A BH estreia-se num segmento novo no seu portfólio de bikes de estrada com a RS1, um modelo que encontramos num posicionamento intermédio na hierarquia que resume as tecnologias da bicicleta de estrada mais sofisticadas do fabricante espanhol, o G8 Disc, somando-lhe o coeficiente de aerodinâmica das melhores do “género”. E ainda um elevado compromisso com o conforto a rolar. Fiquemos a conhecer melhor a nova BH RS1 5.0.

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Mas o que contribui afinal para os resultados que enumeramos já no parágrafo acima? Fácil: o quadro com geometria desportiva, os acabamentos refinados e a cablagem totalmente integrada, algo que confere à RS1 uma estética atraente, moderna e agressiva.

BH RS1 5.0

Contudo, esta bicicleta foi concebida com privilégio incondicional ao conforto, para longas horas de selim sem exigências competitivas ou desportivas – duas características com que a RS1 não se compromete –, no intuito primordial de satisfazer o leque mais abrangente possível de ciclistas. E outro ponto relevante numa bicicleta de estrada e que não serve de pregão à RS1 é a ligeireza do peso.

Assim, esta versão 5.0 da RS1 que testámos está equipada com Shimano Ultegra Di2, travões de disco e rodas EVO 38 Disc V3, apresentando um preço de 5.499 euros. Uma bicicleta que pesa de 8,02 kg no tamanho M contando com um porta-bidon e sem pedais, um peso significativo para ambicionar o estatuto de bicicleta de altas prestações.

Mas também é verdade que este peso pode ser um pouco aligeirado, eventualmente, substituindo os pneus Hutchinson Epsilon 700 x 28 que surgem de série, que não estão ao nível do conjunto, por outros mais leves e “performantes”. Quanto a estes argumentos definidores desta máquina da BH, estamos ‘falados’. E muito bem falados, visto que as sensações transmitidas pela bike, de uma forma geral, são muito convincentes!

Pela geometria, a RS1 assemelha-se a uma bicicleta de competição, mas somando-lhe superiores níveis conforto: racing, aero e… ‘frendly’.

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A RS1 beneficia de todos os avanços tecnológicos da G8 Disc, acrescentando-lhe uma geometria mais confortável sem comprometer o desempenho, apesar de não lhe podermos exigir performances de “competidora” topo de gama. Pela geometria, a RS1 assemelha-se a uma bicicleta de competição, mas somando-lhe superiores níveis conforto.

Esta bicicleta da BH foi desenhada – assume a própria marca… – para otimizar o conforto, com o mérito de garantir elevado coeficiente aerodinâmico e bastante rigidez ao quadro.

Um cocktail que garante performances bastante satisfatórias, além do que o labor do fabricante resulta otimamente na estética da bicicleta, pela cablagem completamente interna e pela integração total de componentes.

Cablagens (totalmente) internas

O sistema ACR da FSA permite ocultar completamente a cablagem pelo interior do guiador e do tubo de direção. O guiador, concebido pela BH, é aerodinâmico e elegante, e tem inclinação negativa para promover uma posição mais aerodinâmica ao ciclista.

Todavia, é um pouco menos correto na ergonomia, devido ao tubo superior plano e extremamente fino e com superfície lisa (não revestida a fita), que poderá obstar à mais correta sujeição das mãos (mais pequenas).

Por esse motivo, o próprio guiador propicia que o agarremos mais amiúde nos drops (ou então no topo das manetes) e menos na referida área superior, habitualmente utilizada em subidas. O design do avanço permite que seja compatível tanto com grupos mecânicos como eletrónicos.

A testa da direção é mais alta do que no G8, para nos dar uma posição mais cómoda, mantendo um design desportivo.

A BH destaca que o quadro da RS1 é construído com o processo Hollow Core Internal Molding, que permite controlar a espessura de cada tubo para equilibrar o peso e a rigidez. As escoras são bastante curtas para elevar reatividade da bicicleta.

O quadro tem caixa de pedaleiro BB386EVO, com 86 mm de largura e a testa da direção é mais alta do que no modelo topo de gama G8 – exceto no tamanho M, que é semelhante –, o que contribui para a obtenção de uma posição mais cómoda e também evita termos de utilizar vários espaçadores, mantendo um design desportivo. Além disso, o tubo horizontal é mais curto (cerca de 1 cm dependendo do tamanho), para reduzir o alcance.

Aerodinâmica!

No design dos tubos foram adotadas as formas Kamm Tail, para maior aerodinamismo. Além disso, a cablagem é completamente interna, e outro ponto chave é o sistema de aperto do espigão de selim. Trata-se de uma cunha integrada no tubo superior do quadro, uma solução que requer um torque de aperto menor e que reparte melhor a força, o que evita possíveis problemas com o carbono.

A RS1 inclui um espigão de selim próprio com duas configurações disponíveis: reto ou com 25 mm de recuo. Mais: igualmente em opção, o espigão pode ter 15º de recuo, que é mais uma prova da intenção sublinhada pela BH para esta bicicleta, e que passa pela adaptação a todos os ciclistas e proporcionando-lhes a escolha entre posições de maior rendimento ou mais confortáveis.

As rodas integram o sistema de fecho Hidden Quick Lever com alavanca oculta, o que permite retirar a roda sem a necessidade de ferramentas, ficando essas alavancas ocultas no próprio eixo da roda. O quadro RS1 permite igualmente a adoção de pneus de medida até 30 mm, promovendo, ainda mais, o conforto de rolamento.

No terreno plano flui como o vento: roladora de excelência; na montanha, o peso é um lastro importante, longe de ser trepadora…

As soluções tecnológicas eliminaram elementos que prejudicam o desempenho aerodinâmico e contribuem para que a RS1 tenha linhas limpas e afiladas, permitindo que o ar flua a alta velocidade.

A posição do ciclista é claramente para reduzir a resistência ao ar, para o que contribui a inclinação do guiador – a RS1 é para ser conduzida com as mãos em baixo do guiador, proporcionando, nessa posição, uma surpreendente e elogiável comodidade. Como poucas que já experimentámos.

Por isso, surpreende menos que a RS1 tenha aptidões ótimas em terreno plano ou mesmo ondulado, rolando facilmente a velocidades elevadas. E o mesmo em descida, com manobrabilidade fácil, ótima agilidade e uma imperturbável estabilidade.

Em contraponto, agilidade e ligeireza é o que não retiramos desta bicicleta em subidas, e quando mais íngremes, menos. Um handicap que se deve, sublinhe-se, ao peso total considerável, no limar dos 8 kg, e também à posição do guiador, mais do que a própria geometria…

Gama completa

A gama RS1 é composta por cinco modelos que partilham o quadro e a forqueta, incluem grupos mecânicos e eletrónicos a partir de 2.699 euros, com Shimano 105 e rodas Vision Team de 35 mm.

Personalizável

A BH RS1, além de várias versões disponíveis, destaca-se pela opção entre cinco decorações de série e até 32.000 combinações de cores disponíveis através da plataforma online BH Unique.

A nossa avaliação…

A BH RS1 5.0 não é uma bicicleta topo de gama. De qualquer modo, custa mais de 5.000 euros, preço que a compromete com uma oferta compensadora ao cliente. Este, esclareça-se para que não restem dúvidas, não deverá ser apreciador fundamentalista de máquinas leves e escaladoras, porque esta, além de ser uma roladora por excelência, apresenta um lastro considerável (8 kg).

Em terreno plano ou suavemente ondulado, a RS1 5.0 explana todo o seu manancial de qualidades, chegando a galvanizar pela forma fluída e veloz com que avança a cada golpe de pedal.

O ciclista não demorará a perceber que a posição ideal é ter as mãos nos drops do guiador, o que desde logo denuncia as aptidões (aero)dinâmicas desta BH. O fabricante espanhol insiste que uma das qualidades primordiais da RS1 é o conforto e a versatilidade para satisfazer um número abrangente de utilizadores.

Acreditamos. Mas cremos também que, perante outras virtudes (como a referida capacidade roladora, a ergonomia correta proporcionada ao ciclista e a não menos relevante estética ‘racing’ e moderna), encontramos aqui uma opção sólida dentro do género. Em todo este rol de virtudes descrito, aplausos de pé à BH.

Pontos mais positivos:

  • A posição aerodinâmica propiciada pela geometria do quadro e essencialmente pela inclinação negativa do guiador, que leva o ciclista a segurá-lo mais amiúde nos drops.
  • A estética da bicicleta, no seu todo, bastante atrativa, agressiva e racing, apesar das rodas não contribuirem especialmente para essa sofisticação. Pelo contrário.
  • As qualidades roladoras bastante elevadas para uma bicicleta com posicionamento intermédio na gama (incluindo o preço).
  • A qualidade de construção e dos acabamentos. Para uma máquina com este preço faz corar de vergonha algumas mais elitistas, de outras marcas.

Pontos a melhorar:

  • O peso não será, propriamente, um ponto a melhorar, mas sim a criticar, porque com esta montagem não é fácil baixar muito mais os 8 kg da RS1 5.0. As rodas e os pneus de origem podem ser desde logo componentes a suprimir, mas nunca tornaremos esta bicicleta uma trepadora. As rodas e os pneus, reforce-se, são os componentes menos “dignos” da qualidade geral da bicicleta.

Todas as fotos:

Galeria de pormenores:

Especificações técnicas da BH RS1 5.0

  • Quadro: RS1 Disc ACR Monocoque
  • Forqueta: RS1 Disc Totalmenmte Integrado Tapeder, Full Carbon 1.5´
  • Guiador: EVO Monocoque ACR
  • Avanço: EVO Monocoque ACR
  • Espigão: RS1 Aero
  • Pedaleiro: FSA SLK 52/36
  • Corrente: FSA TH-CN1102
  • Manetes: Shimano Ultegra Di2 Hydra
  • Selim: Prologo Dimension
  • Direção: FSA ACR
  • Desviador Frente: Shimano Ultegra Di2
  • Desviador Traseiro: Shimano Ultegra Di2
  • Cassete: Shimano Ultegra 11/30
  • Travão Frente: Shimano Ultegra Hydraulic
  • Travão Traseiro: Shimano Ultegra Hydraulic
  • Rodas/Jantes: EVO 38 Disc V3
  • Pneu Frente: Hutchinson Epsilon 700x 28
  • Pneu Traseiro: Hutchinson Epsilon 700x 28

Site oficial:

Neste teste:

  • Texto: Ricardo Costa
  • Fotografia e vídeo: Jorge Lopes
  • Rider: Ricardo Costa
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