Não se sentiu bem, ficou sem rádio, não tinha ciclocomputador… Marlen Reusser estava com a sensação que não era o seu dia para sagrar-se novamente campeã da Europa de contrarrelógio. Mas afinal…
A suíça foi mesmo a mais rápida nos 24 quilómetros de Fürstenfeldbruck, cidade perto de Munique, que está a receber os Europeus de várias modalidades.
A agora bicampeã europeia pareceu não acreditar no imediato que tinha conseguido derrotar outra grande especialista do contrarrelógio, Ellen van Dijk. Repetiu-se a história de 2021.
A campeã do mundo, de 35 anos, foi pela terceira vez consecutiva segunda classificada… Mas já soma quatro títulos europeus, além dos dois mundiais. A fechar o pódio este outra neerlandesa, Riejanne Markus, a mais nova das três, com 27 anos.

O dia pertenceu a uma Marlen Reusser (30) que está a realizar uma boa temporada, mas estava difícil somar vitórias. Ganhou recentemente uma etapa na Volta a França, tendo depois abandonado, devido às sequelas de uma queda.
Surgiu em Munique em boa forma e com o trabalho de casa muito bem feito, como destacou nas declarações logo após o contrarrelógio.
As mudanças no cockpit e não só
A suíça recusou ficar com todo o mérito da conquista.
“Tenho de dizer que estou muito agradecida às pessoas que me ajudar com a aerodinâmica. Trabalhámos muito. Houve mudanças. Fizeram um novo cockpit. A federação suíça e a minha equipa ajudaram muito, tal como o meu treinador”, começou por referir.

“Desde esta primavera, quando mudei de equipa, tivemos uma bicicleta nova, um novo cockpit. Tivemos muito trabalho para ajustar tudo. Hoje senti que o set-up da bicicleta está muito rápido. Por isso, não sou só eu quem ganhou esta medalha. Foi um trabalho de equipa e estou muito agradecida pelo trabalho que foi feito”, salientou.
Reusser está na SD Worx, equipa que tem como parceira a Specialized. Algo que chamou de imediato a atenção foi o novo capacete, tão falado quando foi estreado pelos ciclistas da Quick-Step Alpha Vinyl na Volta a França.
Porém, foi todo o trabalho de posição e de preparar minuciosamente a bicicleta que Reusser se referiu. O resultado ficou à vista: venceu com o tempo de 31 minutos (46,5 de média horária), menos seis segundos que Van Dijk e 28 que Markus.
A “ajuda” de Lisa Brennauer
Não era certamente a intenção da ciclista alemã, principalmente quando se prepara para colocar um ponto final na carreira nestes Europeus de estada. Porém, Lisa Brennauer acabou por motivar Reusser.
A suíça pensava que não estava a fazer uma boa prova, mas ao ver a ciclista que tinha partido à sua frente… “Sei que a Lisa anda bastante rápido e então pensei: ‘Não pode ser assim tão mau!’ Ajudou-me. Tenho de lhe agradecer.”
Reusser explicou porque achava que não ia ser o seu dia: “Tive alguns problemas. O meu rádio não funcionava. Só ouvia ‘piiiiii’, o que era algo irritante. E também sentia que não era o meu dia. Pedalei sem o meu Garmin.”
Admitiu que não gostou das más sensações: “Não senti que tivesse as pernas. Mentalmente foi importante ver a Lisa Brennauer à minha frente. Não sabia dos tempos, não ouvia como estava a ser.”
Como curiosidade, Brennauer terminou na 12ª posição, a 1;58 de Reusser. Não houve portuguesas em prova.
Resultados completos:
https://www.procyclingstats.com/race/uec-road-european-championships-we-itt/2022/result
Fotografias: UEC-Union Européenne de Cyclisme
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