Quando usamos o adjetivo sensasional para introduzir a nova Canyon Grizl, falamos mesmo num sentido literal e absoluto… Esta é uma bicicleta que inaugura uma nova família de modelos para gravel no portfólio da marca, dando seguimento ao historial deixado pela Grail, e é uma bicicleta capaz de transmitir grandes sensações em momentos e experiências diversos. Passamos a explicar já a seguir, num artigo que mistura em exclusivo a apresentação e uma review detalhada da Grizl modelo CF SL 8.

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Como a própria marca refere, o gravel chegou para ficar. Disso não temos dúvidas, também. E desde o primeiro dia que fazemos questão de acompanhar as novidades que as marcas lançam neste já muito bem preenchido segmento. Afortunadamente, temos tido acesso a grandes máquinas de gravel, como podem constatar rapidamente na nossa secção de Testes.

Com esta nova e fantástica Canyon Grizl, é isso que acontece. Esta é uma bicicleta de gravel com um design distinto, com uma geometria equilibrada e com um conceito geral que merece reflexão. Isto porque, em nosso entender, e à semelhança de outros modelos de outras marcas, vem responder-nos a dois desafios: o desafio de andar mais rápido e num estilo diferente pelos estradões (e por vários singletracks) que habitualmente percorremos com a bike de BTT.

E ainda o desafio de viajar em cima da bicicleta. Exatamente. Estamos a pensar em viagens longas, de várias horas, carregados com bagagem, em caminhos mais ou menos míticos por esse país fora… E não estamos a pensar nas estradas de asfalto típicas, claro, estamos a pensar nos percursos que são destinados às bikes de gravel. Sim, o gravel tem na sua origem este tipo de viagens em cima da bike.

Foi por isso que baseámos as nossas experiências com esta Canyon Grizl em diferentes momentos: por um lado, algumas voltas que normalmente fazemmos em BTT foram feitas com a Grizl (as menos “acidentadas”); por outro lado, duas grandes viagens percorrendo partes do Caminho de Santiago (nas regiões compreendidas entre Lisboa e Tomar). Nestes momentos levámos connosco alguma bagagem com as bolsas emprestadas pela marca junto com a bicicleta. E levámos ainda um bom farnel, claro!

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É por aí que começamos, relembrando os momentos antes da partida em que conferíamos que estava tudo bem “amarrado” à bike e em que analisávamos os pormenores deliciosos da nova Canyon Grizl CF SL 8.

Depois da Grail, em 2018, a Canyon consolida agora a sua abordagem às bikes de gravel com uma Grizl que surpreende a nível estético, antes de mais. Basta olhar para o quadro da versão que testámos para constatar isso.

Motivos diferentes do habitual, cores diferentes, um look que adoramos. Neste caso, a versão Matcha Splash.

Antes de atentarmos no quadro, refira-se a funcionalidade, ou seja, a capacidade de instalar bagagem. Há suporte em várias partes do quadro e tudo fica perfeitamente no sítio certo durante a viagem.

Pneus largos!

De facto, esta é uma gravel que dá para praticamente todos os momentos que já referimos acima. E é rápida, muito rápida. E há grip, muito grip. Isto porque vêm montados os pneus Schwalbe G-One Bite TLE Evo de 45 mm, num setup com rodas 700c (nos cinco maiores tamanhos, nos outros dois, mais pequenos, 650b). É este o standard nas rodas, existindo um clearance para pneus de 50 mm em que fica ainda a sobrar 6 mm.

Atenção que, apesar de tanto as rodas como os pneus seram tubeless ready, todos os modelos são fornecidos de origem com câmaras de ar. Não o fizemos, mas recomendamos a conversão imediata para tubeless.

Voltando ao momento, reparámos nos pormenores. O selim Fizik Argo Terra R5 150mm revela-se confortável assim que nos habituamos à sua forma. Tranquilo. Na regulação da altura do espigão Canyon S15 VCLS 2.0, reparamos que esta é feita com chave na parte de trás, por cima da roda, com uma tampinha de borracha a disfarçar. Funciona.

Depois olhámos para o cockpit, ficando com a sensação de que está mais largo. É um facto: 440 mm neste tamanho M. Outra diferença face ao passado: como a bike é mais longa que a Grail, tem um avanço de 80 mm para compensar. Nos primeiros kms de cada volta curta ou longa adaptamos-nos perfeitamente tanto a este conjunto de controlo como à própria geometria, despois dos habituais ajustes de selim.

Controlo, manuseamento dos travões e dos shifters do grupo de transmissão Shimano GRX (já lá vamos…) sem qualquer problema. Instalámos o GPS sem o suporte longo da Garmin e ficou tudo muito bem arrumadinho.

Absorção controlada

Em andamento, e já em track de floresta com regos, raízes e pedras, começam as boas sensações, sempre a bom ritmo. Não existe aqui qualquer sistema de amortecimento (como vemos na Diverge da Specialized, por exemplo), por isso vamos ter direito a que seja o nosso corpo a absorver praticamente tudo.

Mas o carbono do quadro e das rodas DT Swiss G 1800 Spline DB 25 partilham grande parte dessa “responsabilidade” com os nossos braços e pernas. E porque há muita rigidez e robustez, apesar da leveza.

Neste capítulo, tire-se o chapéu à Canyon, que, tal como fazem as marcas na conceção de bikes de topo, conseguiu que o quadro deste modelo fique pelos 950 gramas, num conjunto que tem 9,3 kgs anunciados. Com as nossas “bugigangas” instaladas e com pedais (sem bagagem), fica entre os 10 e os 11 kgs. Somente os modelos mais no topo da gama ficam abaixo dos 9 kgs anunciados.

Há um “descair” da escora do lado direito para otimizar a ação da transmissão, algo que se vê noutras marcas, e também todo um sistema de passagem de cabos por dentro do quadro, com buracos e percursos já previstos para futuros upgrades e modificações. Impecável.

Por perto, os discos de travão também chamaram a atenção, com 16o mm e possibilidade de “aumentar” para 180 mm, algo que aí sim é menos vulgar. Neste campo, uma nota extra: as bikes de gravel são rápidas, regra geral. Esta canyon Grizl é rápida, o que nos faz elevar a velocidade nos caminhos normalmente percorridos em BTT.

É preciso ter “unhas” nos primeiros momentos, e é preciso ter sempre bons travões. Neste modelo, a eficácia é total. Pode haver momentos em que temos de começar a travar mais cedo, especialmente se usarmos o travão da frente, para a roda não derrapar para o lado, mas o sistema de travagem Shimano GRX 800 dá-nos a segurança de que precisamos.

Pensada para transportar…

Agora, as bolsas de viagem que instalámos para estas voltas maiores. A Canyon enviou-as junto com a Grizl e são três modelos que resultam da parceria com a Apidura, uma reconhecida marca neste segmento, disponíveis em exclusivo nos sites de ambos os fabricantes. Uma bolsa na parte de cima do top tube, junto à direção; uma bolsa de quadro; e uma bolsa para acoplar à parte por detrás do espigão e do selim.

Não saem do sítio mesmo nos terrenos mais atribulados, fazem os barulhos habituais das bolsas que vão agarradas a quadros de carbono, fruto de um bom sistema de fixação que vem de origem na bike, e são feitas de Hexalon, um material que se revela resistente a desgaste e à prova de água.

Foi possível instalar três bidãos, um deles por baixo do downtube (em certos tamanhos e versões não há fixação nessa zona…), os outros dois nos sítios do costume.

E é possível fixar guarda-lamas vindos da gama de acessórios da Canyon Grail.

Durante todos os kms que percorremos com esta Canyon Grizl, fosse nas “aventuras” mais longas, de dia inteiro, fosse nas voltas mais curtas, todas as sensações obtidas foram muito positivas. A bike é fluida, transmite confiança e deixa-nos ultrapassar pequenos obstáculos de um modo muito natural, isto depois de nos ajustarmos à dinâmica deste modelo. Até porque estivemos a testar uma bike de suspensão total durante o mesmo tempo e a transição de uma máquina para a outra exigia uma mudança de mindset instantânea…

Contribuindo fortemente para este desempenho positivo está todo o conjunto de transmissão, o Shimano GRX 800, que marca presença nesta família de bicicletas precisamente a partir deste modelo CF SL 8. Se possível, aconselhamos a escolha de um modelo equipado com este grupo, sim.

Aqui, há em opção uma versão com apenas um pedaleiro 40t. Esta versão, e ainda bem, conta com um sistema de duplo pedaleito com uma relação de 48/31t. E dizemos ainda bem porque é assim que ficamos com o melhor compromisso de desmultiplicação para qualquer tipo e inclinação de terreno, o que pode fazer a diferença numa viagem mais longa.

Mudanças de velocidade fluidas, sem ruído, poucos momentos em que foi preciso afinar o desviador e mexer no conjunto. A cassete 11-34t está bem selecionada para o que esta bike se propõe fazer e nota-se que as mais recentes evoluções feitas pela Shimano nesta transmissão estão a dar resultados. Os modelos topo de gama da Canyon Grizl incluem um conjunto eletrónico também da Shimano e um 13x da Campagnolo, mas, à primeira vista, esta será a opção mais equilibrada em termos de preço.

Alguns destaques:

Um ou dois pratos?

O sistema monoprato está também a instalar-se definitivamente no gravel. A versão que testámos tem dois pratos, mas há a mesma versão com apenas um. Preferimos assim, para já, mas será apenas uma questão de tempo…

Montagem de alforges e bolsas

Furações por todo o lado! O quadro da Canyon Grizl está repleto de pontos para aparafusar e fixar bolsas, malas e alforges, sejam eles da Apidura ou não.

Rodas e pneus

Vem com pneus de 45 mm de largura, o que é fantástico para os trilhos mais exigentes. Mas há clearance de 50 mm, como já referimos. As DT Swiss montadas “aguentam-se” perfeitamente: rigidez, robustez, absorção de impactos dentro do possível…

Geometria

Há pormenores de design incríveis nesta nova Grizl, além das pinturas originais… Quadro com 950 gramas apenas na versão que experimentámos, tamanho M.

Terceiro bidão

Vê bem onde a Canyon colocou uma terceira grade para levar um bidão. E pode ser dos grandes.

Shimano GRX

Um grupo que continua a dar confiança e a funcionar perfeitamente, principalmente nesta versão 800.

A nossa avaliação…

A Canyon Grizl CF SL 8 é uma bike bem conseguida, que dá resposta às necessidades recentes de qualquer praticante de gravel. Não é uma daquelas máquinas super bem equipadas e otimizadas ao ponto de custar uma pequena fortuna, é sim um modelo equilibrado e preparado para “ajudar” a evoluir até um principiante na modalidade.

Destaca-se o sistema de transmissão a funcionar muito bem, o binómio rodas/pneus que dão rigidez e estabilidade ao conjunto e ainda um quadro com pinturas diferentes do habitual e muito agradáveis à vista.

A “cereja no topo do bolo” é depois toda a facilidade com que conseguimos manusear a bicicleta. Rápida e direta naquelas voltas que normalmente fazemos com a bike de BTT, confortável e prazerosa nos momentos em que decidimos fazer viagens mais extensas, com o quadro mais “carregado” com bolsas criadas especificamente para esta familia Canyon Grizl. Recomendada!

Pontos mais positivos

  • Antes de mais, a boa relação entre qualidade, desempenho, componentes e preço. Manter uma bike deste calibre abaixo dos 3.000 euros é uma grande notícia para os amantes do gravel. Os modelos mais bem equipados, naturalmente, sobem na escala de preço.
  • Os pormenores que a marca afinou ao ouvir os praticantes de trail, como é exemplo o cockpit mais largo e estável e a maior capacidade para instalar bolas e bagagem de viagem.
  • O look arrojado das várias versões da Canyon Grizl. Somos fãs.
  • Os pneus e as rodas montadas garantem um desempenho à “imitação” do preço.

 Pontos a melhorar

  • Fica aquela sensação do costume: se a bike é leve e responsiva no estado em que é fornecida, como ficará com alguns upgrades em carbono em alguns componentes? Exemplo: espigão de selim.
  • A ausência de amortecimento. Depois de termos experimentado um sistema de amortecimento por baixo da direção e no topo da forqueta, temos a certeza que isto é algo necessário numa bike de gravel. Algo para a Canyon desenvolver na próxima geração, sugerimos nós.

Todas as fotos:

Galeria de pormenores:

Especificações da Canyon Grizl CF SL 8 2021:

  • Quadro Canyon Grizl CF SL
  • Forqueta: Canyon One One Two to One One four CF Disc (404 mm)
  • Travões Shimano GRX 800 (com discos de 160 mm)
  • Rodas DT Swiss G 1800 Spline DB 25
  • Pneus: Schwalbe G-One Bite TLE Evo 622 x 45 und 584 x 45
  • Pedaleiro: Shimano GRX 800 48/31t
  • Cassete: 11-34t e desviador Shimano GRX 800
  • Guiador: Canyon Ergo AL HB0050
  • Avanço: Canyon Stem V13
  • Selim: Fizik Argo Terra R5 150 mm
  • Espigão de selim Canyon S15 VCLS 2.0
  • Peso: 9,3 kgs
  • Preço: 2.799 euros

Outros modelos na gama Canyon Grizl 2021:

  • GRIZL CF SL 6 – 1.999 euros
  • GRIZL CF SL 7 – 2.299 euros
  • GRIZL CF SL 7 (senhora) – 2.299 euros
  • GRIZL CF SL 8 – 2.799 euros
  • GRIZL CF SL 8 1BY – 2.699 euros
  • GRIZL CF SLX 8 1BY – 4.449 euros
  • GRIZL CF SLX 8 DI2 – 4.599 euros

Site oficial:

Neste teste:

  • Texto e vídeo: Jorge Lopes
  • Fotografia: Nuno Granadas
  • Rider: Jorge Lopes
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Jorge Lopes
Com mais de quinze anos de experiência na criação e edição de conteúdos em diversas áreas, é viciado em desporto e, naturalmente, em bikes. Mas raramente está em forma! Um dos mentores do projeto GoRide.

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