Em certas alturas da corrida, tal como aconteceu na Strade Bianche deste ano, ficámos todos com a sensação de que chegou finalmente quem consiga dar luta a sério a Tadej Pogacar. Mas ainda não foi desta…

PUB

Paul Seixas (Decathlon CMA CGM Team), 19 anos apenas, fez algo extraordinário hoje: seguiu na roda do esloveno da UAE Emirates-XRG quando este atacou pela primeira vez nesta Liège-Bastogne-Liège 2026,a na subida de La Redoute, e foi o único a acompanhar durante mais tempo Pogi.

Confirmou que já é uma realidade, mas que ainda falta qualquer coisa… Isto porque Pogacar resolveu a corrida na Roche-aux-Faucons, a 13 km da meta: atacou neste subida, Seixas respondeu, mas não conseguiu depois acompanhar o ritmo diabólico imposto pelo campeão do mundo…

Pogi somou assim a quarta vitória na “Doyenne”, o seu 13º Monumento no currículo, deixando Seixas a 45 segundos, que por sua vez terminou com 01m45s do 3º classificado, que foi… Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe). Incrível!

PUB

Afonso Eulálio, o único ciclista português em prova, ficou na posição 62, a 09m25s.

A corrida foi sendo construída ao longo de várias horas, mas acabou por se resolver nos pontos “habituais”. Antes disso, houve movimento cedo, com Remco Evenepoel a tentar mexer na corrida a grande distância, integrando uma fuga numerosa que obrigou a UAE Emirates a assumir responsabilidade muito antes do esperado.

Esse movimento não chegou à meta, mas teve impacto. Endureceu a corrida e contribuiu para uma seleção progressiva do pelotão, deixando menos pernas para a fase decisiva.

Quando a corrida entrou nas grandes subidas, o cenário ficou mais previsível. A UAE Emirates-XRG assumiu o controlo e começou a preparar o momento-chave.

Na La Redoute, Pogacar atacou. Não foi um movimento definitivo, mas foi o primeiro grande corte. O grupo dos favoritos partiu e apenas um corredor conseguiu realmente responder: Paul Seixas.

O jovem francês voltou a surpreender. Colou-se à roda de Pogacar, resistiu ao ritmo e passou a integrar o grupo da frente. A partir daí, a corrida ficou reduzida a dois homens.

Os dois trabalharam bem em conjunto durante vários km, construindo rapidamente uma vantagem confortável. Por trás, o grupo perseguidor fragmentou-se, sem organização suficiente para reduzir a diferença.

A decisão ficou guardada para a última grande subida, a Roche-aux-Faucons.

Aí, Pogacar voltou a atacar. Desta vez de forma definitiva. Seixas ainda tentou responder, mas acabou por ceder nos metros mais duros. O esloveno abriu espaço e seguiu sozinho para a meta, sem voltar a ser ameaçado.

Atrás, Seixas segurou o segundo lugar com maturidade. Não entrou em colapso, manteve o ritmo e confirmou uma prestação que o coloca, claramente, entre os nomes a ter em conta neste tipo de corridas.

Mais atrás, Evenepoel conseguiu recompor-se. Depois de ter sido um dos protagonistas no início e de ter cedido no momento decisivo, o belga ainda encontrou forma de regressar ao grupo perseguidor e garantir o terceiro lugar ao sprint.

A classificação final confirmou o domínio de Pogacar, mas também deixou outros sinais.

Seixas mostrou que não está apenas a aparecer: está a competir ao mais alto nível. E Evenepoel, mesmo sem capacidade para seguir o ataque decisivo, voltou a provar que é difícil afastá-lo completamente das posições de pódio.