A morte do ciclista Finlay Tarling, de 19 anos, vitíma de colisão com um carro em contramão durante a 8.ª etapa da Volta a Portugal, reacendeu o debate sobre a segurança dos atletas.
Em declarações à RMC, o antigo ciclista e dirigente francês Jérôme Pineau criticou duramente as falhas de organização da prova, que acompanha de perto.
“O que aconteceu é dramático. Acompanho de muito perto esta Volta a Portugal e é um milagre permanente: as chegadas não são dignas de uma corrida deste nível, a segurança é catastrófica”, afirmou Pineau, atualmente comentador.
Para o francês, a tragédia resulta não só da «incivilidade», mas também da “falta de meios para organizar grandes corridas de ciclismo, que são cada vez mais caras”. Pineau aponta o dedo às entidades que tutelam a modalidade, exigindo maior fiscalização sobre os organizadores.
“Tudo isto deve, acima de tudo, interpelar as instâncias responsáveis”, defendeu, acrescentando que estas “devem implementar validações e, se a segurança não for garantida, se os organizadores não forem capazes, não se autoriza a organização da prova, não é mais complicado do que isso”.
Jérôme Pineau sublinhou ainda as dificuldades financeiras que afetam certas competições, levando a que alguns organizadores abdiquem de princípios de segurança essenciais.
“É cada vez mais caro organizar corridas e alguns organizadores renegam os princípios de segurança que enquadram toda a bolha do ciclismo”, explicou.
O antigo ciclista concluiu, classificando a prova portuguesa como sendo de “segunda linha”, na qual é necessário “encontrar comissários, pessoal para organizar, encontrar fundos para a GNR…”.

