Alexis Guerin sagrou-se este domingo vencedor da 87.ª edição da Volta a Portugal, numa última etapa marcada pelo triunfo emocionante de Rui Oliveira na Avenida dos Aliados, no Porto. O francês da Anicolor confirmou o domínio demonstrado ao longo da competição, enquanto o português da UAE Emirates concretizou finalmente o sonho de conquistar a primeira vitória profissional.

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Guerin chegou ao Porto com a camisola amarela praticamente assegurada depois de uma prestação de grande nível nas etapas decisivas da prova. O corredor francês impôs-se nas exigentes chegadas à Torre, na Serra da Estrela, e à Senhora da Graça, construindo uma vantagem que lhe permitiu controlar a classificação geral até ao final.

Na derradeira etapa, disputada num percurso entre o Porto e Vila Nova de Gaia, Guerin terminou na oitava posição e confirmou definitivamente a vitória na geral. O triunfo sucede ao do companheiro de equipa Artem Nych e representa o principal objetivo da temporada para o francês.

“É incrível! Estou mesmo muito feliz por ganhar. Era uma obsessão este ano, era o objetivo da época para mim e para a equipa”, confessou Guerin após a chegada. O corredor admitiu ainda a tensão sentida antes da partida, apesar das sucessivas felicitações que recebeu durante a manhã.

“Toda a gente me dava os parabéns e dizia que eu já tinha ganho, mas enquanto não passasse a linha de meta não acreditava. É mágico!”, afirmou.

Depois de uma competição em que se impôs nas principais etapas de montanha, Guerin reconheceu que ainda estava a tentar assimilar a dimensão da conquista. “É um sonho! Não sei bem o que vivi, é impressionante. Estou muito contente”, declarou.

O francês aproveitou ainda a celebração no centro do Porto para revelar um desejo especial: dar o pontapé de saída num jogo do FC Porto. “Agora só tenho um último sonho para este ano: dar o pontapé de saída num jogo do FC Porto. Se os dirigentes do FC Porto me estiverem a ouvir, é o meu sonho”, brincou.

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Rui Oliveira concretiza o sonho em casa

Se Guerin festejou a vitória na classificação geral, a grande figura da última etapa foi Rui Oliveira. O ciclista gaiense, de 29 anos, venceu o sprint final na Avenida dos Aliados, batendo o espanhol David Cavia, da Burgos-BH, enquanto Francisco Campos, da Tavfer, terminou na terceira posição.

A vitória teve um significado especial para o corredor português, que perseguia o primeiro triunfo profissional há várias etapas. A oportunidade chegou finalmente no cenário que mais desejava: o Porto, junto de casa, perante familiares, amigos e milhares de adeptos.

“Não havia uma melhor maneira de ganhar a minha primeira vitória profissional. Era aqui em casa, no Porto, em Gaia. Não tenho palavras”, afirmou Rui Oliveira após cortar a meta.

O corredor da UAE Emirates revelou que tinha esta etapa como um dos grandes objetivos desde que conheceu o percurso da edição deste ano.

“A partir do dia em que soube que a Volta ia acabar no Porto, falei com a minha equipa e eles deram-me muita confiança. Esta etapa era a que tinha em mente. Concretizá-la diante de toda a gente que me apoia e que me ama é incrível. Estou a viver um sonho”, contou.

A vitória permitiu-lhe ainda conquistar a camisola laranja, correspondente à classificação por pontos.

“Queria lutar pela vitória hoje aqui, na minha casa, para dedicar ao público português e a toda a minha família, aos meus amigos. Está toda a gente aqui, eu vivo aqui ao lado. Se me dissessem que ia ser a minha primeira vitória profissional assim, não acreditaria. E para mais, com a camisola laranja, que também ganhei”, acrescentou.

Fugas anuladas na fase decisiva

A última etapa ganhou intensidade nos derradeiros 35 quilómetros, quando o pelotão iniciou três voltas a um circuito entre o Porto e Vila Nova de Gaia, marcado pelas dificuldades do percurso e pela subida empedrada da Avenida dos Aliados.

Uma fuga de cinco corredores — Adam Lewis, César Martingil, Gaspar Gonçalves, Vlacheslav Ivanov e Eduard Pérez-Landaluce — chegou a ganhar cerca de dois minutos, mas nunca conseguiu uma vantagem suficientemente confortável para ameaçar o pelotão.

Na aproximação à fase decisiva, a fuga desfez-se. Pérez-Landaluce e Gaspar Gonçalves ainda resistiram na frente, juntando-se-lhes posteriormente Diogo Narciso, da Credibom, que chegou a isolar-se a cerca de 25 quilómetros da meta.

A Anicolor, determinada em tentar proporcionar a Artem Nych uma vitória de consolação, assumiu a perseguição e anulou a última tentativa de fuga antes da passagem final pelos Aliados. O russo, contudo, não conseguiu repetir o triunfo que procurava depois de também ter ficado aquém da vitória na etapa da Senhora da Graça.

Na última volta, a UAE Emirates passou também a ter um papel importante na frente do pelotão. Adrià Pericas trabalhou para neutralizar novas tentativas de ataque e preparar o sprint para Rui Oliveira.

O esforço coletivo acabou por ser recompensado. Rui Oliveira lançou o sprint no empedrado dos Aliados e conseguiu finalmente erguer os braços, numa chegada carregada de emoção.

Uma vitória com uma dedicatória especial

Depois de concretizar o maior triunfo da carreira, Rui Oliveira fez questão de recordar Finlay Tarling, jovem ciclista da equipa NSN Development que morreu na sequência de um acidente durante a oitava etapa da Volta a Portugal.

“Têm sido dias muito duros para todos”, afirmou o português, deixando uma palavra de reconhecimento ao esforço de todos os corredores que continuaram em competição.

Assim terminou uma 87.ª Volta a Portugal marcada pelo domínio de Alexis Guerin nas montanhas e por um final de grande emoção no Porto: o francês confirmou o título que tinha definido como o grande objetivo da temporada, enquanto Rui Oliveira encontrou, finalmente, a vitória profissional que perseguia — e fê-lo precisamente em casa, diante daqueles que mais o apoiaram.