Já por aqui referimos algo que continuamos a achar: em média e de uma forma geral, as bicicletas são caras. No entanto, especialmente nos casos das que se baseiam em quadros de carbono, a verdade é que por trás do fabrico estão muitas horas e muito esforço para que nos seja entregue um produto de alta qualidade. E com “pormenores” que nos passam ao lado, mas que são simplesmente essenciais.

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Dito isto, quisemos perceber de onde pode vir o custo de um quadro de carbono utilizado nas melhores bicicletas de estrada dos tempos que correm. E recorremos à ajuda da Argon18, uma das marcas que é certamente de sonho para muitos ciclistas e que deixou de ser uma marca ligada exclusivamente ao triatlo e passou a ser uma referência entre as bicicletas mais exclusivas.

Argon18 Dark Matter

Neste sentido, escolhemos analisar o modelo de gravel Dark Matter desta mesma marca, isto para dar uma visão mais ampla do trabalho que dá desenvolver um quadro de bicicleta como este. Não sabemos ao certo se tal justifica na totalidade o custo final, mas há algo que nos fica na retina: tecnologia de ponta é algo que não falta na criação de uma bicicleta de topo.

Quadros de carbono Argon18 Dark Matter

O que pode então justificar o elevado preço dos quadros de carbono e, consequentemente, das bicicletas que neles se sabeiam? No caso desta Argon18 Dark Matter, são vários os pontos que a marca atira neste sentido, entre eles etapas no processo de fabrico e tecnologias utilizadas.

A produção das fibras de carbono que compõem o quadro é, evidentemente, o que mais pesa no custo devido aos materiais e à mão de obra necessários. “O preço de um quadro é determinado pela natureza dos materiais usados, pelo tempo de desenvolvimento e pela complexidade do processo de fabrico”, refere a Argon18.

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“No nosso caso, as bicicletas mais leves são fabricadas com um composto de fibra de carbono mais caro, o acabamento Pro, com mais layers de carbono aplicadas, mais finas e que requerem uma colocação mais precisa”.

O tempo que o processo demora também influencia o preço final, como explicam também: “estas bicicletas requerem também uma quantidade significativa de tempo de desenvolvimento para otimizar a disposição do carbono, para que se cumpram os objetivos de desempenho a alcançar. Por exemplo, o nosso quadro Pro é feito de layers de carbono com formas complexas e que demoram muito tempo a serem aplicadas”.

Por outro lado, a marca tem quadros menos leves e mais baratos, em que o processo e os materiais são diferentes. “Para obtermos a mesma rigidez e resistência com fibras de menor qualidade, os quadros Elite utilizam um maior número de layers, com formas mais simples, que são mais rápidas de colocar”, explica a Argon18.

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“Isto significa que podemos oferecer uma bicicleta com muitas das tecnologias e características de topo, mas a um preço mais acessível”. A Argon18 Dark Matter é um exemplo de bicicleta com quadro feito com fibra de carbono Elite.

Sistema 3D+

Vamos agora ver a outra principal razão para os quadros serem caros, pelo menos em teoria: os pormenores e sistemas que caracterizam os quadros de carbono e que fazem com que estas permitam a montagem mais avançada possível da bicicleta.

Exemplo? Um detalhe exclusivo da Argon18 é que em vez de se colocarem espaçadores no tubo de direção para dar ao guiador mais ou menos altura, é adotado o sistema 3D+, que é uma espécie de extensão totalmente integrada e aerodinâmica (com três alturas diferentes), que está associada aos diferentes tamanhos do quadro: 0 mm, 15 ou 30 mm.

Segundo a marca, este sistema “proporciona um ganho de rigidez comprovado de 5% em 15 mm e de 11% em 30 mm, isto em comparação com os espaçadores tradicionais. Além de que a integração do quadro oferece um benefício aerodinâmico sobre o nosso sistema 3D tradicional, suavizando o fluxo de ar sobre o guiador”.

Outra característica tecnológica habitual nos quadros é a possibilidade de fazer com que todos os cabos passam dentro do quadro. A Argon18 faz isto e praticamente todas as outras marcas também, refira-se. E em todas as gerações surgem sistemas mais avançados para um encaminhamento interno perfeito dos cabos.

Topological Compliance System

Por outro lado, algo que pode influenciar o valor em causa é o design e o trabalho de engenharia elaborado em busca de algo que vale ouro, por assim dizer: um equilíbrio perfeito entre comodidade e performance. No gravel, por exemplo, e tendo em conta a bicicleta focada neste artigo, procura-se sempre otimizar o design, a construção e a disposição dos quadros de carbono.

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A Argon18 fala disto usando como referência o seu Topological Compliance System. “Através de uma extensa investigação e análise de rigidez, resistência e aerodinâmica (utilizando os softwares FEA e CFD), desenhamos quadros e forquetas capazes de amortecer vibrações e que podem permanecer insensíveis aos movimentos laterais. Isto assegura a máxima eficiência do pedalar, com uma transferência ótima de potência”, explicam.

O Topological Compliance System é o resultado de múltiplas experiências com quadros e forquetas testados tanto em estrada como em laboratório de investigação, utilizando a marcas ferramentas de testes de vibração patenteadas.

Em suma…

O objetivo deste artigo não é de todo justificar que os quadros são caros porque não existe outra forma de as coisas acontecerem… Nem de justicar os preços que se praticam hoje em dia. A ideia é mais mostrar um pouco da paixão que há por detrás do fabrico de um quadro ou componente de carbono quando é especialmente desenhado e idealizado para o ciclismo.

E tiramos uma conclusão acertada: há algumas décadas, os processos eram muito simples. Hoje, tudo é diferente; e a concorrência entre as muitas marcas faz com que todas procurem estudar e ter a tecnologia mais eficaz no desenvolvimento de produtos em carbono.

Porque podem ser eles a fazer a diferença na hora de o ciclista escolher. E isto faz com que nós fiquemos cada vez mais bem servidos sempre que compramos uma bicicleta nova.

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Fotos: Argon18 // Team Bike

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