Alexis Guerin venceu a etapa da Senhora da Graça e consolidou a sua camisola amarela na Volta a Portugal, num dia marcado pela homenagem ao ciclista Finlay Tarling, que faleceu na véspera. O ciclista francês da Anicolor trocou a tradicional camisola de líder por uma negra, em sinal de luto, e dedicou o triunfo ao jovem atleta.

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Apesar de ter reforçado a liderança, Guerin sublinhou que a vitória na etapa tinha um significado mais profundo. “Não é o mais importante do dia, era lembrar o jovem que perdeu a vida ontem”, afirmou, acrescentando que a sua principal motivação era prestar tributo. “Quis homenagear o jovem, envergando uma camisola negra em vez da amarela. E quis muito vencer esta etapa por ele.”

O líder da Volta a Portugal admitiu não se ter sentido bem no início da subida final, mas encontrou forças na simbologia do momento. “Não me senti bem no início da última subida, mas como tinha a camisola negra disse para mim mesmo que hoje não podia resignar-me a estar mal, porque tenho a sorte de… de estar aqui na corrida”, explicou.

A vitória de Guerin não estava, contudo, nos planos iniciais da equipa. O francês revelou que a estratégia passava por trabalhar para o seu colega Artem Nych. “Queria que o Artem [Nych] ganhasse, mas quando ele me disse ‘vais ganhar tu’, quis vencer… pelo rapaz que morreu [Finlay Tarling], para lhe fazer homenagem”, contou.

A decisão de atacar para a vitória foi tomada após indicação do diretor desportivo. “O meu diretor desportivo diz-me: “esta é a etapa da Sra. da Graça, e vais ganhá-la tu então””, relatou Guerin, que assumiu a responsabilidade. “O meu patrão é a Anicolor-Campicarn e o Rúben Pereira. Por isso, quando o meu patrão me diz para ganhar, eu tento ganhar.”

Esta decisão gerou um gesto de desagrado por parte de José Neves nos metros finais, situação que Guerin comentou: “É possível que tenha ficado desagradado, mas eu sou ciclista da Anicolor. Hoje trabalhei para o Artem [Nych] para tentar que ganhasse a etapa. Mas ele disse-me no último quilómetro que não tinha pernas.”

Apesar de ter ganho tempo aos seus principais adversários, o ciclista francês recusa dar a corrida como terminada. “A Volta não acabou. Vai terminar amanhã [domingo], no Porto. Hoje ganhei tempo na geral”, frisou.

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Por fim, Guerin isentou a organização e as autoridades de qualquer responsabilidade no acidente que vitimou Tarling. “Não é culpa da organização, não é culpa da polícia, não é culpa do pessoal que trabalha na corrida. Esta é uma corrida que tem muita, muita segurança. É culpa de uma pessoa que não respeitou. Acho que perder cinco minutos no dia não vale tirar a vida de uma pessoa.”