Faz parecer simples. Espera pelo momento certo, acelera e não precisa de esperar muito para ver as adversárias ficarem para trás. Quantas vezes já se viu isto de Annemiek van Vleuten? Pura classe de uma ciclista ímpar que na Ceratizit Challenge by La Vuelta foi igual a si própria para subir à liderança e deixar todas longe. A corrida só acaba domingo, mas em circunstâncias normais, a neerlandesa estará a caminho da tripla.

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Giro, Tour, Vuelta no mesmo ano. E logo numa temporda em que as conhecidas grandes voltas do lado masculino, começaram a afirmar-se como também as grandes provas entre as mulheres. Pela primeira vez a prova espanhola tem cinco etapas. Chegou a ser de um dia. E um dia foi o que bastou a Van Vleuten para mostrar que aos 39 anos (40 a 8 de outubro) continua de longe a ser a rainha do pelotão sempre que se disputa este tipo de provas.

Depois de um contrarrelógio coletivo em que a Movistar de Van Vleuten perdeu 25 segundos para a Trek-Segafredo, a neerlandesa fez 28 quilómetros – dos 106,5 – sozinha, com duas subidas (primeira e segunda categoria) pela frente.

Elisa Longo Borghini, a então detentora da camisola vermelha de líder, cedeu. Demi Vollering (SD Worx) foi quem mais resistiu. Uma imagem idêntica ao que se viu no Tour. Mas também na Vuelta a neerlandesa – que não se duvida que aos 25 anos está a caminho de se tornar também ele numa figura do ciclismo feminino – não aguentou aquele ritmo infernal de Van Vleuten. Quem aguenta?

Foram as últimas duas a ceder, porque todas as outras já tinham ficado para trás. Van Vleuten nem olhou para trás. Para quê? A meta de Colindres estava lá à frente e Van Vleuten só parou de pedalar sobre o risco de meta. Todos os segundos contam. Só 2:16 minutos depois chegaram Borghini, Liane Lippert (DSM) e Vollering.

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Na geral são 1:55 minutos de vantagem para Borghini e mais de dois minutos para a restante concorrência. À Movistar resta agora proteger a sua líder, merecendo as palavras de agradecimento pelo trabalho que as companheiras de Van Vleuten realizarm para anular a fuga e preparar o ataque de Van Vleuten.

Sabia-se que ia acontecer. Todas as adversárias sabiam. Porém, quando está em forma, é simplesmente uma missão impossível batê-la quando ataca.

Faltam três dias que não terão as dificuldades das de hoje, mas falta saber se as adversárias quererão entregar desde já a camisola vermelha, ou se Van Vleuten ainda vai conhecer uma ciclista que mostre que todo o pelotão feminino só ganha em ter alguém com a classe da neerlandesa. Ou seja, que a qualidade esteja a melhorar a nível geral.

E está, mas Van Vleuten continua num patamar muito próprio.

Van Vleuten não dá nada como ganho, numa modalidade em que tudo muda num segundo. Mas em Espanha já nada lhe tira mais uma exibição épica que mostra porque ficará na história como uma das melhores de sempre.

Terceira etapa

Se alguém quiser ameaçar a liderança de Van Vleuten então não pode esperar. Esta sexta-feira, os 96 quilómetros entre Camargo e Aguilar de Campoo terão duas subidas de terceira e segunda categoria. Mas é um percurso com muito sobe e desce.

Classificações completas:

Fotografias: Sprint Cycling Agency/Movistar Team

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