Alberto Contador levantou dúvidas sobre um dos principais argumentos da Visma-Lease a Bike para a Volta a França de 2026, salientando que a reputação de Jonas Vingegaard de melhorar na segunda grande volta que fará na época nunca foi testada contra Tadej Pogacar.

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A discussão surge após a recente vitória de Vingegaard no Giro, onde o dinamarquês conquistou a camisola rosa e cinco vitórias em etapas, juntando-se ao grupo de elite de ciclistas que venceram as três Grandes Voltas. Este triunfo soma-se aos seus títulos no Tour de 2022 e 2023 e na Vuelta de 2025, numa corrida em que Felix Gall, Jai Hindley e Thymen Arensman não conseguiram ameaçar o seu domínio.

Antes da vitória em Itália, Marc Reef, diretor desportivo da Visma-Lease a Bike, explicou à Domestique a aposta da equipa na ‘dobradinha’ Giro-Tour. “Ele procurava uma nova motivação e um novo estímulo”, afirmou Reef. “E nós apoiámos totalmente essa ideia. No ano passado, quando o Jonas fez o Tour e a Vuelta, vimos que o seu nível melhorou ligeiramente na segunda grande Volta, o que foi uma razão extra para apostar nisso este ano”.

Esta teoria, no entanto, não convenceu Alberto Contador. Em declarações ao Eurosport, o espanhol partilhou a sua perspetiva. “Essa teoria que eles têm na equipa, que me surpreendeu pela forma enfática como o diretor falou sobre ela, é que na segunda grande Volta ele está sempre melhor”, disse Contador. “Na segunda grande Volta, até agora, Pogacar nunca esteve lá. Agora veremos quando ele coincidir com Pogacar, quando coincidir com Seixas, e veremos como ele se desenvolve”.

De facto, as épocas anteriores em que Vingegaard competiu em duas Grandes Voltas não contaram com a presença de Pogačar na segunda prova. Na Vuelta de 2025, onde Vingegaard superou João Almeida, o esloveno não esteve na linha de partida. O mesmo cenário repetiu-se na Vuelta de 2023, dominada pela Visma com Sepp Kuss, Vingegaard e Primoz Roglic a ocuparem todo o pódio, novamente sem Pogacar em competição.

A temporada de 2026 de Vingegaard tem sido quase perfeita, com vitórias no Paris-Nice, na Volta a Catalunha e no Giro, tornando-se o ciclista com mais vitórias no ano. A sua forma sugere uma recuperação total após a queda na Volta ao País Basco em abril de 2024. Contudo, Pogacar dominou as duas últimas edições do Tour, vencendo Vingegaard por 6.17 minutos em 2024 e por 4.24 em 2025.

Por essa razão, Pogačar partirá como favorito para a Volta a França de 2026, que começa em Barcelona a 4 de julho. Vingegaard, o seu principal adversário, já o venceu no Tour em 2022 e 2023, mas nunca depois de ter corrido o Giro na mesma época. A grande questão que se coloca é se a dobradinha Giro-Tour permitirá ao dinamarquês repetir o feito contra o seu maior rival.

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