Mais leve, mais capaz e mais próxima do XC moderno… Este nosso primeiro à nova Specialized S-Works Epic 9, talvez a versão mais bem equipada (e cara!) da gama, mostra uma bicicleta mais equilibrada, mais previsível e claramente alinhada com o que são hoje os circuitos de XCO.

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Aliás, a nova Epic 9, que apresentamos ao pormenor neste outro artigo, chega com um objetivo claro: ser mais rápida em contexto real de corrida.

Não apenas mais leve ou mais rígida, mas mais eficiente quando o terreno deixa de ser perfeito. Foi exatamente isso que tentámos perceber neste primeiro contacto com a versão S-Works. Vejamos tudo mais abaixo!

A sensação inicial confirma logo uma mudança importante face às gerações anteriores: a Epic 9 continua a ser uma bicicleta de XC, mas está mais próxima da lógica da Epic World Cup do que nunca.

A posição em cima da bicicleta, a integração do amortecedor traseiro e a forma como o conjunto reage ao terreno fazem lembrar claramente esse modelo, com o qual já tivemos um contacto prolongado há uns tempos.

Mas aqui há mais curso, mais margem e mais versatilidade.

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A geometria coloca o ciclista numa posição centrada, estável e com boa leitura do terreno. Não há aquela sensação “nervosa” que durante anos caracterizou algumas bicicletas de XC puro. Em vez disso, a Epic 9 transmite calma. E isso acaba por permitir andar mais rápido.

Peso: o primeiro argumento… e sente-se!

Se há ponto onde a Epic 9 se destaca imediatamente é no peso.

A unidade testada, nesta versão S-Works (não a Ultralight), apresenta na balança cerca de 9,6 kg (mais uns “pózinhos”), um valor muito competitivo tendo em conta o conjunto. Ainda mais sabendo que a versão topo de gama desce para números ainda mais baixos.

O quadro, com 1.589 gramas, é uma das bases desta redução de peso.

Mas, mais do que o número, o que interessa é como isso se traduz na condução. A bicicleta acelera com facilidade, reage rápido à pedalada e mantém sempre uma sensação de leveza, mesmo em zonas mais técnicas.

Não há sensação de inércia. E isso, em XC e no XCO, pode fazer a diferença.

Suspensão mais ativa, sem perder eficiência

A Epic 9 mantém 120 mm de curso, mas o comportamento é diferente.

Há uma boa reação ao terreno quando os trilhos são mais acidentados e técnicos, sobretudo nos pequenos impactos e na tração em subida. A roda traseira mantém contacto com o solo com  facilidade e isso traduz-se em mais controlo e menos perdas de energia, à partida.

O trabalho feito na cinemática também se nota, agora. A bicicleta não “afunda” em demasia quando pedalamos forte, mas também não parece “presa” quando o terreno exige absorção.

O sistema de três posições de gestão do amortecimento continua presente: – aberto para descidas e zonas técnicas; intermédio para ritmo constante; e em bloqueio para arranques ou ligações rápidas, asfalto.

Na prática, a posição intermédia acaba por ser a mais utilizada. Permite pedalar com eficiência e deixa a suspensão trabalhar quando necessário.

É um comportamento mais “moderno” e menos dependente de estar constantemente a ajustar modos.

Geometria: menos ‘nervosa’, mais rápida

A geometria é um dos pontos mais interessantes da Epic 9.

Comparada com gerações anteriores, é mais relaxada, mais estável e mais fácil de ler. O ângulo de direção entre 66,5º e 66,9º e o reach mais longo ajudam a dar essa confiança extra.

Em andamento, isso traduz-se numa bicicleta que pode descer melhor, permite cometer mais erros e mantém velocidade em zonas técnicas. Mas sem perder capacidade a subir, pelo que notamos neste primeiro contacto.

As escoras específicas por tamanho também vão ajudar a manter equilíbrio no comportamento, algo que se nota quando se acelera ou se entra em curva.

No fundo, é uma bicicleta menos “nervosa” e mais eficaz no conjunto.

Componentes em destaque

Já falámos do quadro, que é a base que garante que esta é a Epic mais leve de sempre, mas há outros elementos que ajudam a isso, e a um pouco mais…

Primeira, o amortecimento. À frente, os 120 mm da RockShox SID Ultimate são mais do que suficientes, passando-se o mesmo com o amortecedor RockShox SIDLuxe Ultimate atrás.

Boas leituras do terreno e um ajuda preciosa do sistema Flight Attendant, que é uma verdadeira maravilha a gerir o funcionamento das suspensões por nós. Uma “modernice” que faz muita diferença!

Na mesma linha, a transmissão SRAM XX Eagle AXS, eletrónica, claro. É sempre muito divertido controlar a passagem das mudanças num sistema como este e há fiabilidade e garantia de que temos andamentos à altura do momento, seja a treinar, seja a competir. Cassete 10-52t.

Por último, referência às rodas, talvez as melhores da Specialized com que já andámos: as Roval Control World Cup. Aros e raios em carbono, rolamentos cerâmicos e uma sensação muito positiva a rolar. Basicamente, umas rodas de 1.800 euros, bastante leves…

Outros detalhes que fazem diferença

Há vários pequenos pontos que ajudam a perceber o trabalho feito nesta geração da Epic 9.

O armazenamento SWAT externo é totalmente novo, mais simples e funcional. Fica por baixo do bidon, entre os dois bidons, na verdade, e pode ser removido sem impacto no peso. Para quem compete, faz sentido.

O aumento de clearance para o pneu, especialmente atrás, também é relevante: permite rodar com mais conforto em lama ou terrenos mais soltos, sem comprometer o funcionamento da bicicleta.

A integração do cockpit integrado Roval Control SL e a organização geral dos cabos e restantes elementos à frente dão uma sensação de conjunto muito limpo e bem “resolvido”. Isto não é novo, mas faz a diferença.

Nota ainda para a presença do espigão telescópico RockShox Reverb AXS, que além de eletrónico na ativação também dá muito jeito nas descidas e num XC mais arrojado.

Nada disto é revolucionário isoladamente, mas no conjunto melhora a experiência global a andar nesta S-Works Epic 9.

No terreno, onde realmente interessa

No terreno, a Epic 9 mostra aquilo para que foi feita e as sensações ajudam a justificar o elevado preço da bicicleta: sobe com eficiência, sem necessidade constante de bloquear suspensão. Mantém boa tração mesmo em subidas técnicas e reage bem às acelerações.

A descer, é mais previsível do que gerações anteriores. Permite entrar mais rápido, corrigir trajetória e manter velocidade em zonas mais irregulares.

E talvez o mais importante: parece que não cansa tanto. Talvez seja só uma impressão nossa, vamos queremos andar mais tempo com ela para tirar isto a limpo!

A combinação de geometria, suspensão e peso resulta numa bicicleta que exige menos correções constantes. Isso, ao longo de uma prova, nas mãos de quem anda em competição, pode traduzir-se em energia poupada.

Ainda assim, esta não é uma bicicleta que impressione no primeiro sprint, na primeira volta. É uma bicicleta que demora uns bons minutos a “entender”, a “interiorizar”, tal como nos aconteceu com a World Cup também na versão S-Works, mas que depois se “entranha”. E que se mantém consistente ao longo de toda a volta.


A nossa avaliação:

A S-Works Epic 9 não é apenas mais leve. É mais completa. Na vídeoreview referimos que esta versão tem 8,5 kg, mas, na verdade, tem 9,6 kg, isto sem contar com os gramas que os pedais acrescentam ao conjunto. A versão mais leve é a Ultralight e não esta S-Works Epic 9.

Mas diga-se com convicção que esta geração mantém aquilo que sempre definiu a Epic: eficiência e foco competitivo. E diversão! Uma bicicleta que se adapta ao XC atual, em que a capacidade técnica e a estabilidade são cada vez mais importantes.

A proximidade com a Epic World Cup na posição e nas sensações transmitidas não é por acaso (isto também se nota na forma como o amortecedor está ligado ao quadro…). Mas aqui há um pouco mais de margem, versatilidade, e menos limitações.

É uma bicicleta pensada para andar rápido em qualquer cenário de XC moderno. E, pelo que vimos neste primeiro teste, consegue fazê-lo bastante bem!

Uma nota final: há muito vídeos lançados pela Specialized com tudo sobre a nova Epic 9. Podes vê-los todos no nosso artigo de apresentação da bicicleta, aqui.


Especificações da Sworks Epic 9:
  • Quadro: S-Works FACT 12m Carbon, 120 mm
  • Suspensão frontal: RockShox SID Ultimate Flight Attendant, 120 mm
  • Amortecedor: RockShox SIDLuxe Ultimate Flight Attendant
  • Transmissão: SRAM XX Eagle AXS
  • Cassete: SRAM 10-52t
  • Pedaleiro: 34t SRAM/Quarq XX SL Eagle com medidor de potência
  • Travões: SRAM Motive Ultimate, 180/160 mm
  • Rodas: Roval Control World Cup, rolamentos cerâmicos, raios em carbono
  • Guiador: Roval Control SL
  • Pneus: Specialized Fast Trak à frente e Air Trak atrás, 29×2.35
  • Espigão: RockShox Reverb AXS
  • Peso: 9,66 kg (sem pedais)
  • Preço: 12.699 €

Equipa GoRide responsável pelo teste:
  • Rider: Nuno Margaça
  • Fotos e vídeo: Nuno Margaça e Jorge Lopes
  • Outras fotos e vídeos: Specialized

Disclaimer:
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