Uma bicicleta de carga é algo que não se vê no nosso país tanto como noutros do centro e do norte da Europa, naturalmente. Mas a verdade é que são cada vez mais os utilizadores a procurarem este tipo de bicicleta, tanto na cidade como noutros meios semi-urbanos, para substituir o carro e/ou apenas por diversão em família. Talvez por isso, a Decathlon surpreende com o lançamento desta Btwin Vélocargo R500 E, que tivemos todo o prazer em experimentar!

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É normal que estas bicicletas sejam elétricas, visto terem sido pensadas para transportar mercadorias e/ou pessoas além do condutor. Confere, esta R500 E conta com um normal sistema elétrico de apoio à pedalada, ao mesmo tempo que inclui pormenores fantásticos, bem pensados pelos engenheiros e designers da marca.

À primeira vista, esta é uma bicicleta de carga que capta as atenções de quem está em nosso redor, pois não é muito habitual vermos alguém a andar com uma bicicleta tão grande. E pesada.

Falamos de 38 kg e de cerca de 2,20 metros de comprimento. Não é uma bicicleta que se possa transportar dentro ou em cima do automóvel, mesmo que seja numa carrinha. É preciso pensar nisso no momento de a ir buscar à loja, e também no dia a dia, pois é necessário que caiba na garagem, certo?

As nossas voltas de teste foram apenas em contexto de diversão em família. E é por aí que começamos, pois este é um dos usos que a marca associa a esta cargobike. E diversão não falta, ao mesmo tempo que ficamos com a certeza de que esta R500 E será certamente muito para quem tem de ser deslocar na cidade com alguns objetos de trabalho ou lazer.

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Até 80 kg… ou mais?

Podemos levar na secção traseira da bicicleta um adulto que pese menos de 80 kg, ou uma ou duas crianças, desde que não se exceda esse limite de peso, à partida. Quando mais peso transportarmos, mais cautela será necessário termos no modo como controlamos a bicicleta.

De referir que há uma espécie de “acelerador” na parte esquerda do guiador para dar o impulso inicial de arranque (até 6 km/hora), algo que se revela muito útil, especialmente se estivermos a querer arrancar numa subida.

Então, se estivermos a transportar uma criança já um pouco crescida (ou um adulto), a pessoa pode sentar-se normalmente no banco traseiro, pousar os pés nos estribos em madeira laterais, segurar-se aos ferros e aí vamos nós. Entrar e sair será mais difícil quanto maior for a pessoa.

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Se quisermos podemos também montar uma cadeirinha de transporte de crianças própria para bicicleta, e isto na extremidade mais atrás do espaço de carga. Assim poderá ir outra criança mais crescida na parte mais à frente.

A imagem seguinte, retirada do site da Decathlon, mostra isso perfeitamente. E refira-se que a marca comercializa uma separado uma almofada própria para o transporte de passageiros neste porta-bagagens!

Compatível com vários acessórios

Adicionalmente, nada impede que montemos alforges de diferentes dimensões sobre os já referidos estribos laterais, para que se possa transportar objetos juntamente com os passageiros. É tudo uma questão de arrumação e de gerir o peso total. Basicamente, e de acordo com o que experimentámos, podemos “carregar” tudo e quem quisermos desde que depois consigamos efetivamente colocar a R500 E em andamento.

Quando mais peso, mais “mãozinhas” teremos de ter para ela…

Por outro lado, se a ideia é apenas transportar coisas – carga –, aí a questão é diferente. Alforges dentro ou fora do espaço de carga resultam na perfeição, tal como um saco de desporto “encaixado” nessa secção.

Para acondicionar melhor mais coisas sem corrermos o risco de que caiam por baixo dos ferros, contudo, será sempre melhor utilizar caixas com dimensões que permitam um encaixe perfeito naquele espaço.

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Basicamente, este porta-bagagem integrado que vemos na E500 E é compatível com toda a gama de acessórios Btwin do género. Pode levar até 80 kg, como já foi referido, e permite instalar uma caixa com as dimensões de 60 x 40 x 40 cm. Podemos montar ali também cadeiras para crianças e alforges (até num sistema duplo de 50 litros cada um, por exemplo), recordamos.

À frente há também um cesto de guiador com capacidade para até 10 kg.

Repetimos: é tudo uma questão de “jogarmos” com o peso total do conjunto e com a destreza que temos para controlar a bicicleta (e todo esse volume e peso). A Decathlon fala de até 208 kg no total, entre bicicleta, utilizadores e carga.

Como boa urbana que é…

Não podia falar elementos que são de enorme importância ao circularmos nas ruas dos centros urbanos: guarda-lamas em metal, perfeitamente integrados e sem ruídos; proteção de corrente e outros resgardos que vão impedir que nos sujemos; campainha de alerta…

Há ainda um cadeado de roda, na roda traseira, que implica que a chave tenha de estar colocada enquanto circulamos… O sistema impede a rotação da roda, que é o que se pretende em termos de sugerança anti-roubo, e é compatível com a corrente plug-in da Decathlon.

Por outro lado, outro elemento fundamental nesta R500 E é o “descanso”. Neste caso é de pé duplo e está situado por baixo e a meio da estrutura da bicicleta, dadas as suas dimensões. Não é nada fácil colocar e tirar o “descanso”, sendo necessário levantar um pouco a bicicleta, algo que pode complicar-se ainda mais se tivermos pessoas ou carga no porta-bagagens.

A juntar a isso, sente-se por vezes a falta de espelhos retrovisores no guiador, para que possamos controlar tudo o que se passa à retaguarda e em nosso redor. Mas este acessório é algo que as lojas vendem em separado, não será difícil de adicionar ao conjunto.

Força elétrica

Há bastante, parece-nos. Esta R500 E depressa “embala” se não levarmos peso, sentindo-se de imediato a paragem do motor elétrico ao alcançarmos velocidades de 25 km/hora, naturalmente. Transições um pouco bruscas, o que também é normal numa bicicleta deste tamanho.

A marca avança um binário de 58 Nm num motor de 250 watts integrado na roda traseira; visualmente nem damos por ele. A relação com a força que fazemos nos pedais está bem conseguida. Aliás, no modo Power (300%) damos por nós a andar bem depressa e em diversão total!

Já no modo Eco temos apenas 90% de apoio elétrico à pedalada, enquanto no modo Normal a ajuda é de até 180%. É neste que a bateria mais se mostra equilibrada entre performance e autonomia, que pode chegar aos 60 km (num uso “misto”). Mas atenção que tudo depende também do peso que é transportado e dos percursos.

O modo Walk também é útil, muitas vezes até no momento de arrancar.

Falando da bateria, parece-nos que esta unidade de 672 Wh demora qualquer coisa como cinco horas a carregar na totalidade (a marca fala de 4h40m). A bateria é amovível (com bloqueio por chave), o que dá muito jeito dadas as características físicas da bicicleta. Isto quer dizer que podemos retirar a bateria e levá-la para carregar num local diferente de onde a R500 E está guardada.

A ajudar encontramos na secção esquerda do guiador um ecrã com unidade de controlo. Este ecrã mostra a velocidade instantânea, a distância percorrida, o modo selecionado, a autonomia prevista; e há comandos para ligar e desligar a bicicleta, tal como para fazer o mesmo com as luzes.

Aqui, a iluminação atrás parece-nos adequada; à frente, contudo, talvez pudesse estar presente um pouco mais de potência, isto a pensar nas ruas menos iluminadas. Falamos de uma luz LED Spaninga Axendo 40 à frente (40 lux). Atrás o sistema tem um indicador de desaceleração em caso de travagem.

Componentes à altura

Neste ponto não há nada de extraordinário a ressalvar, visto que o nível de equipamento está alinhado com o que encontramos em muitas urbanas elétricas e em várias outras cargo bikes.

O quadro é em alumínio e tem garantia vitalícia, enquanto há garantia de dois anos para os restantes componentes. E aqui encontramos tantos pormenores interessantes do ponto de vista do design, da funcionalidade…

Nas muitas imagens que fizemos (e no vídeo) conseguimos ver bem todos os detalhes da bicicleta.

A transmissão é um sistema Microshift com desviador traseiro de oito velocidades (não é preciso mais), corrente KMC (anti-ferrugem) e cassete 11-28t. Quanto aos travões, que funcionam bem, são Tektro com discos de 180 mm. Conjugados com os pneus CST C1996, bastante robustos, é possível fazer para a bicicleta como desejamos mesmo com algum peso a ser transportado.

Nas rodas há algo curioso e funcionalmente importante: a da frente é roda de 26”, mas atrás está uma roda de 20”, pois é preciso que esteja bem integrada no porta-bagagens, entre os estribos, e que ainda assim dê estabilidade a toda a estrutura.

Sente-se falta de amortecimento traseiro na maior parte das vezes em que transpomos algum obstáculo (nem tanto quando apenas rolamos…), mas à frente a R500 E está bem servida com uma suspensão frontal.

A fechar, algo que é sempre importante: o preço. São 2.800 euros que não se mostram baratos, de certa forma e à primeira vista. Mas recordemos que esta é uma bicicleta elétrica e que é bastante grande, recorre a muita matéria prima na sua conceção, bambu incluído. E que os componentes até estão em bom nível, sem esquecer a presença de suspensão frontal. Comparando com outras cargo bikes que conhecemos, nem é das mais caras…

O que mais nos agrada…

  • Por um lado, a capacidade de carga desta R500 E, desde que se use um compartimento adicional à medida. O peso fica bem distribuído. Por outro lado, a capacidade de diversão transportando um adulto ou até duas crianças na parte de trás.
  • O sistema elétrico de apoio à pedalada funciona muito bem, tal como o nível de componentes e material está em bom plano.
  • De uma forma geral, a bicicleta é muito fácil de manusear e controlar.
  • Os muitos pormenores citadinos bastante bem pensados e conseguidos.

A melhorar…

  • Tendo em conta que na parte de trás podemos levar pessoas ou carga com até 80 kg, faz falta um sistema de amortecimento traseiro. E nem precisará de ter um curso muito longo…
  • A iluminação frontal poderia ser um pouco mais poderosa.
  • O “descanso” é bastante difícil de colocar e retirar (também devido ao peso e às dimensões da bicicleta).
  • Para transportar carga é preciso utilizar uma caixa de dimensões que caibam no espaço traseiro da bicicleta.
  • A entrada/saída de um adulto da parte traseira da bicicleta pode ser um pouco complicada. Uma criança, contudo, entra e sai bastante bem (passando por baixo dos ferros).

Ficha técnica resumida:

  • Quadro: alumínio (com secções de apoio em madeira e bambu), para pessoas com 1,55 a 1,95 metros de altura.
  • Motor: na roda traseira, 48 V, 250 watts, nominal, binário máximo de 58 Nm.
  • Bateria: células de iões de lítio Samsung, 672 Wh (48V, 14Ah), tempo oficial de carregamento de 4h40, autonomias anunciadas de 90, 70 e 50 km (respetivamente nos modos Eco, Normal e Power, e com uma pessoa de 80 kg em percurso plano sem carga).
  • Manípulo auxilixar ao arranque: até 6 km/hora.
  • Transmissão: desviador traseiro 8 velocidades Microshift, corrente KMC (anti-ferrugem), cassete 11-28 Microshift.
  • Iluminação: à frente, Spaninga Axendo 40; atrás, com indicador de desaceleração em caso de travagem.
  • Rodas: dianteira de 26 polegadas; traseira de 20 polegadas. Em alumínio e com 36 raios.
  • Pneus: CST C1996.
  • Travões: hidráulicos Tektro com discos de 180 mm e manetes em alumínio.
  • Acessórios/equipamento: porta-bagagem compatível com toda a gama de acessórios Btwin, guarda-lamas, proteção de corrente, resguardo de saia, descanso em alumínio, apoios de pés atrás, barra de apoio para criança ou carga regulável em largura, cesto dianteiro preso ao quadro, cadeado de roda, buzina.
  • Peso anunciado: 38 kg (não verificado).
  • Peso máximo do conjunto: 208 kg.
  • Preço: 2.800 euros.

Site oficial:

Todas as fotos (clica/toca para aumentar):

Pormenores (clica/toca para aumentar):

Todas as imagens da marca:

Neste teste:

  • Texto, fotos e vídeo: Jorge D. Lopes

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