A nossa experiência com a Yamaha Moro 07, uma elétrica de montanha com que esta fabricante japonês “teima” em surpreender o segmento das e-BTT, tem sido muito boa. E devemos desde já dizer que, num momento em que o sector caminha noutro sentido, é quase “irreverente” encontrar uma bicicleta com quadro em alumínio, roda 27,5” e preço abaixo dos 5.000 euros…

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A Yamaha Moro 07 é assim uma bicicleta que nos mostra que para dar umas boas e divertidas voltas nos trilhos não é preciso gastar uma pequena fortuna numa elétrica.

E a marca faz assim questão de ter aqui um modelo de e-enduro que tanto serve para “passear” como para competir, pois até existe uma versão para esse efeito que apenas tem de diferente as suspensões. O resto é igual ao que vem de origem.

Yamaha eBike MORO 07: Race the thrill

Há quatro pontos essenciais nesta e-bike que nos convencem. O primeiro é o quadro em alumínio com um design de duplo tubo (Dual Twin) que integra de forma original e soberba a bateria que alimenta o sistema.

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A bateria fica entre os dois finos tubos que constituem o tubo diagonal, foi apenas preciso recorrer as umas tampas por cima e por baixo para “arrumá-la”. O resultado é ótimo, funciona bem.

Por outro lado, note-se que o quadro é muito pequeno, literalmente, talvez por ambas as rodas serem de 27,5”. Experimentámos um tamanho M e é mais do que certo que não existe espaço para qualquer grade de bidon.

Isto é desde logo um entrave para uns utilizadores, para outro apenas significará o “regresso” do uso de mochila, ao bom estilo do enduro. Sentimos muito a falta do bidon…

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Esta Yamaha Moro 07 tem apenas 1.206 mm de distância entre eixos.

Aliás, este talvez seja o ponto menos positivo de um quadro que, tal como referimos atrás, se apresenta com dimensões muito compactas.

E isto faz desta Yamaha Moro 07 uma bicicleta tão bem “manuseável” como as melhores enduros “não elétricas” que já experimentámos. Este modelo tem 1.206 mm de distância entre eixos neste tamanho M.

Agradou-nos muito a forma fácil como podemos manusear esta Yamaha Moro 07. O quadro é bastante compacto e conseguimos colocá-lo onde queremos…

Por outro lado, o peso da bicicleta é de 24,5 kg. Não é uma elétrica leve, é certo, mas também é verdade que já andámos em e-bikes de carbono muito mais caras e que na balança marcavam valores muito aproximados a este.

A contribuir para este peso está o facto de vários componentes nesta Moro 07 não serem os mais leves do segmento. Falamos, em particular, das rodas e da suspensões.

Ao andarmos numa bicicleta como esta e com estas características, fica no ar a sensação de que talve não seja preciso investir muito mais do que o preço desta Yamaha para conseguir ter uma elétrica de enduro muito competente, divertida e fiável…

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Palmas para o quadro…

O quadro Dual Twin é, antes de mais, original na sua conceção. Os tubos de alumínio que envolvem a bateria e alcançam o motor são diferentes do habitual. Além disso, está bem acabado para uma estrutura em alumínio e, além da falta de espaço para a grade de bidon, não lhe encontramos mais nenhum problema. Bem, talvez o facto de haver demasiados cabos na zona do guiador…

Os ajustes ao amortecedor estão bastantes acessíveis graças ao desgin original e “aberto” do quadro.

A geometria da bicicleta permite-nos tirar partido dela em diferentes ambientes. A curta distância entre eixos alia-se a uma direção que não é demasiado lançada (66,3 graus) e dá origem a medidas que nem sempre vemos em modelos de enduro. O reach de 437 mm também nos deixas com essa impressão.

No entanto, a andar, as sensações que temos a descer são de bastante controlo. Os cursos do amortecimento parecem “curtos” para o enduro, mas na prática isso não se nota, pois a performance das suspensões é mais do que suficiente para uma utilização normal. Raramento esgotamos os cursos.

Um guiador de 780 mm dá-nos bastante controlo…

As rodas são de 27,5”, mas acompanham o “andamento”, conseguimos meter a roda da frente onde queremos. Já a subir as coisas são um pouco diferentes. A direção é mais nervosa a subir trilhos técnicos mais lentos; e nestes momentos também sentimos saudades da roda de 29”…

Voltando à facilidade como manobramos a bicicleta, referir que esta Moro 07 entra bem nas curvas, supera obstáculos com facilidade e deixa levantar a roda da frente com facilidade.

Por outro lado, se sairmos da montanha e tivermos de andar um pouco em estrada, aí sim notamos algumas “insuficiências” nesta bicicleta. Os pneus atrasam-nos, o peso faz-se notar quando a assistência elétrica corta aos 25 km/hora, o amortecimento “exagera” quando metemos mais ritmo na pedalada (temos de bloquear rapidamente o sistema)…

Motor e autonomia chegam?

Com 85 Nm temos potência de sobra. Há cinco modos de assistência, com um modo Eco que “puxa” pouco, mas garante mais autonomia. Se usarmos os modelos mais potentes, não vamos passar dos 50 a 55 km com eletricidade a ajudar… Mas pensemos: nas voltas de enduro, a tendência é para fazer render mais a bateria e não para andar “a fundo”. Para isso há elétricas com mais autonomia e mais leves…

No já referido modo Eco, contudo, ao fim de uma volta de 60 km chegámos a casa, em média, ainda com 40% de bateria disponível. Isto talvez queira dizer que, neste modo, conseguimos chegar aos 100 km com apenas uma bateria. A unidade de 500 Wh em causa não é amovível e tem de ser carregada diretamente no quadro.

O display parece-nos ser demasiado grande tendo em conta a pouca informação que apresenta. Por Bluetooth podemos emparelhar o sistema com o smartphone.

Aqui de lado há uma porta USB que pode servir para recarregar outros acessórios.

Falando de novo do motor, a unidade instalada é o Yamaha PW-X3, a mais potente que a marca tem. Entre os cinco modos de assistência, tem um automático, algo que começa a ser muito normal nas e-BTT e que serve aquele utilizador que deseja preocupar-se pouco com o assunto e apenas pedalar. Diga-se que por vezes a entrega de potência é demasiado brusca, obriga a dosear um pouco a força no pedal. Um dos pontos a melhorar no futuro…

Componentes de gama média

O desempenho dos componentes instalados determinam a média gama em que a bicicleta se insere. O conjunto de suspensões, no entanto, agrada-nos. A suspensão frontal RockShox Lyrik Select RC é de 35 mm, mas não falta rigidez. Funciona bem e com relativa suavidade, é ajustável q.b.

Já o amortecedor é o RockShox Superdeluxe Select+, que por seu turno garante uma performance razoável, talvez com uma boa ajuda da própria cinemática do sistema de suspensão total do quadro. Este sistema traz boa tração a subir percursos técnicos, sendo importante poder bloquear tudo.

Na parte da travagem, os Magura MT5 com pinças de quatro pistões (e quatro pastilhas) contam com discos de grandes dimensões (203 mm). Potentes, apesar de bruscos na maior parte das vezes. Ao início parece que não travam bem, pressinamos com mais força e aí são acionados com vigor. Outro ponto a melhorar?

A transmissão é o sempre eficaz e fiável conjunto XT da Shimano. Aqui não há muito a dizer… Já andámos com dezenas de bicicletas com grupo XT e corre sempre tudo muito bem, além de estar garantida uma relativa durabilidade. Neste caso, cassete 10-51t, o normal hoje em dia, e um prato 36t que se adequa a este tipo de bicicleta.

A nossa avaliação

Uma bicicleta que se destaca assim que olhamos para ela, e principalmente porque o quadro tem uma construção diferente do habitual e porque ambas as rodas são de 27,5”, o que faz com que a Moro 07 pareça bastante pequena, compacta.

Há que valorizar este modelo sob uma perspetiva diferente. É importante experimentá-la, já que o comportamento em geral é bastante diferente e especial. Acima de tudo, é uma bicicleta divertida, tão ou mais divertida que modelos elétricos de montanha que custam muito mais!

Mas é daqueles modelos que ficamos a adorar ou a… detestar. Tem váriso pontos a melhorar, contudo, a começar pela falta de espaço para arrumar uma única grade de bidon. E também pode não agradar à maioria o facto de as rodas serem de 27,5”… Apesar de isto não ser um defeito, mas sim algo fora das tendência do momento. Tal como os cabos em demasia no guiador, que hoje se querem mais integrados.

De resto, o motor da Yamaha parece-nos potente e fiável (o tempo o dirá…), as suspensões pouco deixam a desejar quando comparadas com as do patamar acima e tudo isto faz com que esta Moro 07 se porte bem a descer e também nas parte mais técnicas. É uma e-enduro em toda a linha!

Ficha técnica da Yamaha Moro 07:

Quadro: alumínio Dual Twin // Motor: Yamaha PW-X3 85 Nm // Bateria: Yamaha 500 Wh // Transmissão: Shimano XT 12x (cassete 10-51d / Prato 36d) // Suspensão frontal: RockShox Lyrik Select RC 160 mm // Amortecedor: RockShox Superdeluxe Select + 150 mm // Travões: Magura MT 5 4 pistões (discos de 203 mm em ambas as rodas) // Rodas: Yamaha Alloy 40 mm interiores (46 mm exteriores) // Pneus: (F) Maxxis Minion DHF 27.5 x 2.6 (T) Maxxis Rekon 27.5 x 2.6 // Espigão: TranzX Dropper // Selim: Yamaha AntiSilp // Guiador: Yamaha Alloy 780 mm // Peso: 24,5 kg (verificado pelo GoRide) // Precio: 4.350 euros

Mais info:

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Neste teste:

  • Texto e teste: José Escotto
  • Fotos e vídeo GoRide: Samuel Iglesias
  • Rider em ação: José Escotto

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