Foram uns primeiros nove dias de Volta a França de altos e baixos para a Deceuninck-QuickStep, mas enquanto esteve em alta teve um ciclista de amarelo e outro de verde. Ou seja, um a liderar a geral e outro a classificação dos pontos. E não como poderia deixar de ser, as marcas tratam de personalizar bicicletas e capacetes, por exemplo. Mas desta fez a equipa belga foi mais além: as correntes.

A bicicleta de Julian Alaphilippe teve direito a uma corrente amarela e a de Sam Bennett a uma verde, enquanto foram líderes das respetivas classificações. Não é algo habitual, pelo que chamou bastante a atenção. “É uma corrende UFO Racing com o acréscimo da cor”, explicou Nadia Norskov, coordenadora de marketing da CeramicSpeed, ao ser questionada pelo Cyclingnews.

© Deceuninck-QuickStep

A UFO (Ultra Fast Optimisation – optimização ultra rápida) faz parte da gama de produtos da CeramicSpeed, que afirma que aumenta a eficiência e poupa watts, cerca de cinco, comparativamente com uma corrente “normal”. A corrente propriamente dita é uma Shimano Dura-Ace 11, mas recebe então este tratamento especial. Segundo o Cyclingnews, isto significa que cerca de 45 euros de custo, a corrente passa a valer 139.

Esta optimização passa por tirar qualquer imperfeição que possa ter ficado no fabrico da corrente. É depois limpa para tirar a lubrificação que vem da fábrica, sendo posteriormente submergida numa cera própria para a corrente da CeramicSpeed. Um pó de teflon completa o processo.

© Deceuninck-QuickStep

O senão é que este tratamento especial da corrente só durante cerca de 600 quilómetros em condições secas. Ou seja, muitas vão ser utilizadas durante o Tour.

Mas então e a cor? “Achámos que era um pormenor engraçado para a Volta a França”, admitiu Nadia Norskov. A responsável explicou que a química da empresa criou uma fórmula para colorir o pó de teflon, mas que mantivesse todas as caraterísticas da corrente UFO Racing. “Também fizemos em verde e azul”, salientou, sem ter esquecido o rosa, a cor da camisola de líder da Volta a Itália.

© CeramicSpeed

Alaphilippe perdeu a camisola amarela ao receber um abastecimento numa zona em que já não podia na quinta etapa (dentro dos 20 quilómetros finais) e foi penalizado em 20 segundos. Entretanto, nos Pirenéus já perdeu muito tempo, pelo que não vai voltar a usar a corrente amarela. Já Bennett está a apenas sete pontos de Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) na luta pela camisola verde.

No entanto, este é um pormenor que não irá tornar-se num produto para o público. Foi criado apenas para assinalar a presença no Tour e mais tarde poder-se-á ver no Giro. A versão colorida da corrente não será colocada à venda.