Remco Evenepoel abordou a gestão de peso, um fator crucial no ciclismo profissional, especialmente para quem ambiciona brilhar nas montanhas. O ciclista belga admitiu, numa entrevista ao Het Laatste Nieuws, que tem uma predisposição genética para ganhar peso facilmente, o que torna difícil manter um desempenho de topo nas montanhas durante todo o ano.
“Tenho genes para ganhar peso facilmente. A Oumi [a sua esposa] já me disse que terei de aprender a cuidar bem de mim depois da minha carreira”, confessou Evenepoel. O ciclista explicou que esta característica física é uma herança familiar. “Depois do inverno, os meus braços nunca estão tonificados e parecem um pouco mais cheios. Aparentemente, herdei isso do irmão da minha mãe. A minha mãe vê sempre esse mesmo físico a regressar.”
Esta tendência para flutuações de peso reflete-se nos seus resultados, sendo raro vê-lo no seu melhor nível nas montanhas fora das grandes Voltas. Considerado um especialista natural em clássicas, Evenepoel precisa de uma preparação específica para atingir o seu potencial máximo como trepador. “Forte, mas com peso flutuante. Reconheço isso também no Dario [primo e mecânico de Evenepoel]. Se eu não fizesse exercício e apenas comesse e aproveitasse um pouco a vida, ganharia peso rapidamente”, acrescentou.
Apesar disso, o belga tem sabido usar o peso a seu favor, tornando-se um dos melhores contrarrelogistas da atualidade, com títulos mundiais e olímpicos, além de vitórias em monumentos e outras corridas importantes, graças à potência que mantém ao longo do ano.
No entanto, o grande objetivo de Evenepoel são as grandes Voltas, como demonstrou ao vencer a Vuelta em 2022. Com o tempo, aprendeu que o corpo se comporta de maneira diferente na primavera e no verão. “Noto isso também na minha explosividade e nos valores de três minutos. Em abril, são melhores do que no verão, porque aí, tal como com o peso, também perco alguma massa muscular e potência absoluta”, explicou, garantindo que atualmente tem a situação “sob controlo”.
O ciclista sabe a fórmula para atingir o seu peso ideal para as grandes competições: estágios em altitude e longos períodos de treino. “Sei perfeitamente o que preciso de fazer para perder peso e atingir o meu peso mais baixo: um mês de estágio em altitude ou um longo período de treino. Na Volta a Catalunha, o meu peso era um mundo de diferença em comparação com o UAE Tour”, detalhou.
Evenepoel, que subiu ao pódio no Tour de 2024 ao lado de Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard, destacou ainda que a abordagem à perda de peso durante as corridas mudou. “Numa corrida, em termos de balanço energético, é preciso manter o mesmo nível do que se consumiu. O aporte de hidratos de carbono também torna praticamente impossível perder peso durante uma prova. Os dias de Chris Froome, que perdia peso nos primeiros dez dias do Tour, acabaram.”
Para as clássicas, como a Liège-Bastogne-Liège, a estratégia é diferente, focando-se na acumulação de energia. “Para uma corrida como a Liège, podemos comer massa à vontade: 300 gramas ao almoço, mais 400 à noite. Durante uma corrida, queimam-se 6000 a 7000 calorias. Por isso, é preciso comer muito de manhã, porque durante a prova é impossível repor tudo isso”, revelou.
Em tom de brincadeira, o ciclista belga partilhou alguns dos seus “vícios” alimentares: “E qual é a melhor maneira de o fazer? Comendo uma fatia de pão com Nutella […] M&M’s, gelado. Sabem o que é mesmo bom? Magnums de Lotus Biscoff. Especialmente os de chocolate branco, mas já foi há muito tempo. Desde que voltei a casa do UAE Tour.”




