se tens uma e-bike, tudo isto é válido. Mas lembra-te que o motor pode ser uma grande aliado. A descer e a rolar, dar um “cheirinho” com o modo Turbo pode ajudar a passar secções de lama sem qualquer problema. A subir, por outro lado, o modo Eco pode dar à roda e à bike a potência certa para não perdermos tração. A bicicleta depois faz o resto.

4. A lavagem…

Não há desculpas para não lavarmos a bicicleta depois de uma volta mais  enlameada! Tens de tirar a lama de forma atenta e exaustiva, já que se trata dos maiores “inimigos” do bom funcionamento dos componentes.

Evitando a lavagem de alta pressão, usa a mangueira para tirares o máximo de barro possível antes de meteres mãos à obra com a escova e com a esponja. Todo o cuidado é pouco, atenção para não riscares a pintura…

Normalmente não recomendamos lavagem com mangueira diretamente, mas em situações de lama em excesso não haverá problema. É só para tirar “o maior”, pelo que deves ter o cuidado de não apontar o jacto com demasiada intensidade para as partes mais “sensíveis” da bike.

Verifica bem todos os pontos antes de terminares, pois a lama consegue instalar-se em todo o lado, como bem sabes. Usa uma escova com pelo um pouco mais comprido, se for necessário.

Por fim, é importante que utilizes um pano seco e que não liberte pelos para limpares e enxaguares bem a bike, especialmente as partes metálicas que possam sofrer com oxidação. E até ao próximo lamaçal!

 


A bike que utilizámos para a criação deste artigo é a GT Force GT-E Amp que estamos neste momentos a testar, tal como acontece com alguns produtos emprestados pela Bike Comp: pedais Burget MK4, óculos HILX Youngblood e sapatos Ride Concepts Livewire.

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